Fed considera nova alta dos juros em torno de 50 ou 75 pontos-base

Ata do Fomc mostra que o Fed convergiu para um maior aumento dos juros após a divulgação de inflação alta em maio.

Reuters
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Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

Fachada do Federal Reserve (Fed), em Washington, nos EUA. 

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A deterioração da situação da inflação e a preocupação com a perda de confiança no poder do Federal Reserve de torná-la melhor levaram as autoridades do banco central norte-americano a convergir em torno de um aumento maior da taxa de juros e a uma repetição firme da intenção do BC de manter os preços sob controle, mostrou a ata da reunião de política monetária dos dias 14 e 15 de junho, divulgada hoje (6).

Com base nos dados divulgados nos dias anteriores à sessão, “os participantes concordaram… que as perspectivas de inflação de curto prazo se deterioraram desde o momento da reunião de maio”, afirma a ata, justificando o aumento de 0,75 ponto percentual nos juros e um movimento para uma política monetária “restritiva”.

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Com as famílias pressionadas pelo aumento dos preços dos alimentos e do gás e nenhuma evidência de que as ações do Fed até o momento começaram a deter o aumento mais rápido da inflação em 40 anos, “muitos participantes julgaram que um risco significativo… era que a inflação elevada poderia se consolidar se o público começasse a questionar a decisão do Comitê (Federal de Mercado Aberto, ou Fomc, na sigla em inglês) de ajustar a postura da política monetária conforme justificado”, mostrou a ata divulgada nesta quarta-feira.

O resultado foi o primeiro aumento de 0,75 ponto percentual nos juros desde 1994 e a promessa de mais por vir, com os participantes julgando que um aumento de 50 ou 75 pontos-base provavelmente será apropriado na reunião de política do fim deste mês.

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Em uma demonstração de unanimidade que apagou as típicas divisões entre “falcões” (mais conservadores sobre a inflação) e “pombas” (mais preocupados com o crescimento econômico), o grupo observou a necessidade de montar uma campanha de comunicação pública que não deixasse dúvidas de que eles estavam “fortemente comprometidos” em vencer a guerra inflacionária.

Desde então, o presidente do Fed, Jerome Powell, ampliou sua própria retórica, declarando na semana passada que havia um “relógio correndo” no Fed para mostrar que o banco poderia domar os preços antes que a psicologia do público começasse a mudar.

No encontro foram expostas preocupações já em andamento, com “muitos participantes” preocupados com o risco de que as “as expectativas de inflação de longo prazo pudessem estar começando a subir”.

A ata não mencionou o risco de recessão e, de fato, as autoridades do Fed disseram acreditar que os dados mostraram que o PIB dos EUA “estava se expandindo no trimestre atual”, com o mercado de trabalho ainda apertado.

Mas eles reconheceram que os riscos eram para pior, em particular de que a política monetária do Fed poderia ter um impacto maior do que o previsto.

“Os participantes concordaram que as perspectivas econômicas justificam a mudança para uma postura restritiva da política monetária e reconheceram a possibilidade de uma postura ainda mais restritiva ser apropriada se as pressões inflacionárias elevadas persistirem”, disse a ata.

Atualmente, investidores esperam que o Fed entregue outro aumento de 75 pontos-base nos juros na próxima reunião de 26 a 27 de julho, como parte do que se tornou uma rápida mudança na política monetária.

Menos de um ano atrás, as autoridades ainda estavam prometendo manter as torneiras de dinheiro barato bem abertas –com a taxa das Fed funds perto de zero e US$ 120 bilhões em compras mensais de títulos despejando liquidez no sistema– até que houvesse “progresso substancial” no mercado de trabalho e a inflação estivesse “moderadamente no caminho certo” para exceder a meta de 2% do Fed “por algum tempo”.

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