“A Argentina tem potencial para se tornar a nova Itália pela capacidade industrial, o potencial do campo e o valor de seu capital humano.” A frase é de Marco Hannappel, presidente da Philip Morris International (PMI) para América Latina e Canadá, em visita à Argentina, e refere-se a como o país europeu transformou sua indústria tabagista, alinhado à estratégia livre de fumaça que a PMI vem promovendo em nível global. Na companhia desde 2019, o executivo assumiu a região em maio deste ano.
Há anos, a PMI pesquisa e desenvolve alternativas baseadas em ciência para oferecer uma opção aos fumantes adultos que, de outra forma, continuariam fumando, com um investimento de mais de US$ 14 bilhões em P&D para alternativas sem fumaça. Em 2014, a PMI lançou na Itália e no Japão o IQOS, um dispositivo eletrônico que aquece o tabaco em vez de queimá-lo, produzindo um aerossol com nicotina e aroma de tabaco, mas sem a fumaça derivada da combustão. Hoje, possui um portfólio de produtos multicategoria em 95 países, com mais de 38 milhões de usuários ao redor do mundo, que representam mais de 40% das receitas líquidas da companhia. A projeção é de que, até o final de 2025, esteja presente em 100 mercados.
A Itália, assim como outros países como a Grécia, tornou-se um país icônico na transformação da companhia rumo a um futuro livre de fumaça.
“Hoje, a indústria do tabaco representa 0,5% do PIB do país graças ao investimento e ao desenvolvimento da companhia”, afirma o executivo.
Em 2014, a PMI inaugurou sua fábrica em Crespellano, Bolonha, como parte de um investimento entre 1 bilhão e 1,5 bilhão de euros. O impacto total na economia italiana, segundo os dados fornecidos, foi de cerca de 10 bilhões de euros. Como complemento, a PMI assinou memorandos de entendimento com sindicatos e atores da indústria e do campo italianos com um investimento superior a 2 bilhões de euros.
Fábrica da Philip Morris em Bolonha
A fábrica da Philip Morris International em Bolonha, na Itália, é a mais importante da companhia em nível internacional. Para Hannappel, esse modelo poderia ser replicado na Argentina, que é o oitavo maior produtor e o sétimo maior exportador mundial de tabaco. (A empresa também está no Brasil, que é o segundo maior produtor global de tabaco e maior exportador. Em 2024 foram 455 ,2 toneladas por US$ 2,9 bilhões, para 113 países, incluindo a Argentina)
Nesse país, a atividade primária se concentra em sete províncias do norte (Jujuy, Salta, Misiones, Tucumán, Chaco, Corrientes e Catamarca), enquanto o setor industrial está localizado principalmente na província de Buenos Aires.
Toda a cadeia de valor gera mais de 1 milhão de empregos diretos e indiretos, e o setor é formado por uma rede de mais de 150.000 pequenas e médias empresas. Por sua vez, a venda de cigarros tem uma carga tributária em torno de 80% do preço final e está sujeita a cinco impostos. O complexo ainda exporta cerca de US$ 300 milhões. O dado que a PMI acrescenta: dos 95 países onde o IQOS é comercializado, em 89 deles o produto é fabricado com tabaco argentino.
Além do impacto econômico do setor, a Argentina tem 7 milhões de adultos fumantes de cigarros ou tabaco para enrolar. Em março de 2023, o Ministério da Saúde do governo de Alberto Fernández, por meio de uma resolução, emitiu uma proibição dos produtos de tabaco aquecido, tanto dos dispositivos eletrônicos quanto dos consumíveis utilizados junto a eles. “Acreditamos que esse tipo de decisão precisa ser revista. Hoje temos os produtos, temos a ciência que os respalda, mas ainda há muito a fazer para colocar fim aos cigarros”, dizem representantes da companhia.
Por exemplo, entre os benchmarks internacionais, em abril de 2019 a FDA dos Estados Unidos autorizou a comercialização do IQOS. Em 7 de julho de 2020, emitiu decisões sobre solicitações de produtos de tabaco de risco modificado (MRTP) para o IQOS e três variantes dos HeatSticks (o sistema de aquecimento de tabaco do IQOS), apresentados pela PMI em dezembro de 2016.
Outro exemplo é o Reino Unido, onde a agência de saúde concluiu que: “Em comparação com os cigarros, os produtos de tabaco aquecido têm o potencial de expor os usuários a menores níveis de substâncias químicas nocivas e potencialmente nocivas”.
Philip Morris na vizinhança
Mais perto, no Paraguai, a Lei Nº 5538 de 2015 estabelece as medidas sanitárias de proteção contra o tabagismo, regulando publicidade, comercialização e advertências sanitárias. Os produtos de tabaco aquecido estão regulamentados por essa norma. No Chile, a nova lei incorpora a categoria de produtos de tabaco aquecido e cigarros eletrônicos dentro da regulamentação vigente para produtos de tabaco. No México e na Colômbia, por exemplo, o IQOS é comercializado.
A Philip Morris Argentina emprega mais de 2.000 pessoas no país e opera duas plantas: uma de processamento de tabaco em Salta e outra de fabricação de cigarros em Merlo, na província de Buenos Aires. Segundo a companhia, esta é a planta que poderia ser reconvertida — com a chegada de um investimento “que poderia superar os US$ 500 milhões” — caso fosse suspensa a proibição da comercialização desses produtos.
Hannappel afirma: “Estamos prontos para investir na Argentina. Esta é uma oportunidade única, que vai além do governo atual, e hoje depende da regulamentação. Não pedimos que esses produtos sejam desregulamentados, mas que sejam tributados e submetidos às mesmas normas que os cigarros, e que possam ser comercializados. Queremos regulamentação e queremos pagar impostos. A Argentina tem tudo para se tornar a nova Itália.” No Brasil, o IQOS (e outros dispositivos eletrônicos para fumar) não é regulamentado e a sua comercialização, importação e propaganda são proibidas pela Anvisa desde 2009 e reafirmada recentemente.