As novas tarifas dos Estados Unidos atingirão 23,1% das exportações brasileiras para o país. A estimativa é do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
Do total, 16,5% das exportações terão sobretaxa de 37,5%. O número soma a tarifa de 25%, anunciada na semana passada, à nova taxa de 12,5%, apresentada pelos americanos na quinta-feira.
Apenas 1,9% das exportações terão só a sobretaxa de 25%. Outros 4,7% ficam sujeitos à tarifa de 12,5%.
Entre os produtos com maior taxação estão máquinas e equipamentos, vários tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções, ainda segundo o MDIC.
Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima 3,9 mil produtos brasileiros afetados pelas duas tarifas somadas, que chegam a 37,5%. O impacto seria de US$ 12,4 bilhões nas exportações brasileiras, segundo documento divulgado nesta sexta-feira.
Outros 13% das exportações, equivalentes a 75 produtos e US$ 1,6 bilhão, estarão sujeitos apenas à nova alíquota de 12,5%.
Uma fonte ouvida pela Reuters afirma que o impacto na economia brasileira em geral não é devastador. Mas cria dificuldades em alguns setores.
“O impacto no geral não é alto, como não foi ano passado, quando o Brasil foi taxado em 50%. A economia brasileira sobrevive bem. Mas alguns setores são fortemente impactados e nem sempre é fácil encontrar novos mercados para produtos específicos”, disse a fonte.
Ela lembrou que o Brasil tem, em vários casos, cadeias de produção interligadas com os EUA. Muitos produtos são feitos quase sob medida para o mercado americano.
“O que vai acontecer é que depois de algum tempo essas cadeias de produção não vão mais existir. Vão ter outros mercados”, continuou, destacando que o Brasil volta os olhos agora para os mercados asiáticos e europeus.
Reciprocidade
O governo evita falar em retaliação, especialmente pelo temor dos empresários de uma nova resposta americana. Ainda assim, vai dar seguimento aos trâmites da Lei de Reciprocidade, que exige estudos e audiências públicas com os setores afetados.
“Ter o poder de fazer não significa que vamos fazer, mas o governo tem que estar preparado”, disse a fonte. “Você não pode abrir mão de um mecanismo porque aí é como se aceitasse a derrota.”
Qualquer medida só deve sair depois das eleições. O processo interno leva entre dois e três meses. Além disso, o período eleitoral é sensível demais para decisões dessa magnitude, disse a fonte.
“Também não sabemos o que mais vem pela frente. Já estão falando em nova rodada por causa das Big Techs. Temos que estar preparados”, completou.
Nesta sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou duramente a União Europeia pela decisão de multar o Google, da Alphabet. Ele chamou a medida de ilegal e afirmou que Washington vai investigar o que classificou como “roubo” contra empresas americanas.