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Análise: Inflação Americana Confirma Expectativas e Ações Sobem

Índice de preços ao consumidor variou 3,4% em 12 meses, e núcleo mostrou inflação de 2,5%, ambos em leve desaceleração

4 min

A inflação americana medida pelo Consumer Price Index (CPI) aumentou 0,1% em julho, em linha com as expectativas, após cair 0,4% em junho, informou o Departamento de Estatísticas do Trabalho (Bureau of Labor Statistics, BLS) dos EUA. Nos 12 meses até julho, o índice geral aumentou 3,4%, também em linha com as expectativas, e com uma leve desaceleração ante os 3,5% acumulados até junho.

O núcleo do CPI, que não considera os preços dos alimentos e da energia, avançou 0,2% em julho, em linha com as expectativas, acelerando após a inflação zero observada em junho. Em 12 meses, o núcleo do CPI foi de 2,5%, em linha com as expectativas, e com leve desaceleração ante os 2,6% observados nos 12 meses até junho.

As maiores altas no mês incluem assistência médica, passagens aéreas, comunicação, educação e recreação. Por outro lado, o índice de seguro de veículos teve uma das maiores quedas. O índice de energia caiu 1,5% em julho.

A primeira reação do mercado foi positiva. Os contratos futuros dos principais índices de ações dos EUA subiram. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 subiram 0,4% e 0,9%, respectivamente. O Dow Jones ganhou 144 pontos, ou 0,3%.

As probabilidades de Federal Reserve (Fed), o banco central americano, manter suas taxas inalteradas no próximo mês aumentaram após a divulgação do relatório. A ferramenta CME FedWatch indica uma chance de aproximadamente 58% de que a taxa básica de juros permaneça na faixa atual de 3,50% a 3,75%. Esse número era de 45% há uma semana, mas tornou-se majoritário.

Petróleo e juros

O CPI é um três índices de inflação relevantes. Na quinta-feira (13) haverá a divulgação da inflação no atacado medida pelo índice de preços ao produtor (Producer Price Index, PPI). No fim do mês será divulgado o índice Personal Consumption Expenditure (PCE), o preferido pelo Fed.

Segundo analistas, o CPI deve balizar as expectativas para os demais índices. A leve queda da inflação acumulada em 12 meses está alinhada aos números mais fracos do mercado de trabalho americano de julho, divulgados na semana passada.

A alta nos preços do petróleo desta semana não está refletida no índice de julho, mas não ajuda no cenário geral. O impasse nas negociações com o Irã, bem como os novos ataques dos houthis, apoiados pelo Irã, no Mar Vermelho na terça-feira, mantêm o petróleo Brent próximo a US$ 90 por barril.

A questão, no entanto, é se isso será suficiente para assegurar os investidores de que não haverá um aumento de juros pelo Fed na reunião de setembro, e dissipar as especulações sobre um aumento da taxa de juros pelo Fed no próximo mês. No momento, os mercados estão divididos quanto a essa possibilidade.

Menos orientações do Fed

A postura de Kevin Warsh, presidente do Fed, aumenta o foco na inflação. Desde que assumiu o cargo, Warsh adotou uma estratégia de comunicação mais simples. Ele abandonou as orientações futuras (“forward guidance”), abreviou as declarações do Federal Open Market Committee (Fomc), o Copom americano, e concentrou sua análise nas condições econômicas, em vez de sinalizar a trajetória futura das taxas de juros.

Para Warsh, os investidores se tornaram muito dependentes das orientações do banco central e deveriam prestar mais atenção aos fundamentos econômicos. Isso aumenta a importância relativa dos indicadores de inflação e do mercado de trabalho.

Diferente do Banco Central do Brasil, o Fed tem um mandato duplo, que é manter a inflação dentro da meta assegurando o menor desemprego possível, desde que não inflacionário. Daí o aumento da importância dos indicadores.

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