1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Terceiro trimestre tem saldo positivo para mais da metade das empresas
Forbes Money

Terceiro trimestre tem saldo positivo para mais da metade das empresas

Embora receitas tenham crescido em um ano, o endividamento das empresas teve um salto de 70% no mesmo período, reflexo do juros altos

4 min
Foto: da-kuk/Getty Images
Foto: da-kuk/Getty ImagesBalanços: Receitas superaram expectativas nos setores de alimentação, agronegócio, saneamento e transportes

A expectativa do mercado financeiro para os resultados das empresas no terceiro trimestre era baixa. A desaceleração econômica global e os juros e a inflação altos no país indicavam menor crescimento das empresas. No entanto, o lucro operacional das companhias abertas superou a expectativa da XP em 55% dos balanços. Já o faturamento veio melhor do que o esperado em 54% dos casos.

“Vemos os resultados do terceiro trimestre das empresas brasileiras como sólidos, mesmo sendo uma temporada um pouco pior do que a anterior”, escrevem os analistas da XP Fernando Ferreira, Jennie Li e Rebecca Nossig em relatório.

Quanto aos setores, a XP analisa que as empresas do agronegócio, alimentação e bebidas, saneamento e transportes foram as que reportaram um lucro operacional acima das expectativas. Já companhias de bens de capital e do setor financeiro desapontaram em suas entregas.

Os bons números não animaram os pregões. Ao contrário, as empresas do Ibovespa que divulgaram números de faturamento e geração de caixa (Ebitda) acima das expectativas viram as cotações de suas ações caírem, em média, 1,3% e 1,0%, respectivamente, um dia após a divulgação dos balanços, segundo levantamento da XP. Já as ações das empresas cujos resultados ficaram abaixo das estimativas foram mais penalizadas, com quedas de 2,7% e de 4,0%.

Durante a temporada de balanços do terceiro trimestre, o Ibovespa caiu 5,9%, pressionado pelas preocupações com a subida de juros nos EUA, as eleições por aqui e, mais recentemente, com as discussões sobre a política fiscal do governo eleito.

Acompanhe em primeira mão o conteúdo do Forbes Money no Telegram

Já para a Genial Investimentos, esta temporada de balanços trouxe uma visão neutra das empresas, mas com viés negativo.

“Apesar da manutenção do nível de receitas, a queda dos preços das commodities e o impacto dos juros reduziram a capacidade de geração de caixa das companhias”, diz o relatório.

Em números gerais, a Genial calcula que as receitas permaneceram estáveis no terceiro trimestre (3T22), com queda de 0,58% na comparação com o segundo trimestre, porém com a alta de 8,95% na comparação com o 3T21. Excluindo Petrobras e Vale, o crescimento é mais significativo: alta de 7,10% trimestre a trimestre e 13,75% ano a ano.

Filipe Villegas escreve em relatório da Genial que o número que mais preocupou foi o de crescimento da alavancagem – indicador que mede a dívida líquida em relação ao lucro operacional (Ebitda). O crescimento da alavancagem foi de dois dígitos na comparação trimestral (+21,91%) e na comparação anual (+70,33%).

“Ao longo dos últimos meses, o aumento das taxas de juros levou ao aumento das despesas e custos financeiros, impactando a rentabilidade e as margens das empresas. Por conta da maior alavancagem, tanto o Ebitda quanto o lucro por ação apresentaram variações negativas no período”, escreve Villegas.

Destaques setoriais dos balanços do 3T22

Mineração e siderurgia: Genial e XP destacam a Gerdau (GGBR4) como tendo apresentado o melhor resultado. A unidade da América do Norte manteve margens robustas e os “resultados foram menos impactados no preço realizado que os demais pares”, afirma a Genial.

Varejo: Grupo Soma (SOMA3) e Vivara (VIVA3) apresentaram bons números, segundo a XP. Dentre as varejistas tradicionais, Magazine Luiza (MGLU3) entregou “uma importante recomposição de margens devido ao ganho de escala do digital e melhor performance de lojas físicas”, escreve Villegas.

Bancos: o Banco do Brasil (BBAS3) foi o principal destaque, com crescimento na carteira de crédito e aumento da margem financeira.

Agro, alimentos e bebidas: a Ambev (ABEV3) apresentou um desempenho sólido, com a operação brasileira melhor do que o esperado e capaz de compensar um desempenho fraco das unidades internacionais.

Saúde: a Genial destacou a Fleury (FLRY3) por “demonstrar capacidade de crescimento e rentabilidade, mesmo em um momento difícil para o setor”, enquanto a XP aponta que Rede D’Or (RDOR3) também apresentou resultados ligeiramente positivos com aumento nos tickets médios.

Transporte e logística: JSL (JSLG3) apresentou resultados muito fortes no 3T22, entregando um ótimo mix entre crescimento orgânico e inorgânico, para a Genial, e a Rumo (RAIL3) também reportou bons resultados, com forte desempenho de receita, segundo a XP.

Energia elétrica: AES Brasil (AESB3) colheu os frutos do cenário hidrológico mais favorável, apresentando o dobro de margem operacional líquida frente um ano atrás.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.