Os números operacionais da Moura Dubeux no segundo trimestre de 2026 (2T26) mostraram pouco mais de R$ 1 bilhão lançado e pouco mais de R$ 1 bilhão em vendas – cifras que representam quedas no comparativo de base anual, mas ainda agradaram parte do sell-side.
Os analistas Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris, do BTG Pactual, destacam que os números da Moura Dubeux no 2T26 representam “indicadores operacionais sólidos” e estão em linha com as projeções da casa.
A visão da casa é de que a empresa continua com lançamentos em “forte desempenho”, especialmente no segmento de condomínios de média e alta renda.
“Os lançamentos foram bem vendidos, especialmente no segmento de condomínios. (…) Destacamos ainda que os lançamentos apresentaram sólido desempenho de vendas no trimestre (já 56% vendidos em média)”, diz o BTG Pactual.
Os analistas ainda frisam que a prévia operacional da companhia foi suportada por R$ 153 milhões em vendas de recebíveis relacionados a taxas de comercialização de terrenos.

“Esta foi a primeira transação desse tipo realizada pela empresa e, embora seja similar a operações comumente executadas por pares do segmento de baixa renda, ressaltamos que esses recebíveis são totalmente realizados, de curta duração e carregam baixos riscos de execução e inadimplência”, apontam.
“Acreditamos que essas vendas de recebíveis devem continuar no futuro e podem ajudar a empresa a registrar geração de caixa, ao mesmo tempo em que continua crescendo”, completam.
O BTG Pactual, assim, manteve recomendação de compra para as ações da Moura Dubeux, com preço-alvo de R$ 44.
Os papéis MDNE3 são negociados pouco abaixo de R$ 30 atualmente – ou seja, caso o target do BTG Pactual se concretize, implicaria em alta de cerca de 46%.
Em entrevista à Forbes no último mês, o CEO da companhia, Diego Villar, destacou que a expectativa da gestão é sustentar patamares elevados de rentabilidade nos resultados deste e do próximo ano, com números de lançamentos de alto padrão desacelerando e expansão das outras marcas do portfólio (Mood e Ún1ca).
Projeções do BTG para 2026
- Receita: R$ 2,779 bilhões
- EBITDA: R$ 619 milhões
- Margem EBITDA: 22,3%
- Lucro líquido: R$ 605 milhões
- Margem líquida: 21,8%
- Margem operacional: 21,6%
- EPS (lucro por ação): R$ 5,83
- DPS (dividendo por ação): R$ 2,12
- Dividend yield: 6,4%
- RoE (retorno sobre patrimônio): 26,2%
- RoIC: 25,6%
- EV/EBITDA: 5,1x
- P/E: 5,1x
- Dívida líquida: R$ 21 milhões (praticamente nula)
- Caixa e equivalentes: R$ 1,088 bilhão
BBA reforça otimismo
Na avaliação do Itaú BBA, os números também representam um “conjunto sólido”. A casa indica que as vendas líquidas do trimestre ficaram 27% acima das projeções, mostrando resiliência diante de um cenário macroeconômico mais desafiador.
Na geração de caixa, o analista Elvis Credendio, do BBA, adotou uma leitura mais criteriosa que o BTG, reconhecendo que os R$ 28 milhões de fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) foram um ponto positivo, mas destacou que, excluída a operação de antecipação de recebíveis de R$ 153 milhões, o consumo de caixa real teria sido de R$ 125 milhões, bem acima de sua estimativa de R$ 34 milhões.
O banco esclareceu que o motivo foi a aquisição de um terreno de alto padrão em Recife.
O BBA segue com recomendação outperform para os papéis da incorporadora, com preço-alvo de R$ 43, também representando um upside potencial da ordem de 40%.
“Continuamos confortáveis e acreditamos que há potencial de alta para nossas previsões de 2026 (R$ 5,5 bilhões em lançamentos para o ano). Continuamos a ver a Moura Dubeux como um veículo atraente para se estar exposto a uma tese resiliente no segmento habitacional de alta renda e alto beta. As ações estão sendo negociadas atualmente a múltiplos atrativos de 4,1 vezes em termos de preço sobre lucro (P/L) para 2027 e 1,3 vez em termos de preço sobre valor patrimonial por ação (P/VPA).”
Os números operacionais da Moura Dubeux no 2T26
Conforme documento arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na véspera, a empresa encerrou o segundo trimestre de 2026 com seis projetos lançados no período, com Valor Geral de Vendas (VGV) Bruto de R$ 1,039 bilhão e VGV Líquido de R$ 1,012 bilhão.
No acumulado do primeiro semestre, os lançamentos chegaram a R$ 2,489 bilhões em VGV Bruto e R$ 2,321 bilhões em VGV Líquido, representando um incremento de 2,5% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
As vendas líquidas totalizaram R$ 1,015 bilhão no trimestre, recuo de 14,9% na comparação anual e de 1,8% em relação ao 1T26, números em linha com as expectativas do mercado. No acumulado do semestre, as vendas líquidas somaram R$ 2,050 bilhões, crescimento de 17,5% sobre o 1S25.
Entre abril e junho deste ano, os lançamentos se concentraram em Salvador e Fortaleza, com destaque para a marca Beach Class, responsável por R$ 601 milhões (59% do VGV líquido lançado no trimestre).
O empreendimento Cyano, de alto padrão, em Salvador, foi o destaque individual. Lançado em maio com apenas 68 unidades e VGV de R$ 186 milhões, já estava 90% vendido até o fim de junho.
O segmento de baixa renda, via marca Ún1ca, está engrenando, mas em velocidade menor. Os dois projetos lançados – Ún1ca Benfica, em Fortaleza, e Ún1ca Veredas, em Natal – somaram R$ 110 milhões em VGV líquido e registraram velocidade de vendas de apenas 10% e 11%, respectivamente.
Na parte financeira, a geração de caixa livre foi positiva em R$ 28,2 milhões no trimestre, ante consumo de R$ 122,4 milhões registrado nos primeiros três meses deste ano. Esse resultado foi alavancado pela operação de antecipação dos recebíveis.
Proventos para quem tem MDNE3 na carteira
Como evento subsequente ao fechamento do trimestre, a Moura Dubeux comunicou o pagamento das 3ª e 4ª parcelas dos dividendos declarados em dezembro de 2025.
O montante total a ser distribuído aos acionistas é de R$ 100 milhões, correspondendo a R$ 1,18367018554 por ação ordinária, com base na posição acionária de 30 de dezembro de 2025. Ou seja, quem comprou os papéis neste ano não possui direito aos proventos.
O pagamento será realizado em 14 de julho de 2026.
O anúncio se alinha à projeção do BTG Pactual de dividend yield crescente, com o dividendo por ação estimado em R$ 2,12 para o ano cheio de 2026.
Cotação das ações
As ações da Moura Dubeux são negociadas a R$ 29,97 na bolsa de valores, com alta de 16% nos últimos 30 dias. Em 12 meses, os papéis sobem 24%.