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Nubank Lidera Movimento de Fim do Isolamento Bancário nos EUA

Banco alcançou um marco histórico no dia 29 de janeiro ao receber aprovação condicional para operar como banco no país

5 min

A era do isolamento bancário nos Estados Unidos está chegando ao fim, à medida que fintechs globais gigantes passam a direcionar seu foco para o maior mercado de finanças de varejo do mundo.

Liderando esse movimento está o Nubank, com sede no Brasil, que alcançou um marco histórico em 29 de janeiro de 2026 ao receber aprovação condicional para uma carta bancária nacional do Office of the Comptroller of the Currency (OCC).

A iniciativa espelha a estratégia da Revolut, sediada em Londres, que recentemente abandonou planos de aquisição para buscar uma licença independente, com o objetivo de construir uma operação própria nos EUA.

Essa mudança sinaliza uma transformação no perímetro regulatório federal, à medida que participantes internacionais deixam de ser interfaces digitais e passam a se tornar instituições financeiras reguladas nos Estados Unidos.

Com a aceleração da convergência entre tecnologia e finanças tradicionais, o território americano começa a se consolidar como o próximo campo de batalha da elite digital global.

Pedigree bilionário do gigante brasileiro

Fundado em 2013 e com sede em São Paulo, o Nubank se transformou em uma das maiores plataformas financeiras digitais do mundo, atendendo mais de 127 milhões de clientes.

A empresa inicialmente revolucionou o mercado latino-americano ao oferecer cartões de crédito sem tarifas e contas de poupança com rendimento elevado a milhões de pessoas desbancarizadas no Brasil, no México e na Colômbia. Sua rápida expansão é um reflexo do modelo centrado no digital, que permitiu à fintech substituir instituições tradicionais mantendo elevados níveis de engajamento dos usuários.

O desempenho financeiro acompanhou esse crescimento da base de clientes. No nível da holding, o Nubank reportou uma receita de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,8 bilhões) no terceiro trimestre de 2025, o que representa um avanço de 39% na comparação anual.

Com uma avaliação expressiva e uma equipe de liderança experiente, comandada pela cofundadora Cristina Junqueira, a companhia entra no mercado americano como uma concorrente lucrativa e testada, e não como uma startup especulativa.

Entrada em campo

A chegada do Nubank estabelece um novo padrão de sobrevivência em um mercado global cada vez mais disputado. A empresa é hoje uma de mais de dez candidatas digitais com pedidos em análise junto aos reguladores federais, buscando capitalizar o impulso internacional conquistado nos últimos anos.

Esse aumento no interesse reflete uma tendência de fintechs do Reino Unido e da América do Sul que passam a mirar os Estados Unidos à medida que o ritmo de crescimento desacelera em seus mercados de origem.

Ao garantir sua própria carta bancária, o Nubank consegue contornar o modelo tradicional de intermediação, que depende de bancos parceiros americanos. Isso permite à companhia financiar empréstimos com seus próprios depósitos e originá-los diretamente em seu balanço.

A mudança elimina a necessidade de parcerias bancárias onerosas e proporciona uma experiência mais eficiente e direta para os consumidores.

A escolha

Em vez de adquirir um banco comunitário existente para herdar uma licença, o Nubank optou por construir sua operação nos Estados Unidos do zero.

Esse caminho é complexo e envolve diversas de aprovações do Gabinete Controlador de Moeda (OCC), da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) e do Federal Reserve. Embora, até recentemente, muitas companhias buscassem aquisições como um atalho, a complexidade desses processos levou os executivos a priorizarem estratégias independentes.

A abordagem possibilita um modelo exclusivamente digital, ajustado às necessidades do consumidor contemporâneo, sem os custos associados a agências físicas.

Ao seguir esse caminho, a fintech busca evitar restrições operacionais e eventuais obrigações de manter estruturas presenciais, comuns em fusões bancárias tradicionais. Com isso, preserva a agilidade que impulsionou seu crescimento na América do Sul.

Vitrine regulatória

A transição não será imediata, já que a empresa precisa atravessar uma fase inicial de mobilização. Durante esse período, que pode durar até 12 meses, a instituição é considerada um banco apenas no papel e ainda não pode captar depósitos do público em geral.

Esse tempo é utilizado para desenvolver a infraestrutura tecnológica, contratar equipes e finalizar protocolos de segurança exigidos pelos padrões federais. Além disso, o banco precisa operar sob intensa supervisão por um período que pode variar de três a sete anos.

Durante essa fase probatória, os reguladores devem aprovar previamente cada lançamento relevante de produto e cada contratação de executivos seniores.

Esse aumento do interesse estrangeiro vem sendo impulsionado por uma postura regulatória mais permissiva por parte do OCC. Apenas em 2025, o órgão recebeu 14 pedidos, número que quase iguala o total acumulado dos quatro anos anteriores.

Após uma reestruturação interna, o OCC tem demonstrado uma posição mais aberta a candidatas digitais e ligadas a criptoativos, incluindo empresas como Circle e Ripple.

Para companhias como Nubank e Revolut, a carta bancária vai além de um símbolo de prestígio: trata-se de uma estratégia de preparação para o futuro. Ela garante acesso direto às infraestruturas federais de pagamentos e a fontes de financiamento de baixo custo por meio de depósitos segurados.

À medida que os reguladores abrem espaço, a era em que fintechs atuavam apenas como interfaces de bancos tradicionais se aproxima rapidamente do fim.

*Matéria originalmente publicada em Forbes.com

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