A Justiça de São Paulo suspendeu por 180 dias todas as ações e execuções contra o Grupo Casas Bahia (BHIA3) e determinadas subsidiárias incluídas no pedido de recuperação judicial da varejista.
A decisão foi tomada na sexta-feira, 28, pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. A informação foi divulgada pela companhia em fato relevante nesta segunda-feira (31).
O juiz antecipou os efeitos do chamado stay period, período de proteção previsto na Lei de Recuperação de Empresas e Falência. Além de suspender os processos em andamento, a medida impede novos atos como bloqueios e penhoras contra as empresas envolvidas.
O prazo começou a contar em 19 de agosto, três dias depois de o Grupo Casas Bahia apresentar o pedido de recuperação judicial. A proteção dá à companhia espaço para conduzir a reestruturação e negociar com os credores sem que ações individuais comprometam seus ativos.
Resultados da varejista
Segundo a companhia, R$ 9,1 bilhões do prejuízo decorreram de efeitos contábeis não recorrentes e sem impacto no caixa do trimestre, relacionados a baixas de ativos, créditos tributários, contratos e custos da reestruturação. O prejuízo líquido ajustado foi de R$ 978 milhões.
A origem contábil da maior parte da perda não elimina o desequilíbrio financeiro. Em junho, o balanço consolidado mostrava R$ 13,68 bilhões em ativos circulantes e R$ 21,51 bilhões em passivos circulantes, o que resultava em capital de giro negativo de R$ 7,84 bilhões. O patrimônio líquido estava negativo em R$ 8,27 bilhões.
Os estoques recuaram de R$ 5,4 bilhões em março para R$ 4,2 bilhões em junho. A empresa relacionou a queda tanto à gestão mais restritiva do capital de giro quanto às limitações de crédito para compra e reposição de mercadorias.
A EY, responsável pela revisão das informações trimestrais, não apresentou uma conclusão sobre as demonstrações do período e apontou incerteza relevante relacionada à continuidade operacional do grupo. A Casas Bahia informou ainda que uma tentativa de captação de recursos no mercado internacional não se concretizou, reduzindo sua capacidade de reforçar o caixa e financiar estoques.