Nas horas que antecederam o casamento de Jeff Bezos em Veneza e seu desfecho, o fundador da Amazon fez mais do que trocar votos. Ele também vendeu 3,3 milhões de ações da Amazon — avaliadas em US$ 737 milhões (R$ 4 bilhões), segundo um documento regulatório publicado na terça-feira (2).
Essa foi a primeira venda de ações feita pelo bilionário em 2025. A última havia sido em novembro, quando ele vendeu 3,3 milhões de ações por US$ 678 milhões (R$ 3,6 bilhões), a um preço médio de US$ 205,44 (R$ 1.116,55) por ação. Desde então, os papéis da Amazon subiram para US$ 223,56 (R$ 1.213,94) — uma alta de 9% desde a última transação e de 12% nos últimos 12 meses, superando os índices gerais do mercado.
A data do documento enviado à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil, coincidiu com a celebração de três dias do seu casamento com Lauren Sanchez, em Veneza, descrita como uma reunião “íntima” com 200 convidados. Entre os presentes estavam Oprah Winfrey, Bill Gates, Leonardo DiCaprio e as Kardashians. Os convidados receberam lembranças feitas em vidro de Murano, assistiram a uma apresentação ao vivo de Matteo Bocelli, usaram táxis aquáticos privados que os levaram pelos canais e desfrutaram de um serviço de buffet com três estrelas Michelin que provavelmente ultrapassou US$ 1,1 milhão (R$ 6 milhões).
Cerimônia luxuosa e alvo de polêmicas
A Forbes estima que o custo total do casamento tenha superado US$ 20 milhões (R$ 108,6 milhões) — mais de 600 vezes o valor médio de um casamento americano, que, segundo o site The Knot, é de US$ 33.000 (R$ 179 mil). Bezos pode bancar com facilidade: a venda das ações, por si só, teria pago o evento inteiro 36 vezes.
Mas nem todos em Veneza estavam comemorando. Em resposta ao espetáculo luxuoso, ativistas do Greenpeace abriram uma faixa de 400 metros quadrados na Piazza San Marco com a frase: “se você pode alugar Veneza para seu casamento, pode pagar mais impostos.” O protesto criticava uma questão mais ampla: o que eles veem como evasão fiscal por parte dos bilionários.
Em 2024, Bezos vendeu US$ 13,6 bilhões (R$ 73,8 bilhões) em ações da Amazon e pagou cerca de US$ 2,7 bilhões (R$ 14,6 bilhões) em impostos — apenas 4,5% do lucro obtido com a valorização das ações e cerca de 1% do seu patrimônio líquido. Segundo um estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley, baseado em dados da Forbes, os 99% mais pobres dos americanos pagam, em média, 7,2% da sua riqueza em impostos por ano, enquanto os 0,1% mais ricos pagam em torno de 3,2%.
Menor participação
Desde que abriu o capital da Amazon, em 1997, Bezos já vendeu ou doou grandes partes de sua participação na empresa — sem contar os 4% que transferiu para a ex-esposa, MacKenzie Scott, como parte do divórcio em 2019. Isso reduziu sua participação na Amazon de 42% para menos de 9%. Ainda assim, ele continua sendo o maior acionista individual da empresa e o quarto homem mais rico do mundo, com um patrimônio estimado em US$ 234,4 bilhões (R$ 1,2 trilhão).
A nova documentação enviada por Bezos à SEC, na sexta-feira (30), indica que ele pretende vender até 25 milhões de ações da Amazon — o equivalente a cerca de 2,5% de sua participação. Se vender tudo, ele embolsaria cerca de US$ 5,4 bilhões (R$ 29,3 bilhões), ampliando ainda mais um padrão de vendas estratégicas e bem calculadas que, no mundo de Bezos, podem financiar filantropia, projetos espaciais, investimentos em inteligência artificial — e um casamento luxuosíssimo.