Estudo do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) mostra que os estados arrecadaram R$ 90,86 bilhões em 2025, com o IPVA, a sigla para Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores. Cobrado anualmente o tributo incide sobre carros, motos, caminhões, ônibus e outros automóveis que têm registro em território nacional. O país encerrou 2025 com uma frota de 129,1 milhões de veículos em circulação.
Desse montante bilionário de arrecadação, um terço vem dos contribuintes paulistas. O estudo mostra que São Paulo continua liderando a arrecadação nacional de IPVA, com R$ 30,4 bilhões em 2025. Minas Gerais aparece na sequência, com R$ 11,9 bilhões, seguido por Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Na proporção de veículos por habitante, Santa Catarina lidera, com índice de 0,82, seguido por Paraná (0,81) e São Paulo (0,77). Quando o cálculo leva em conta a arrecadação proporcional à população, Distrito Federal e São Paulo aparecem praticamente empatados na liderança nacional, com pouco mais de R$ 660 de IPVA por habitante. Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina vêm logo atrás.
O peso do tributo ajuda a explicar sua relevância crescente nas contas públicas estaduais. “Os números revelam que a arrecadação desse imposto sobre veículos é muito importante para os estados brasileiros, já que, em termos de valores totais, no ano, só ficam abaixo do ICMS. Também é de fácil identificação e cobrança”, diz João Eloi Olenike, presidente-executivo do IBPT.
Guerra fiscal do IPVA
O levantamento aponta as diferenças nas alíquotas cobradas e na política de reajuste. Entre 2024 e 2025, Bahia, Maranhão, Amazonas e Acre registraram os maiores crescimentos reais de arrecadação com o IPVA.
Os números e o crescimento desigual na arrecadação indicam que as diferenças já estão influenciando o comportamento de empresas com grandes frotas, que passaram a buscar locais com tributação menor para registrar veículos. Na avaliação do presidente do IBPT, o cenário já pode ser comparado ao que aconteceu historicamente com o ICMS, em que estados passaram a competir para atrair empresas e arrecadação.
Segundo ele, o movimento acontece principalmente entre empresas de logística, locadoras e companhias com muitos veículos no ativo fixo. “Na prática, as empresas que detêm grande frota de veículos, através de um planejamento tributário, podem migrar esses bens para estados próximos, que tenham alíquota menor desse tributo, levando-se em conta, sempre, o custo-benefício das operações necessárias”, diz.
“Isso é considerado como uma ‘guerra fiscal’, perfeitamente legal, entre as unidades da federação, que utilizam alíquotas mais baixas para esse tributo, visando a atração de investimentos e consequentemente aumento na arrecadação”, diz.
As alíquotas mais baixas são as mais procuradas. Mas isso depende muito da posição geográfica de cada estado. “Por exemplo, Rio Grande do Sul com Santa Catarina, São Paulo com o Paraná”, afirma João Eloi Olenike, presidente-executivo do IBPT.