O conselheiro Marcelo Gasparino entregou sua carta de renúncia ao conselho de administração da Vale (VALE3) na manhã desta segunda-feira (27), com efeito a partir de 1º de agosto. A mineradora confirmou a saída em comunicado ao mercado e informou que avaliará nos próximos dias as providências necessárias, mantendo os investidores atualizados sobre os desdobramentos relevantes.
A renúncia antecipa um desfecho que já estava em curso. Na quarta-feira (22), o colegiado havia aprovado a aplicação da sanção de destituição de Gasparino, acusado de vazar informações confidenciais discutidas na reunião do conselho de 19 de junho. A medida, porém, ainda precisava ser confirmada pelos acionistas em assembleia geral extraordinária, etapa que a saída voluntária torna desnecessária. Vice-presidente do conselho, Gasparino também já havia sido afastado dos comitês de assessoramento de que participava.
Segundo a Vale, a decisão de destituí-lo teve base em apuração conduzida por escritório de advocacia externo e independente, que confirmou o vazamento e o classificou como desvio de conduta previsto na Política de Gestão de Desvios de Conduta da companhia. O conselho seguiu recomendações do Comitê de Auditoria e Riscos (Care) e da Diretoria de Auditoria e Conformidade.
O caso é o capítulo mais recente da disputa de governança que agitou a Vale nas últimas semanas. Gasparino concorreu à presidência do conselho na assembleia da semana passada, mas foi derrotado por Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o “Ollie”, nome apoiado pela Previ e que substituiu Daniel Stieler no comando do colegiado. Alinhado a Stieler, Gasparino era opositor do novo presidente.