Bom dia. Estamos na quarta-feira, 28 de maio.
Cenários
Divulgado na terça-feira (27), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou uma inflação de 0,36% em maio. O resultado ficou abaixo das projeções de 0,44% e dos 0,43% registrados em abril. A variação acumulada em 12 meses recuou para 5,40% ante os 5,49% dos 12 meses até abril, também inferior às expectativas, que eram de 5,50%.
Inflação baixa quer dizer menos pressão sobre os juros. O resultado só poderia ser um momento de animação dos investidores. O Ibovespa (IBOV) subiu 1,02% e encerrou o pregão a 139.541 pontos. No máximo do dia, o principal indicador do mercado chegou a 140.382 pontos, novo recorde nominal intradiário. E o dólar recuou pouco mais de 0,50%, fechando a 5,645 reais.
O IPCA-15 não apenas veio abaixo do esperado, como também indicou uma melhora estrutural na dinâmica dos preços. Isso não quer dizer que a inflação esteja sob controle. No entanto, o resultado abaixo das expectativas permite formular algumas hipóteses.
A primeira é que a desaceleração da inflação permite supor que a política monetária apertada, com a manutenção da Selic elevada há vários meses, está finalmente fazendo efeito sobre a economia. O maior impacto positivo (0,06 ponto percentual) veio o aumento de 1,68% na energia elétrica residencial devido à mudança na bandeira tarifária. Esse aumento, que pesa diretamente no bolso do consumidor, foi parcialmente compensado pela desaceleração nos preços de alimentos.
A variação acumulada da inflação permanece muito acima do teto da meta, mas esse excedente recuou para 0,90 ponto percentual ante o 0,99 ponto percentual do mês anterior. A situação está longe de poder ser considerada controlada, mas houve uma melhora sensível em relação a abril.
Há outras notícias potencialmente positivas no horizonte. Os investidores ainda estão chocados com a confusão provocada pelo governo ao anunciar as alterações no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Porém, o que está em pauta é um contingenciamento de 31,3 bilhões de reais nos gastos públicos. Apesar de membros da equipe econômica já terem advertido que a poupança pode ser menor se as mudanças no IOF não se concretizarem, sempre é uma situação fiscal melhor do que a anterior às medidas.
Não por acaso, aumentaram as probabilidades de manutenção da Selic no patamar de 14,75% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) agendada para junho. As opções de Copom negociadas na B3 que indicam estabilidade das taxas subiram para 83% nesta quarta-feira (28), ante 74% na terça-feira (27). Duas semanas atrás, em 15 de maio, essa probabilidade era de 55%.
Ainda é muito prematuro especular sobre qualquer queda das taxas e afrouxamento da política monetária. No entanto, a ata do Copom mais recente confirmou o que já se sabia: que a trajetória dos juros está, assim como ocorre nos Estados Unidos, dependente dos indicadores financeiros. Uma inflação em desaceleração, ainda que elevada, permite supor (com cautela) que a política monetária está fazendo efeito. E que, fazendo uma comparação médica, é hora de parar de administrar medicamentos e ver se o paciente começa seu caminho para a recuperação.
Perspectivas
A quarta-feira começa com movimentos divergentes no mercado. Por um lado, os investidores seguem um pouco mais otimistas com o cenário para a inflação, o que pode justificar um desempenho positivo. No entanto, a notícia inesperada da recuperação judicial pedida pela companhia aérea Azul (AZUL4) nos Estados Unidos, indicando um cenário adverso para o setor, pode azedar o humor dos investidores.
Indicadores
- Brasil
Caged (Abr)
Esperado: 175 mil
Anterior: 71,58 mil
- Estados Unidos
Atas da reunião do Fomc