O bitcoin disparou no último ano, impulsionado pela adesão de Wall Street às criptomoedas e pelo apoio do presidente americano Donald Trump, apesar das críticas de diversos agentes do mercado.
Agora, com o frenesi das ações meme da era da covid migrando para o bitcoin, o bilionário da Tesla, Elon Musk, voltou a criticar os gastos descontrolados do governo dos Estados Unidos, apoiando um alerta de que a criptomoeda poderia “assumir o lugar” do dólar americano como moeda de reserva global.
“Se o eleitorado não cobrar do Congresso a responsabilidade de reduzir o déficit e começar a pagar a dívida, o bitcoin vai assumir o posto de moeda de reserva”, escreveu Brian Armstrong, CEO da corretora de criptomoedas Coinbase, em uma publicação no X que foi repostada por Musk.
“Eu adoro o bitcoin, mas uma América forte também é super importante para o mundo. Precisamos colocar nossas finanças em ordem”, escreveu o CEO da Tesla.
Musk, que no ano passado iniciou uma campanha contra a dívida crescente dos Estados Unidos enquanto apoiava a segunda candidatura de Donald Trump à presidência, se posicionou contra a principal proposta tributária de Trump poucos dias depois de deixar seu cargo na administração do ex-presidente.
O Escritório de Orçamento do Congresso, órgão apartidário, estima que o chamado “grande e belo projeto” de Trump vai adicionar US$ 3,8 trilhões (R$ 20,1 trilhões) aos US$ 36 trilhões (R$ 190,4 trilhões) da dívida dos Estados Unidos ao longo da próxima década, elevando o total para impressionantes US$ 40 trilhões (R$ 211,6 trilhões).“Me desculpem, mas eu simplesmente não aguento mais”, escreveu Musk, que criou e liderou o departamento de eficiência governamental, no X. “Esse projeto de gastos do Congresso, enorme, absurdo e cheio de privilégios, é uma aberração nojenta”, completou.
Musk escreveu que os que votaram a favor “sabem que erraram” e acrescentou, em uma publicação seguinte, que a proposta “vai aumentar enormemente o já gigantesco déficit orçamentário para US$ 2,5 trilhões (R$ 13,2 trilhões), além de sobrecarregar os cidadãos americanos com uma dívida insustentável e sufocante.”
Os gastos públicos massivos durante os lockdowns da covid impulsionaram fortemente a dívida dos Estados Unidos, levando a alertas de que o Federal Reserve (FED) pode ter que intervir para sustentar o mercado de títulos, o que desvalorizaria o dólar e potencialmente dispararia a inflação.