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Vendas da LVMH Caem, Mas Superam Previsões Pessimistas do Mercado

Com três fábricas nos Estados Unidos, empresa quer abrir mais uma no Texas para lidar com as tarifas

4 min

A LVMH registrou queda nas vendas no primeiro semestre de 2025, mas superou as previsões pessimistas para o mercado de luxo. Apesar da desaceleração, o conglomerado liderado pelo bilionário Bernard Arnault anunciou planos para abrir uma segunda fábrica no Texas — onde a empresa já tem uma — em meio às preocupações sobre como o setor de luxo vai lidar com as tarifas impostas pelo presidente americano, Donald Trump.

No entanto, segundo reportagens, a unidade texana é uma das que apresentam pior desempenho dentro do grupo Louis Vuitton. Em 2019, o presidente americano participou da inauguração da fábrica do Texas, com a promessa de que ela geraria mil empregos em cinco anos. Porém, fontes indicam que o número de funcionários pode estar abaixo de 300. A LVMH recebeu uma série de incentivos fiscais do condado de Johnson, onde a fábrica está localizada, incluindo um corte de 75% no imposto predial por dez anos, o que deve representar uma economia estimada de US$ 29 milhões (R$ 160,7 milhões) para a empresa. Atualmente, a LVMH mantém três fábricas nos Estados Unidos — além da que está no Texas, há duas na Califórnia.

Números

No segundo trimestre, a LVMH registrou US$ 22,95 bilhões (R$ 127,1 bilhões) em vendas, número que ficou dentro das expectativas dos analistas. Embora a previsão fosse de uma retração de 7,02% no crescimento das vendas, a receita caiu apenas 3% no período, superando os temores iniciais. A projeção é de que a empresa alcance US$ 26,06 bilhões (R$ 144,4 bilhões) em vendas no ano fiscal.

De acordo com a analista de ações da Morningstar, Jelena Sokolova, a leve desaceleração registrada no primeiro trimestre e a incerteza do mercado já indicavam que o cenário se manteria no período seguinte, sem sinais claros de recuperação ou de estabilização para as marcas de luxo.

A diretora financeira da empresa, Cécile Cabanis, afirmou que a divisão de vinhos e destilados está passando por um processo de reestruturação e que o grupo não espera crescimento significativo nesse segmento antes do segundo semestre de 2026.

As divisões de vinhos e destilados e de moda e artigos de couro sofreram uma queda de 7% na receita, influenciadas pela inflação persistente. Cabanis apontou a queda no turismo no Japão como uma das principais causas para a retração nas vendas de moda e couro. Apesar de a LVMH não ter comentado diretamente sobre as tarifas de Trump, a executiva destacou que o varejo seletivo — especialmente por meio da rede Sephora — ajudou a manter o desempenho no mercado americano.

Entre todas as divisões do grupo, a Moët Hennessy tem sido a mais afetada recentemente. Em 2024, registrou uma queda de 36% no lucro operacional e, em 2025, viu sua receita cair 9%. Em fevereiro deste ano, Alexandre Arnault, filho de Bernard Arnault, assumiu o comando da divisão com o objetivo de atrair consumidores mais jovens. Em maio, ele promoveu uma redução de 10% no quadro de funcionários. Sua nomeação veio após o sucesso na renovação de marcas como Tiffany e Rimowa, com campanhas de alto impacto e parcerias com celebridades.

Nos bastidores, uma polêmica envolvendo a Loro Piana, marca que tem se destacado recentemente com a tendência do “luxo silencioso”, chamou a atenção. A empresa foi colocada sob administração judicial na Itália por um ano, após denúncias de exploração de trabalhadores em sua cadeia de fornecimento. Relatórios apontam que funcionários eram obrigados a trabalhar até 90 horas por semana, sete dias por semana, recebendo menos de US$ 5,00 (R$ 27,70) por hora. Cabanis afirmou na quinta-feira (24) que a LVMH rompeu a relação com o fornecedor envolvido. O grupo comprou 80% da Loro Piana por US$ 2,57 bilhões (R$ 14,2 bilhões) em 2013.

Resiliência

Segundo estimativas da Forbes, Bernard Arnault, presidente e CEO da LVMH, e sua família possuem um patrimônio de US$ 146 bilhões (R$ 808,8 bilhões), o que o torna o homem mais rico da Europa e o oitavo mais rico do mundo, de acordo com os dados de quinta-feira.

O setor de luxo enfrentou uma desaceleração em 2024, em meio à perda de confiança dos consumidores, incertezas econômicas e mudanças nos padrões de consumo. Ainda assim, a LVMH manteve sua liderança no mercado global, com quase um quarto da participação de mercado no ano passado. Os investidores estão atentos ao desempenho da Ásia, que se tornou o principal motor de vendas e representou 37% da receita regional em 2024.

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