Na visão do sell-side do Santander, os dados operacionais do segundo trimestre (2T26) da Embraer mostram que a companhia conseguiu resolver a questão do nivelamento das entregas, o que deve impactar positivamente o fluxo de caixa futuro da empresa – e portanto o seu valuation. Olhando para o histórico da empresa, foram os melhores números para um segundo trimestre em 16 anos.
De abril a junho, a Embraer entregou 65 aeronaves, ante 61 no mesmo período do ano anterior.
Foram 4 unidades a mais no ano contra ano, mas em relação ao trimestre anterior, o salto foi de 21 aeronaves.
No segmento de aviação comercial, foram 20 jatos entregues — um a mais do que no 2T25 e dois acima da estimativa do Santander, que era de 18.
O mix de produtos melhorou levemente, segundo os analistas. No 2T26, os E1s responderam por 50% das entregas de E-Jets, ante 47% um ano antes. Por modelo, foram 10 unidades do E175-E1, 4 do E190-E2 e 6 do E195-E2.

Na aviação executiva, a Embraer entregou 45 jatos executivos — 7 a mais do que no 2T25 e 5 acima do que o Santander projetava.
No segmento de Defesa e Segurança, não houve entregas de C-390 Millennium nem do A-29 Super Tucano.
“Acreditamos que isso indica mais uma vez que os esforços da Embraer para nivelar a produção (e, portanto, as entregas) ao longo do ano estão dando frutos, o que deve melhorar a previsibilidade do fluxo de caixa daqui para frente”, dizem os analistas Lucas Barbosa, Victor Tani e Gabriel Tinem.
“Os números de entregas do 2T26 da Embraer foram inspiradores, em nossa visão, com melhorias anuais relevantes de volume na Aviação Comercial e na Aviação Executiva, apesar da ausência de entregas em Defesa e Segurança”, adicionam os especialistas do Santander.
Em relatório, a casa reiterou a recomendação de compra para os papéis da Embraer. Neste caso, os analistas cobrem o recibo de depósito (ADR, na sigla em inglês) negociado em Nova York, cujo preço-alvo foi firmado em US$ 85.
Se concretizada, a estimativa implica em alta implícita de 35% ante os preços atuais, na casa dos US$ 63.

Entrega versus guidance
No ano de 2026, até então, a companhia já entregou 109 aeronaves (30 comerciais e 74 executivas, mais 5 de defesa), contra 91 no mesmo período de 2025.
Nesse contexto, a fabricante de aeronaves reiterou o guidance de entrega para o ano fiscal de 2026: entre 80 e 85 jatos comerciais e entre 160 e 170 executivos, totalizando entre 240 e 255 aeronaves (excluindo defesa).
O que o Santander projeta para a Embraer, em termos financeiros
As projeções financeiras do Santander para a Embraer, em 2026, incluem receita líquida acima de US$ 8 bilhões e lucro que beira meio bilhão de dólares.
Olhando para múltiplos, as expectativas são de que a razão de preço sobre lucro (P/L) fique abaixo de 24 vezes.
Linhas do balanço e resultados
- Receita líquida: US$ 8,2 bilhões
- EBITDA: US$ 989 milhões
- EBIT: US$ 743 milhões
- Lucro líquido: US$ 488 milhões
- FCFE: US$ 248 milhões
- Dívida líquida: US$ 141 milhões
Múltiplos e yields
- Preço sobre Lucro (P/L): 23,6x
- Valor da Empresa sobre EBITDA (EV/EBITDA): 11,8x
- Rendimento do Fluxo de Caixa Livre para o Acionista (FCFE Yield): 2,1%
- Dividend Yield: 2,1%
- Dívida líquida/EBITDA: 0,1x
Cotação de EMBJ3
Na bolsa de valores brasileira, os papéis da companhia (EMBJ3) negociam a R$ 84,72 por volta das 12h40 (horário de Brasília) desta sexta-feira (3), em alta de 1,95%.
No acumulado de 12 meses, as ações da Embraer sobem 1,9%. Em cinco anos, a alta acumulada é de 347%.