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Selic Estável, Mas Corte no Horizonte: o Que Pensa o Mercado sobre a Decisão do Copom

Confira o que o mercado espera dos próximos passos do Copom

5 min

O Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa de juros básica brasileira em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva ontem (28). O resultado já era esperado pelo mercado, mas o comunicado foi a grande estrela da noite.

É que o colegiado chefiado por Gabriel Galípolo mudou de postura. Se antes os diretores do Copom evitavam abrir margem para especulações de curto prazo com relação à trajetória da curva de juros, agora a história é diferente: com a inflação se acomodando no topo do teto da meta e perspectivas de que o câmbio ajude a controlar as pressões inflacionárias abriram a porta para que o BC deixasse claro que um corte virá na próxima reunião (se nenhuma pressão contrária atrapalhar o plano de ação).

O mercado, que no último boletim Focus projetou uma Selic de 12,15% ao fim do ano, repercute de forma positiva a decisão. A curva de juros curtos opera em queda nesta quinta-feira (29), enquanto a bolsa volta a renovar recordes.

Enquanto parte das casas de análise e banco de investimentos celebram, outros levantam dúvidas sobre o quanto a sinalização prévia pode atrapalhar o processo de reancoragem de expectativas de inflação. As análises mais aprofundadas sobre o tema devem esperar a divulgação da ata da reunião, que trará maiores detalhes sobre o racional por trás da estratégia

Confira um compilado de rebalanceamento de perspectivas após a decisão:

Itaú BBA:

“Ao flexibilizar, o comitê observa que, para assegurar a convergência à meta, a política monetária seguirá em um grau adequado de restritividade. O comunicado indica que o compromisso do Copom com a meta requer serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, e dependerá do grau de confiança que seus membros desenvolverem em relação à convergência.

Por ora, esperamos um corte de 25 p.b. na próxima reunião de política monetária. Aguardaremos a divulgação da ata para reavaliar nossa projeção. Ainda assim, não esperamos um ciclo muito maior que 225 p.b., levando a taxa básica a 12,75% a.a. este ano.

XP Investimentos:

“Iniciar cortes de juros em março é compatível com o cumprimento da meta de inflação no horizonte relevante.

A decisão e a comunicação vieram muito próximas do que esperávamos. Assim, mantemos a avaliação de que o Copom iniciará o ciclo de flexibilização monetária em março, com uma pausa na segunda metade do ano para reavaliar o cenário.

Projetamos cinco cortes consecutivos de 0,50 p.p., levando a Selic a 12,50%. Em termos reais, a taxa básica ficaria em torno de 8,0%, ainda acima do que consideramos a taxa neutra, refletindo os desafios fiscais esperados para o próximo mandato presidencial”.

ASA:

“O Banco Central surpreendeu em já indicar o início do ciclo de corte de juros para a próxima reunião, contudo, com tom ainda altamente cauteloso.

Projetamos um primeiro corte de 25 bps em março, com risco (ainda que menor) de um movimento mais intenso, de 50 bps. Os dados de inflação, mercado de trabalho, além dos demais dados da atividade doméstica, serão relevantes para definir o ritmo de cortes para março. Para o fim de 2026, estimamos a Selic em 12,5%, compatível com o tom cauteloso que tem marcado os comunicados recentes do Copom”.

Banco Daycoval:

“Ainda que o início do ciclo em março já fosse o nosso cenário base, entendemos que a adoção de sinalização prévia em ambiente de elevada incerteza pode atrapalhar o processo de reancoragem das expectativas de inflação.

[…] Fica ainda mais confuso sugerir o início do ciclo de cortes quando a avaliação do próprio comitê ainda é a de que “o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”

O entendimento de que “em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros” vai na direção correta, mas não parece justificar a adoção de sinalização prévia para o início dos cortes. Vale destacar que grande parte dessa inflação menor ocorreu através da taxa de câmbio mais comportada, porém a parte mais sensível ao ciclo econômico como os serviços subjacentes se mantém elevada. Além disso, o risco é que a parte da melhora na ancoragem das expectativas de inflação, em especial dos prazos mais longos, relacionada com o comportamento firme do BC, seja interrompida.

Sicredi:

“A clara sinalização de início de cortes na próxima reunião surpreendeu, mas no bom sentido. Em nossa avaliação, além de convergir para a atual expectativa do mercado, a sinalização também deixa explícito que o início do ciclo de cortes trata-se de uma calibração do nível, e não de uma intenção de levar a Selic para um nível estimulativo.

A discussão agora passa a ser o ritmo inicial do ciclo de cortes: 0,25 p.p., conforme nosso cenário, ou 0,50 p.p.. Sua comunicação, no entanto, ressaltou que o comitê agirá com “serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo”, o que nos leva a esperar um ritmo mais lento. Por ora, vemos que a comunicação converge para nossa projeção de Selic em 12,50% a.a. ao final de 2026″.

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