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Ibovespa Fecha em Alta Sustentado por Bancos, Dólar Cai

Índice fechou o pregão aos 173.295 pontos e o dólar à vista encerrou o dia com queda de 0,21%, aos R$ 5,16

6 min

O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, apoiado principalmente nas ações de bancos, enquanto Braskem figurou novamente na ponta negativa, reflexo de preocupações de investidores sobre a situação financeira da petroquímica.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,76%, a 173.295,14 pontos, acumulando um ganho de 2,95% na semana. Na máxima do dia, chegou a 173.964,44 pontos. Na mínima, registrou 171.123,94 pontos.

O volume financeiro somou R$24,16 bilhões.

Na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, o principal motivo que explica o movimento nesta semana na bolsaé a reprecificação na curva de juros.

Ele destacou que o mercado “ficou mais tranquilo” após declarações de autoridades do Banco Central nos últimos dias, incluindo do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, esclarecendo comunicações recentes da autoridade monetária.

O comunicado e a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC incutiram dúvidas entre agentes financeiros sobre o horizonte relevante para a atuação da política monetária.

Mas Galípolo enfatizou na quinta-feira que não há nenhum tipo de mudança na condução da política monetária.

“Além disso, a queda no preço do petróleo e o IPCA-15 abaixo do esperado aumentaram a chance de novas quedas na taxa de juros no Brasil”, pontuou. “O mercado voltou a precificar um novo corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião (do Copom).”

Pedroso ponderou, contudo, que uma melhora consistente só virá com o retorno do fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira. “Por enquanto, o investidor externo continua saindo do mercado local, então essa melhora me parece algo pontual.”

De acordo com dados da B3, o saldo de capital externo na bolsa está negativo em quase R$8,4 bilhões em junho até o dia 24 (excluindo IPOs e follow-ons).

No cenário externo, o norte-americano S&P 500 fechou praticamente estável.

DESTAQUES

• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 1,29%, em pregão forte no setor, com BRADESCO PN fechando em alta de 1,7%, BANCO DO BRASIL ON encerrando com elevação de 1,45%, e SANTANDER BRASIL UNIT avançando 0,57%.

• PETROBRAS PN caiu 1,01% e PETROBRAS ON cedeu 1,17%, minadas pela queda do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent fechou em baixa de mais de 4%.

• VALE ON terminou com decréscimo de 0,65%, mesmo em dia de alta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) fechou o pregão do dia com elevação de 0,81%.

• BRASKEM PNA recuou 8,36%, no segundo pregão seguido de queda forte. A petroquímica disse nesta sexta-feira que obteve decisão favorável da Justiça para a suspensão por 60 dias da cobrança de dívidas por determinados credores financeiros, um dia após iniciar processo de mediação e protocolar pedido de tutela de urgência cautelar para assegurar uma proteção temporária durante as negociações. Ainda na quinta-feira, analistas do Citi cortaram a recomendação das ações para venda/alto risco.

• SABESP ON avançou 2,42%, em pregão positivo para o setor de serviços de utilidade pública, com o índice do segmento da B3 subindo 1,53%. Analistas do Bradesco BBI também elevaram nesta semana recomendação das ações da companhia para compra, com preço-alvo de R$73, citando expectativas positivas após a privatização, principalmente a entrada da Equatorial como acionista de referência.

• SLC AGRÍCOLA ON cedeu 0,98%, após subir 2% na máxima do dia. A companhia e a Bom Futuro Agrícola, dois dos maiores grupos produtores de grãos e oleaginosas do Brasil, afirmaram nesta sexta-feira que exerceram o direito de preferência para aquisição das mesmas terras do Bloco Mato Grosso, do Grupo Radar, por R$1,85 bilhão.

Dólar

O dólar fechou a sexta-feira com leve baixa ante o real, acompanhando a queda da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas, com investidores moderando as apostas de aumento de juros pelo Federal Reserve após novo recuo do petróleo.

O dólar à vista encerrou o dia com queda de 0,21%, aos R$5,1697. Na semana, a moeda acumulou leve alta de 0,10% e, no ano, baixa de 5,82%.

Às 17h05, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,27% na B3, aos R$5,1720.

No início do dia, o Banco Central vendeu US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso — neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.

Esses dois leilões simultâneos, em operação conhecida pelo mercado como “casadão”, não alteraram de forma substancial a trajetória do dólar, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra.

No exterior, a moeda norte-americana cedeu ante boa parte das demais divisas, como o euro, a libra e o iene. O dólar também sustentou perdas ante divisas de países emergentes como o peso mexicano, o rand sul-africano e o sol peruano.

O movimento tinha a influência dos dados econômicos mais recentes divulgados nos EUA, que reduziram um pouco as apostas de alta de juros pelo Fed neste ano. Além disso, a queda do petróleo Brent, para perto dos US$72 o barril, ajudava a aliviar as preocupações com a inflação e com a política monetária norte-americana.

No Brasil, o câmbio acompanhou este viés vindo de fora. Após marcar a cotação máxima intradia de R$5,1897 (+0,18%) às 10h19, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,1557 (-0,48%) às 12h30. Durante a tarde, a moeda recuperou um pouco de força, mas ainda assim terminou a sessão em queda.

Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego no país atingiu 5,6% nos três meses até maio, menor nível para o período na série histórica e em linha com as expectativas de economistas. No mesmo período de 2025 a taxa estava em 6,2%.

Já o BC informou que o Brasil teve déficit em transações correntes de US$3,185 bilhões em maio, menos que o rombo de US$4,159 bilhões projetado em pesquisa da Reuters com economistas. Na outra ponta, os investimentos diretos no país (IDP) somaram US$7,974 bilhões, contra US$5,75 bilhões projetados.

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