Robert Langer, cofundador da Moderna, voltou a integrar o grupo dos bilionários graças à disparada das ações da empresa de biotecnologia. Seu patrimônio líquido subiu de aproximadamente US$ 730 milhões (R$ 3,77 bilhões) na terça-feira para US$ 1,7 bilhão (R$ 8,77 bilhões).
Acredita-se que Langer ainda detenha uma participação de 3% na Moderna, embora suas posições não sejam mais divulgadas publicamente. Sua fatia foi avaliada em US$ 343 milhões (R$ 1,77 bilhão) quando os papéis da companhia atingiram a mínima de US$ 29,81 (R$ 153,82), em 2 de janeiro.
Noubar Afeyan, também cofundador da Moderna, viu seu patrimônio crescer US$ 184 milhões (R$ 949,44 milhões), para US$ 2,1 bilhões (R$ 10,84 bilhões). Já a fortuna do CEO Stéphane Bancel aumentou US$ 2,5 bilhões (R$ 12,9 bilhões), chegando a US$ 4,8 bilhões (R$ 24,77 bilhões).
Timothy Springer, um dos primeiros investidores da companhia, acrescentou US$ 948 milhões (R$ 4,89 bilhões) ao patrimônio, agora estimado em US$ 2,2 bilhões (R$ 11,35 bilhões).
Por que as ações da Moderna estão disparando?
As ações da Moderna dispararam 156%, para aproximadamente US$ 161 (R$ 830,76) na manhã desta quarta-feira. O movimento acrescentou mais de US$ 100 (R$ 516) ao preço do papel depois que a empresa anunciou os resultados de seu primeiro estudo clínico em estágio avançado com uma vacina experimental contra o melanoma.
A vacina, desenvolvida com tecnologia de RNA mensageiro e administrada em conjunto com o Keytruda, medicamento de imunoterapia da Merck, marcou o primeiro estudo bem-sucedido em fase final de um tratamento contra o câncer baseado em mRNA.
Segundo a Moderna, a terapia ajudou a reduzir a recorrência do câncer de pele grave e ampliou o período em que os pacientes permaneceram sem o retorno do melanoma.
Número relevante
112 mil. Esse é o número de novos casos de melanoma diagnosticados anualmente nos Estados Unidos. A estimativa é que 8.510 pessoas morram em decorrência da doença, segundo a American Cancer Society.
A entidade alerta que a pele clara é um importante fator de risco e que a probabilidade de desenvolver melanoma aumenta com a idade.
Fato surpreendente
As ações da Moderna atingiram o menor nível do ano logo no primeiro pregão de 2026, quando caíram para US$ 29,81 (R$ 153,82), em 2 de janeiro. Desde então, os papéis avançaram quase 300% até a cotação registrada no pré-mercado desta quarta-feira.
Contexto
Wall Street aguardava os resultados da nova vacina de mRNA da Moderna em meio às críticas do secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr.
Conhecido pelo ceticismo em relação às vacinas, Kennedy criticou imunizantes contra a Covid-19 desenvolvidos com tecnologia de RNA mensageiro, como o da Moderna, e afirmou que cancelaria contratos e subsídios de quase US$ 500 milhões (R$ 2,58 bilhões) destinados ao desenvolvimento dessas vacinas.
Em junho, o analista Mani Foroohar, da Leerink Partners, escreveu que o resultado do estudo clínico em estágio avançado representaria um momento decisivo para as ações da Moderna. A expectativa era que o medicamento experimental pudesse funcionar contra diferentes tipos de câncer.
Merck e Moderna afirmaram que avaliam a vacina em diversos estudos envolvendo outros tumores, como câncer de pulmão de não pequenas células e câncer de bexiga.
- Reportagem originalmente publicada por Forbes.com