O banco Santander Brasil (SANB11) divulgou nesta quarta-feira (30) os resultados do segundo trimestre de 2025. O banco anunciou um lucro de R$ 3,659 bilhões, queda de 5,2% ante o primeiro trimestre e uma alta de 9,8% em relação ao segundo trimestre de 2024. O resultado ficou abaixo das projeções dos analistas, que eram de R$ 3,73 bilhões.
O desempenho foi afetado pelo aumento das provisões para devedores duvidosos e pela queda do resultado com o mercado. O banco adotou postura mais conservadora na concessão de crédito e na gestão da tesouraria. O ambiente macroeconômico segue instável.
Em termos consolidados, a carteira de crédito ampliada do Santander avançou 1,5%, totalizando R$ 675,5 bilhões, com destaque para financiamento ao consumo (+15,8%), cartão de crédito (+13,1%) e PMEs (+11,2%). A expansão se concentrou em linhas para pequena e média empresa e encolheu nos empréstimos para empresas de grande porte.
O banco adotou postura defensiva e elevou as provisões em R$ 5,635 bilhões, alta de 15% sobre o fim de 2024, devido aos ajustes da Resolução CMN 4.966/21. Além dos impactos da implementação da 4.966, as taxas de juros mais elevadas ao longo de 2025, e consequente aumento do endividamento das famílias e pressão sobre a capacidade de pagamento de juros das empresas.
O CEO Mário Leão disse que um “ambiente macroeconômico mais desafiador” levou o lucro líquido e o retorno sobre o patrimônio líquido do Santander Brasil a se expandirem em relação a 2024, mas a diminuírem em relação ao trimestre anterior.
Queda global
Como as operações do Santander Brasil seguem relevantes para o grupo global, a piora nas provisões afetou negativamente as cotações internacionais. O Brasil respondeu por 28% do lucro do grupo no trimestre. Em volume de ativos, o Brasil representa 30% do total. A operação brasileira é a maior fora da Europa, apesar do crescimento recente do banco nos Estados Unidos.
Ainda assim, o banco está exposto a oscilações cambiais, após a valorização de cerca de 12% do euro este ano em relação ao dólar. Os efeitos cambiais também pesaram sobre os lucros no Brasil, onde o Santander utilizou ganhos de capital para aumentar as provisões, no que Cantera considerou uma medida conservadora. “Dado o nível das taxas, considerando que temos eleições presidenciais no ano que vem”, o Santander queria “ser prudente”, disse o diretor financeiro, José Garcia Cantera em uma teleconferência com analistas quando questionado sobre o motivo da decisão da subsidiária do banco no Brasil de fazer essas provisões agora.