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Cenários
As ações estão subindo apesar das notícias negativas no Oriente Médio. Tropas americanas realizaram o décimo dia seguido de ataques ao Irã. E no Iêmen, os houthis ameaçaram impor um bloqueio naval à Arábia Saudita, potencialmente abrindo uma nova frente de combates no conflito, que até então está restrito aos países do Golfo Pérsico. Isso elevou os preços do petróleo do tipo Brent. Os contratos futuros com vencimento em agosto estão subindo quase 0,90% para US$ 90 por barril.
Mesmo assim, as bolsas estão em alta. Os investidores optaram por olhar para as perspectivas positivas do setor de semicondutores. A tensão entre Estados Unidos e Irã mantém o mercado de energia pressionado, mas não freia o apetite por ações de tecnologia.
Os contratos futuros do índice Nasdaq 100 estão em alta de cerca de 1,3% no pré-mercado. Os futuros do índice S&P 500 avançam pouco menos de 0,5%. O movimento reflete a recuperação das fabricantes de processadores, que haviam registrado perdas na semana passada em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Fundos negociados em bolsa ligados ao setor de chips voltam a subir com força nesta sessão, depois de variações diárias acima de 4% se tornarem frequentes ao longo do ano.
Na Ásia, dados de exportação da Coreia do Sul reforçam o otimismo com a demanda por chips. As exportações do país saltaram 52,3% na comparação com o mesmo período do ano passado nos primeiros 20 dias de julho. Os embarques de semicondutores lideraram o avanço, com alta de 180%, para US$ 22,1 bilhões, o maior valor já registrado para o período.
O apetite por papéis de tecnologia contrasta com o cenário do mercado de energia. Os preços da gasolina nos Estados Unidos completam a segunda semana seguida de alta. O galão já ultrapassa US$ 4, segundo levantamento da AAA, a associação americana de motoristas. A escalada reacende o temor de pressão sobre a inflação americana, que havia dado sinais de acomodação nas últimas leituras do índice de preços ao consumidor.
Índices de preços ao consumidor mais elevados nos Estados Unidos podem reduzir o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Ainda assim, o mercado acionário optou por dar mais importância à demanda por processadores.
A escolha dos investidores segue um padrão observado em sessões recentes. Mesmo com o conflito ainda ativo, o fluxo de capital continua favorecendo ativos de risco ligados à tecnologia.
Perspectivas
Investidores aguardam agora a divulgação de balanços de grandes empresas de tecnologia ao longo dos próximos dias para confirmar se o ritmo de demanda por inteligência artificial justifica a recuperação recente dos preços das ações. Até lá, o mercado trata o petróleo como risco monitorado, e não como obstáculo à retomada do apetite por risco.
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