Na sexta-feira (12), a SpaceX estreou na Nasdaq e protagonizou a maior abertura de capital da história dos Estados Unidos. A empresa chegou ao mercado avaliada em torno de US$ 1,75 trilhão (R$ 9 trilhões).
Só no primeiro pregão, as ações da companhia espacial fecharam acima de US$ 192 (R$ 972,50) — valorização de aproximadamente 19%. Já na segunda-feira (15), a fortuna de Musk aumentou quase US$ 165 bilhões (R$ 825 bilhões), alcançando um recorde de US$ 1,3 trilhão (R$ 6,5 trilhões), após os ativos da SpaceX dispararem mais de 19,5%, encerrando o dia acima de US$ 192 (R$ 972,50), ampliando o rali iniciado na estreia da empresa.
Com o interesse dos investidores, bolsas de valores de diferentes países passaram a disponibilizar produtos financeiros atrelados à SpaceX. No Brasil, a B3 lançou na sexta-feira o BDR da companhia, sob o código SPCX34, certificado negociado localmente que permite ao investidor ter exposição às ações da empresa listadas no exterior.
De acordo com a B3, mesmo que a ação da SpaceX tenha chegado ao mercado com valor próximo de US$ 135 (R$ 695), a estrutura dos BDRs na B3 torna o investimento mais acessível. Como cada ação será dividida em 15 certificados negociados no Brasil, o valor de entrada para o investidor deve ficar entre R$ 50 e R$ 70.
Mas afinal, qual é a diferença entre um BRD e uma ação? O principal ponto é que a ação representa uma participação direta no capital de uma empresa, enquanto o BDR é um certificado negociado na bolsa brasileira que permite investir indiretamente em companhias listadas no exterior — sem a necessidade de abrir conta em corretoras estrangeiras, enviar recursos para fora do país ou realizar operações de câmbio.
Por meio do BDR, o investidor acompanha o desempenho das ações estrangeiras sem precisar abrir conta fora do país, mas fica exposto tanto às oscilações dos papéis quanto às variações do câmbio e às condições dos mercados internacionais.
Para Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, os investidores podem adquirir ações da SpaceX por meio de corretoras habilitadas a operar no mercado americano. “De forma geral, qualquer investidor que possua conta em uma corretora com acesso ao mercado internacional e cumpra os requisitos regulatórios e cadastrais exigidos pela instituição financeira pode investir na SpaceX”, explica.
Patrus comenta que, atualmente, o acesso é significativamente mais simples do que era quando a companhia era fechada.
Qual é o passo a passo?
- Faça login na sua corretora ou instituição financeira e acesse a plataforma de negociação de ativos da Bolsa.
- Localize o BDR desejado utilizando o código de negociação (ticker), que geralmente termina com o número “34”.
- Informe a quantidade de certificados que pretende adquirir.
- Escolha a modalidade da ordem, definindo um preço específico para a compra ou optando pela execução a mercado, na qual o ativo é adquirido pelo melhor valor disponível naquele momento.
- Revise os dados da operação, confirme a ordem e aguarde sua execução. A negociação é realizada diretamente na B3 e liquidada em reais.
O que considerar antes de investir
A SpaceX é uma das empresas mais relevantes do mundo nos setores de infraestrutura espacial, satélites, conectividade global e tecnologia avançada. Segundo o diretor da Bossa Invest, a companhia reúne ativos únicos, como o Starlink e seu ecossistema aeroespacial, sustentando uma tese de crescimento de longo prazo bastante atrativa.
“Por outro lado, o fato de ser uma empresa que atrai enorme atenção do mercado exige cautela. Após um IPO de grande repercussão, é comum observar períodos de elevada volatilidade, ajustes de valuation e movimentos especulativos”, diz Patrus.
Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, também afirma que aplicadores devem ter cuidado sempre que uma grande empresa chega ao mercado, especialmente em uma abertura de capital tão aguardada quanto a da SpaceX. Para ele, é fundamental avaliar o perfil de risco e estar preparado para períodos de maior volatilidade.
“Como a SpaceX é uma empresa de grande porte e despertou enorme interesse dos investidores, é natural que suas ações apresentem oscilações relevantes nos primeiros dias de negociação. O investidor precisa entender se seu perfil é compatível com esse nível de volatilidade, especialmente neste início de trajetória da companhia na bolsa americana”, explica.
Entre os fatores de atenção para o investidor ficar de olho estão:
- Valuation: empresas com forte expectativa de crescimento costumam negociar a múltiplos muito elevados;
- Volatilidade: a oscilação dos preços tende a ser maior nos primeiros meses após a abertura de capital;
- Capacidade de execução dos projetos: uma vez que parte da tese depende da capacidade da companhia de continuar expandindo suas operações e monetizando suas tecnologias;
- Ambiente regulatório: o setor espacial e de telecomunicações é altamente regulado;
- Concentração de carteira: mesmo empresas excepcionais devem ocupar um espaço compatível com o perfil de risco do investidor; e
- Câmbio: a variação do dólar também influenciará o retorno final do investimento.
“Os investidores devem separar a qualidade da empresa do preço pago pelo ativo. Mesmo excelentes companhias podem representar investimentos inadequados quando o nível de expectativa já está integralmente refletido na cotação. Uma decisão de investimentos na empresa deve considerar perfil de risco, diversificação e horizonte de longo prazo”, destaca Antonio Patrus.