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Em Assunção, Acordo Mercosul-UE Sai do Papel e Sela Novo Capítulo do Comércio Internacional

Texto segue para aprovação no Parlamento Europeu e congressos do Mercosul com foco em abertura de mercados

5 min

O Mercosul e a União Europeia assinaram neste sábado (17), em Assunção, a capital paraguaia, o acordo para criar o maior bloco comercial do mundo após 26 anos de negociações.

“Estamos criando a maior área de livre comércio do mundo”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, antes da assinatura. “Este acordo envia uma mensagem muito clara ao mundo. Ele reflete uma escolha clara e deliberada. Preferimos o comércio justo às tarifas”.

“Preferimos uma parceria produtiva e de longo prazo ao isolamento. E, acima de tudo, pretendemos oferecer benefícios reais e tangíveis aos nossos cidadãos e às nossas empresas”, acrescentou.

O evento contou com a presença dos presidentes da Argentina, Paraguai e Uruguai, além dos presidentes da Bolívia – em processo de adesão ao Mercosul – e do Panamá, que participou como convidado.

Por questões de agenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não viajarou ao Paraguai. E o Brasil foi representado na cerimônia de assinatura pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

O acordo, que tem sido altamente polêmico na Europa, deve agora obter a aprovação do Parlamento Europeu. Ele também deve ser ratificado pelos congressos dos países membros do Mercosul, no que se espera que seja um processo mais tranquilo.

Histórico e impacto

O acordo de livre comércio com potencial de integrar um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas (450 milhões na UE e cerca de 295 milhões no Mercosul).

Protocolar, a assinatura do acordo comercial formaliza o fim da fase de tratativas técnicas e políticas iniciadas em junho de 1999, quando as partes começaram a negociar seus termos. O texto estabelece a gradual eliminação de tarifas de importação para mais de 90% do comércio bilateral, envolvendo bens industriais (máquinas, ferramentas, automóveis e outros produtos e equipamentos) e produtos agrícolas.

Após a assinatura, o texto será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul.

A entrada em vigor da parte comercial do acordo depende da aprovação legislativa, com previsão de implementação gradual ao longo dos próximos anos. De qualquer forma, a expectativa é que o tratado seja implementado gradualmente e que seus efeitos práticos demorem algum tempo para começar a ser sentidos, estabelecendo a maior zona de livre comércio do mundo.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que a implementação do acordo pode incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões e ampliar a diversificação das vendas internacionais brasileiras, beneficiando inclusive à indústria nacional.

Confira os principais pontos do acordo

  • 1. Eliminação de tarifas alfandegárias

    • Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;
    • Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;
    • União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.
  • 2. Ganhos imediatos para a indústria

    • Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais.
    • Setores beneficiados:
      • Máquinas e equipamentos;
      • Automóveis e autopeças;
      • Produtos químicos;
      • Aeronaves e equipamentos de transporte.
  • 3. Acesso ampliado ao mercado europeu

    • Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;
    • UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões;
    • Comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.
  • 4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis

    • Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;
    • Acima dessas cotas, é cobrada tarifa;
    • Cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições;
    • Mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus;
    • Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil;
    • No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.
  • 5. Salvaguardas agrícolas

    • UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:
      • Importações crescerem acima de limites definidos;
      • Preços ficarem muito abaixo do mercado europeu;
    • Medida vale para cadeias consideradas sensíveis.
  • 6. Compromissos ambientais obrigatórios

    • Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal;
    • Cláusulas ambientais são vinculantes;
    • Possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.
  • 7. Regras sanitárias continuam rigorosas

    • UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários.
    • Produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.
  • 8. Comércio de serviços e investimentos

    • Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.
    • Avanços em setores como:
      • Serviços financeiros;
      • Telecomunicações;
      • Transporte;
      • Serviços empresariais.
  • 9. Compras públicas

    • Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE;
    • Regras mais transparentes e previsíveis.
  • 10. Proteção à propriedade intelectual

    • Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;
    • Regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.
  • 11. Pequenas e médias empresas (PMEs)

    • Capítulo específico para PMEs;
    • Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação;
    • Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.
  • 12. Impacto para o Brasil

    • Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria;
    • Maior integração a cadeias globais de valor;
    • Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.
  • 13. Próximos passos

    • Aprovação pelo Parlamento Europeu;
    • Ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai;
    • Entrada em vigor apenas após conclusão de todos os trâmites;
    • Acordos que extrapolam política comercial precisam ser aprovados pelos parlamentos de cada país.

Com informações de Reuters e Agência Brasil.

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