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Por que a Geração Z quer Criptomoedas de Natal

Estudo da Visa mostra que 64% dos consumidores brasileiros ficariam animados em receber criptomoedas como presente, bem acima da média de 38% de consumidores globais

4 min

A cartinha para o Papai Noel está diferente. Um estudo da Visa aponta que as criptomoedas passaram a fazer parte da lista de presentes de Natal dos brasileiros: 64% das pessoas ouvidas responderam que ficariam animadas caso recebessem criptomoedas como presente de Natal. Na América Latina, o percentual cai para 57% e, globalmente, diminui para 38%. Uma parte dos brasileiros disseram ainda que consideram dar criptomoedas de presente neste fim de ano (10%).

Entre os entusiastas de criptomoedas como presente de Natal, representantes da Geração Z, que têm hoje entre 16 anos e 28 anos, são maioria: nos EUA, quase metade dos adultos da geração Z afirmaram que ficariam animados em receber criptomoedas como presente. No Brasil, o cenário não deve ser muito diferente.

Dados da pesquisa Raio-X do Investidor, feita pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) apontam que representantes da Geração Z já correspondem a 57% dos investidores de moedas digitais. A geração é seguida pelos Millenials (30%), que têm hoje entre 29 e 43 anos.

Mas por que a geração Z se anima tanto em ganhar criptomoedas? Uma das explicações é sua característica de nativa digital. “Essa geração se acostumou desde cedo a usar apps e serviços digitais. O fato de as criptomoedas e seu processo de compra ser digital aproxima naturalmente essa geração”, diz Claudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Finanças da FGV (FGV-Cef).

A segunda razão é que as principais criptomoedas (bitcoin e ethereum) registram muito sobe e desce de preços. Jovens costumam ser atraídos por risco, complementa Yoshinaga. “O pensamento é: vou comprar, porque talvez passe a valer US$ 1 milhão de no futuro. Eles se percebem como alguém que tem tempo para esperar e ver se vai dar certo”. Colabora com isso o fato de que a geração ainda não levou um grande tombo nos investimentos. “Com exceção da Covid, ela não passou por nenhuma grande crise. Isso aumenta o seu apetite”.

Uma parte dos jovens da Geração Z podem ainda morar com os pais, e um eventual prejuízo com a aplicação não o compromete tanto. “Esses jovens apostam que o ativo tem potencial de alta, e se der errado não tem tanto problema assim, pois seu comprometimento financeiro ainda não é tão alto”, conclui a coordenadora do FGV-Cef.

Por fim, as redes sociais também tem sua parcela de influência neste panorama geracional. “A população jovem é encantada pela narrativa de que alguém ficou milionário ao apostar em criptomoedas”.

O desejo de consumo natalino não é ruim, conclui Yoshinaga: mostra que a geração mais jovem está querendo guardar dinheiro. “É uma oportunidade para os pais incentivarem a educação financeira”. Lembrando que as criptomoedas devem ser apenas parte de um portfólio de investimentos, e a aplicação deve se concentrar em objetivos de médio e longo prazo, dado sua alta volatilidade.

Compra aspiracional

Na prática, não é a geração Z que está à frente das transações em corretoras, o que mostra que o desejo natalino ainda é, em parte, aspiracional. Ao menos é o que mostra a Mercado Bitcoin.

Adultos entre 16 e 28 anos representam 25% dos clientes da corretora, contra 49% dos Millenials. O porcentual da geração Z no negócio é semelhante ao da geração X (21%).

A geração Z apresenta um perfil mais conservador e em estágio inicial: movimenta menos dinheiro, tem menor diversificação e ticket médio inferior, típico de quem está começando no mundo financeiro. Como resultado, o tíquete médio desses clientes é de R$ 4 mil, enquanto o dos millenials sobe para R$ 18 mil.

Fabrício Tota, VP de negócios cripto da Mercado Bitcoin, tem um conselho para quem deseja pedir criptomoedas de Natal. “Uma estratégia mais vencedora é aplicar não apenas no fim do ano, mas ao longo do ano. Dessa forma, é possível fazer um preço médio, já que as criptomoedas são muito voláteis e é muito difícil acertar a hora certa de entrar”.

Universo ainda pequeno

Apesar da geração Z ter a maior proporção de investimento em ativos digitais entre as gerações, é bom lembrar que estamos falando de um número baixo: apenas 4% dos brasileiros aplicam dinheiro em criptomoedas, segundo dados da Anbima. Na geração Z, o porcentual aumenta para 9%.

Além de ativos digitais, a carteira da geração Z ainda é composta por poupança (12%), fundos de investimento (9%), títulos privados (8%), ações (5%), títulos públicos (3%), previdência privada (2%) e moedas estrangeiras (2%).

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