Bom dia. Estamos na quarta-feira, 12 de agosto.
Cenários
Os mercados aguardam nesta quarta-feira a divulgação do índice de preços ao consumidor (Consumer Price Index, CPI) dos Estados Unidos referente a julho, marcada para as 9h30 (hora de Brasília). O dado chega em um momento de escrutínio elevado, com investidores tentando decifrar até que ponto a inflação americana já incorpora o choque de preços de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio.
O consenso de mercado projeta alta de 0,1% no índice cheio em julho, após queda de 0,4% em junho. No acumulado de doze meses, a expectativa é de avanço de 3,4%, ante 3,5% no mês anterior. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, deve subir cerca de 0,3% no mês e 2,5% no ano.
Economistas ouvidos por diferentes casas apontam que parte das quedas incomuns registradas em junho tende a ser revertida em julho, o que sustenta a leitura de uma inflação ainda persistente, mesmo que em trajetória gradual de desaceleração.
O componente de energia é o principal ponto de atenção para julho. O petróleo segue pressionado pela guerra entre Estados Unidos e Irã, que já dura seis meses e mantém o Estreito de Ormuz com operação restrita.
O petróleo do tipo Brent, referência para o mercado internacional e para a Petrobras (PETR4), oscilou entre US$ 78 e mais de US$ 100 por barril desde o início do conflito, em fevereiro, e opera nesta quarta-feira perto de US$ 89, após recuar de uma alta acumulada em cinco sessões consecutivas.
O petróleo do tipo WTI, referência para o mercado americano, negocia na faixa de US$ 82. Sinais mistos sobre uma possível reabertura do estreito, somados a ataques recorrentes de grupos houthis a embarcações no Mar Vermelho, mantêm o mercado de petróleo volátil e um prêmio de risco embutido nos preços.
Esse cenário já se refletiu no preço dos combustíveis nos Estados Unidos, um item determinante na trajetória da inflação. O preço médio da gasolina girava em torno de US$ 4,07 por galão (3,785 litros) no início de agosto, alta de cerca de 30% em 12 meses.
Ainda que tenha havido leve recuo nas últimas semanas, o custo dos combustíveis segue bem acima do padrão sazonal para o período, o que tende a pressionar o componente de energia do CPI de julho.
O pano de fundo da política monetária adiciona outra camada de incerteza. Desde que assumiu o cargo em junho, Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, adotou uma comunicação mais enxuta, com declarações mais curtas do Federal Open Market Committee (Fomc), versão americana do Copom. Na reunião de junho não foi divulgado o “gráfico de pontos” (dot plot) nem houve indicações explícitas sobre o caminho futuro dos juros.
Warsh tem defendido publicamente que os mercados devem se apoiar mais nos próprios dados econômicos e menos na sinalização do banco central. Na reunião de julho, o Fed manteve a taxa entre 3,50% e 3,75%, com três dissidências a favor de uma alta imediata.
Essa mudança de postura eleva o peso de cada divulgação de dado. Sem orientação prospectiva explícita, o CPI de hoje (e o de agosto, com divulgação prevista para a primeira quinzena de setembro) passa a funcionar como um dos poucos sinais diretos disponíveis antes da reunião de 15 e 16 de setembro.
Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de uma alta de 0,25 ponto percentual em setembro é de cerca de 57%. Isso significa que o mercado hoje já está mais inclinado para uma alta do que para uma pausa, embora a margem seja estreita e sujeita a mudanças rápidas.
Perspectivas
Os futuros das ações americanas estão em leve alta. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 subiram 0,3% e 0,7%, respectivamente. O Dow Jones ganhou 72 pontos, ou 0,1%. As ações brasileiras estão em leve alta no pré-mercado, em uma reação à forte queda da véspera. O petróleo Brent está estável em um patamar elevado, a US$ 89 o barril.
Indicadores
BRASIL
Pesquisa Mensal de Serviços IBGE (Jun)
Esperado: ND
Anterior: -0,4%
Pesquisa Mensal de Serviços IBGE (Jun)
Esperado: ND
Anterior: 0,4%
ESTADOS UNIDOS
Inflação ao consumidor / CPI (Jul)
Esperado: + 0,1%
Anterior: – 0,4%
Inflação ao consumidor / CPI (12M)
Esperado: 3,4%
Anterior: 3,5%
Núcleo da inflação ao consumidor / CPI (Jul)
Esperado: 0,2%
Anterior: 0,0%
Núcleo da inflação ao consumidor / CPI (12M)
Esperado: 2,5%
Anterior: 2,6%