O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou e subiu 0,33% em dezembro, após alta de 0,18% no mês anterior, informou o IBGE nesta sexta-feira, 9. O valor ficou praticamente em linha com as expectativas de analistas, que esperavam alta de 0,35%. No acumulado de 12 meses até dezembro, o IPCA teve alta de 4,26% e ficou dentro da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional, e abaixo do valor de 2024 (4,83%).
O resultado é benigno para a política monetária do BC, mas ainda é um número distante da meta de 3%, observa Julio Barros, economista do Daycoval.
Houve forte pressão na inflação de serviços no último mês do ano passado, que registrou alta de 0,70%, com destaque para a alta de 12,6% nos preços das passagens aéreas. Já os produtos industriais subiram 0,48%, puxados por artigos de vestuário e de residência.
Por outro lado, alimentação no domicílio e preços administrados contribuíram para manter a inflação relativamente baixa. O primeiro grupo subiu apenas 0,14% e o segundo caiu 0,22%. Aqui, destaque para a queda nos preços de energia elétrica (-2,4%), em função da mudança da bandeira tarifária para amarela em dezembro.
No ano, destaque para o avanço mais modesto dos grupos de alimentação no domicílio e de bens industrializados (que ajudam a explicar a desaceleração da inflação na comparação anual); a queda das commodities e a valorização do real explicam o arrefecimento dos grupos acima.
Já serviços e preços monitorados tiveram avanço na comparação anual; em serviços, destaque para alta mais forte da passagem aérea (-22,22% em 2024 e +7,86% em 2025) e para a resistência da inflação subjacente de serviços, que exclui oscilações temporárias (5,84% em 2024 e 5,88% em 2025%); os preços administrados foram pressionados pela energia elétrica (-0,37% em 2024 e +12,33 em 2025).
No geral, o indicador não muda a análise sobre o quadro inflacionário, que segue com a inflação de serviços pressionada e a de bens sob controle, aponta Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG. “Assim, o BC segue correto ao indicar um patamar de juros significativamente contracionista por um período prolongado. Acreditamos que o ciclo de queda dos juros deverá começar apenas em março.”
Para 2026, Leonardo Costa, economista do ASA, revisou sua projeção do IPCA de 4,2 para 4%, com expectativa de arrefecimento na inflação de serviços e alta mais contida nos demais preços livres.