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Anthropic, OpenAi e Nvidia: Quem Vai Controlar a Infraestrutura da Inteligência Artificial?

Próximos IPOs bilionários e a corrida por capacidade computacional colocam três líderes no centro da próxima fase da economia da IA

8 min

A próxima fase da inteligência artificial pode depender menos da evolução dos modelos e mais de quem controla a infraestrutura necessária para treiná-los e operá-los. Enquanto Anthropic e OpenAI disputam a liderança no desenvolvimento de sistemas avançados de IA, a Nvidia domina o fornecimento dos chips que sustentam essa expansão.

Analistas de Wall Street revisaram suas expectativas para o setor à medida que Anthropic e OpenAI avançam rumo a possíveis ofertas públicas iniciais (IPOs) e a Nvidia amplia sua vantagem após ultrapassar US$ 5 trilhões em valor de mercado. Segundo Drew Bernstein, colaborador da Forbes, o acesso à capacidade computacional necessária para construir e operar sistemas avançados de IA está moldando a forma como Washington, Wall Street e a indústria global de tecnologia enxergam quem controlará a próxima era da computação.

Os investidores acompanham especialmente três executivos cujas decisões influenciam cada vez mais o setor: Dario Amodei, CEO da Anthropic; Sam Altman, CEO da OpenAI; e Jensen Huang, CEO da Nvidia. As posições dos três sobre capacidade computacional, cadeias globais de suprimentos e parcerias estratégicas frequentemente divergem.

Bernstein cita o confronto público entre Amodei e Huang sobre a política de exportação de chips para a China. Cada um chegou a classificar a posição do outro como “louca” ou “estúpida”. Altman, por sua vez, adotou uma posição intermediária, defendendo controles de exportação ao mesmo tempo em que pressiona por investimentos capazes de manter a OpenAI na liderança tecnológica.

Para especialistas ouvidos pela Forbes, esse tipo de tensão estratégica ajudará a determinar a próxima fase da economia, em um cenário em que rivalidades e dependências cruzadas passam a definir quem liderará o setor.

Anthropic cresce e se aproxima de um IPO

A demanda pelas ferramentas corporativas de IA da Anthropic está impulsionando a avaliação da empresa para a casa das centenas de bilhões de dólares, tornando uma oferta pública inicial cada vez mais provável, possivelmente já em outubro, segundo Peter Cohan, colaborador da Forbes.

Sob a liderança de Dario Amodei, a empresa posicionou o Claude como um sistema focado em estabilidade e segurança. Para Cohan, essa estratégia está apoiada na rápida adoção da ferramenta por empresas, fortalecendo a avaliação da Anthropic e aumentando a pressão para provar que seu crescimento pode ser sustentado no longo prazo.

As divulgações financeiras da companhia mostram receita anualizada de US$ 1,4 bilhão e mais de 500 clientes gastando ao menos US$ 1 milhão por ano. O crescimento ajudou a viabilizar uma rodada Série G de US$ 30 bilhões, a segunda maior captação privada da história do setor de tecnologia, atrás apenas dos US$ 40 bilhões levantados pela OpenAI no ano passado.

Segundo Jon Markman, colaborador da Forbes, “se você está tentando descobrir para onde o dinheiro da IA realmente está indo, este é um bom lugar para começar”.

A possível abertura de capital da Anthropic já é considerada uma das ofertas mais importantes da década para o setor de inteligência artificial e deve obrigar investidores a avaliar os custos e a sustentabilidade econômica do desenvolvimento de modelos de fronteira.

OpenAI enfrenta os mesmos gargalos

A OpenAI continua sendo a principal referência do setor. Sob o comando de Sam Altman, a empresa adotou uma estratégia de dois eixos: acelerar o lançamento de novas versões do GPT e aprofundar a integração de sua tecnologia com a infraestrutura de nuvem da Microsoft.

A parceria garante acesso privilegiado aos grandes centros de dados da Azure, mas também vincula parte do crescimento da OpenAI aos planos de investimento e aos riscos regulatórios da Microsoft.

Markman observa que a decisão da Microsoft de encerrar licenças do Claude Code ocorreu depois que os custos internos de uso ultrapassaram o orçamento anual destinado à inteligência artificial meses antes do previsto, um sinal de que mesmo os modelos mais avançados enfrentam restrições econômicas.

A OpenAI também enfrenta os mesmos desafios estruturais da Anthropic. O acesso a hardware de alto desempenho continua desigual, os custos de treinamento seguem crescendo e governos estão impondo regras mais rígidas sobre onde chips avançados podem ser utilizados.

Analistas esperam que os próximos modelos da empresa exijam volumes ainda maiores de capacidade computacional, ampliando os gargalos já enfrentados pelo setor. Uma eventual abertura de capital também daria ao mercado a primeira visão detalhada dos custos de hardware da companhia.

Jensen Huang transforma a Nvidia no centro da infraestrutura global

Se Amodei e Altman representam a demanda por inteligência artificial, Jensen Huang representa a oferta.

Analistas recalibraram suas expectativas sobre o domínio da Nvidia no mercado global de chips. Huang criticou duramente os controles de exportação dos Estados Unidos, argumentando que as restrições deram às empresas chinesas incentivo, energia e apoio governamental para acelerar seu desenvolvimento tecnológico.

As regras de exportação alteraram os mercados onde a Nvidia pode vender seus chips mais avançados, mas também desencadearam uma corrida por capacidade computacional. Provedores de nuvem, programas governamentais de IA e grandes empresas disputam acesso a hardware antes que novas restrições entrem em vigor.

A Nvidia respondeu acelerando o lançamento de novos chips e aprofundando o desenvolvimento conjunto de tecnologias com laboratórios de IA e provedores de nuvem, reforçando sua posição no centro da infraestrutura global de inteligência artificial.

Outros nomes ganham relevância

Embora Anthropic, OpenAI e Nvidia dominem as atenções, investidores observam cada vez mais outras empresas que desempenham papéis importantes na economia da IA.

O Google DeepMind avança com o Gemini, posicionando o Google simultaneamente como concorrente da OpenAI e da Anthropic e como um dos principais fornecedores de infraestrutura computacional.

A Meta segue lançando modelos de código aberto cada vez mais poderosos, aumentando a pressão competitiva sobre empresas que cobram pelo acesso às suas tecnologias.

A AMD ganha espaço com os aceleradores MI300, que disputam mercado com os chips da Nvidia para treinamento e execução de modelos avançados. Já a TSMC permanece como fabricante essencial de muitos dos processadores mais sofisticados da indústria, enquanto a Broadcom fornece a tecnologia de rede necessária para conectar clusters cada vez maiores de computação para IA.

A guerra dos chips aproxima desenvolvedores e fabricantes

As empresas que desenvolvem sistemas avançados de inteligência artificial estão cada vez mais dependentes dos fabricantes de chips responsáveis por fornecer a capacidade computacional necessária para operá-los.

Bernstein destaca essa dinâmica ao citar o confronto entre Amodei e Huang sobre controles de exportação. Para ele, trata-se da questão de política industrial mais importante da década.

O crescimento da Anthropic aumenta a demanda pelas redes de chips da Nvidia, enquanto o roteiro tecnológico da fabricante influencia diretamente a velocidade com que desenvolvedores conseguem ampliar seus modelos.

Markman destaca, por exemplo, o acordo da Anthropic para garantir acesso a mais de 220 mil GPUs da Nvidia por meio da SpaceX, evidenciando o grau de dificuldade que as empresas de IA enfrentam para obter capacidade computacional suficiente para escalar suas operações.

O que Wall Street observa agora

Analistas acompanham alguns eventos que podem definir a próxima etapa da economia da inteligência artificial.

As análises de Peter Cohan e os relatórios de Jon Markman apontam para a mesma conclusão: os vencedores da corrida da IA serão definidos não apenas por modelos mais avançados, mas também pelo acesso à capacidade computacional, à distribuição e a ambientes regulatórios favoráveis.

O aguardado pedido de IPO da Anthropic deverá oferecer aos investidores a primeira visão detalhada dos custos envolvidos na construção de modelos de ponta. O próximo grande lançamento da OpenAI e a forma como a empresa decidirá precificá-lo também poderão influenciar todo o setor.

Outro indicador acompanhado de perto pelo mercado é o volume de investimentos em infraestrutura de data centers realizado por Microsoft, Amazon, Google e Oracle, gastos que costumam acompanhar os ciclos de atualização tecnológica da Nvidia.

A regulação tornou-se um elemento central nas avaliações do setor. Regras de exportação, investimentos públicos em inteligência artificial e políticas de acesso à computação avançada ajudarão a definir onde e com que velocidade esse ecossistema crescerá nos próximos anos.

*Matéria originalmente publicada por Forbes.com

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