Desde que foi unificada, há quase 20 anos, a B3 reina absoluta como bolsa de valores no Brasil. Afinal, é a única a consolidar as operações de mercado financeiro do país. Esse reinado com ares de monopólio está prestes a mudar com a entrada de novas plataformas que prometem aumentar a concorrência já a partir de 2026 — entre elas a A5X, Base Exchange e a CSD, esta última, uma câmara de compensação estabelecida desde 2018 que, em maio deste ano, realizou a sua primeira liquidação.
Todas essas candidatas a tirar coroa da B3 trazem na bagagem investidores de peso, que incluem, entre outros, grifes como Citi, Morgan Stanley e UBS (caso da CSD); Mubadala Capital (Base); e Ideal (Itaú) e ABN Amro (A5X). Vendo tudo isso do retrovisor, a B3 percebeu que era hora de intensificar a sua agenda e lançou, nos nove meses deste 2025, 45% mais produtos do que havia lançado em todo o ano de 2024. E, até o final de dezembro, promete mais.
Fundada em 2017 como a conhecemos hoje, a B3 é fruto da fusão da BM&FBovespa (criada em 2008 na união de Bovespa com Bolsa de Mercadorias e Futuros) e Cetip. Essa fusão fez com que a B3 operasse como uma infraestrutura de mercado financeiro de classe mundial.
O discurso da bolsa oficial do Brasil é o de que a agenda já estava no cronograma, e não foi motivada pela perspectiva de aumento da concorrência. “Isso vai continuar sendo um movimento, assim como tem sido nos últimos anos da companhia: o de garantir que a gente está trazendo inovação, atendendo a demanda do cliente e contribuindo para o desenvolvimento do mercado”, afirma à Forbes André Milanez, VP Financeiro da B3.
Segundo os dados da companhia, em 2024 foram lançados 11 produtos, sendo 7 índices e 4 derivativos. Neste ano, foram 16, sendo 10 índices e 6 derivativos. E outros ainda estão no forno, incluindo derivativos do índice Vix (Opções e Contratos Futuros), em processo de aprovação na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e opções de bitcoin.
“A agenda foi muito intensa nos últimos meses. Nesse segundo semestre vai ser um pouco mais de trabalho para garantir que esses produtos ganhem tração e sejam bem utilizados pelos nossos clientes. Mas a agenda de continuar lançando produtos permanece”, diz o executivo.
Confira abaixo a relação de todos os produtos lançados em 2024 e os deste ano.
Lançamentos de 2024
Índices (7 produtos)
- S&P/B3 Ibovespa VIX;
- Ibovespa Smart High Beta B3;
- Ibovespa Smart Low Volatility B3;
- Ibovespa B3 BR+;
- Ibovespa B3 Estatais;
- Ibovespa B3 Empresas Privadas;
- Ibovespa B3 Equal Weight.
Derivativos (4 produtos)
- Futuro de Bitcoin;
- Futuro de Small Caps;
- Opções Semanais;
- Futuro de Café Conilon.
Lançamentos de 2025
Índices (1o produtos)
- de Debêntures AAA DI B3;
- Taxa de Debêntures AAA DI B3;
- Debêntures Incentivadas AAA IPCA B3;
- Taxa de Debêntures Incentivadas AAA IPCA B3;
- Debêntures Incentivadas Ultra Qualidade IPCA B3;
- Taxa de Debêntures Incentivadas Ultra Qualidade IPCA B3;
- Debêntures Ultra Qualidade DI B3;
- Taxa de Debêntures Ultra Qualidade DI B3;
- Bovespa BR+ Cap 5% B3;
- Bovespa BR+ Equal Weight B3.
Derivativos (6 produtos)
- Opções Semanais do Ibovespa B3;
- Contratos futuros de Ethereum e de Solana;
- Contrato Futuro de Ouro;
- Derivativos do Ibovespa B3 BR+ (Contrato Futuro, Opções Mensais e Opções Semanais);
- Opções Semanais sobre o Índice Small Cap;
- Três novos Contratos Futuros de Juros off-shore;
Lançamentos Esperados para 2025
- Derivativos do índice Vix (Opções e Contratos Futuros);
- Opções de Bitcoin.
Defendendo o front
Embora o fator concorrência pela perspectiva de enfrentar novos players não seja o motor da B3 turbinar esse movimento, na perspectiva da companhia, ele é, pelo menos, um posicionamento de quem quer se consolidar cada vez mais no mercado e manter a sua confortável posição de líder.
“Como eles tentam manter a vantagem competitiva? É lançando novos produtos e diversificando”, afirma Alexandre Albuquerque, analista sênior da Moody’s Ratings e responsável por olhar de perto os passos da companhia.
Albuquerque diz que o lançamento desses produtos, embora tenham sido colocados na prateleira este ano, são fruto de um trabalho prévio e com um olhar para no futuro, já mirando um cenário em que pudesse surgir novos competidores. “É uma resposta que veio já há alguns anos, com uma preparação para o que a gente vai começar a ver agora”, analisa.
Vale observar que entre os produtos lançados estão diversos ativos de renda fixa e crédito privado — dois segmentos que vêm recebendo aportes de investidores em detrimento de investimentos em renda variável direta, como ações.