O SEB, grupo de educação da família de Chaim Zaher, fechou a compra de 100% da Escola Cidade Jardim | PlayPen, tradicional colégio bilíngue de São Paulo. Mais do que adicionar uma escola ao portfólio, o negócio reforça a disputa por um dos segmentos mais valorizados da educação básica privada: o de instituições premium, bilíngues e com currículos internacionais.
O valor da transação não foi divulgado. A conclusão ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. Até lá, as empresas seguem operando separadamente.
Desde 2012, a PlayPen pertence à britânica Cognita. Naquele ano, a compra da escola marcou a estreia do grupo estrangeiro não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. Agora, 14 anos depois, o ativo passa de uma rede internacional para um dos maiores grupos brasileiros do setor.
Fundada em 1981, a PlayPen começou como uma escola de educação infantil com imersão em inglês e, ao longo das décadas, ampliou sua atuação até o Ensino Médio. Hoje, atende alunos de diferentes faixas etárias em sua unidade na Cidade Jardim, em São Paulo, e combina o currículo brasileiro com programas internacionais.
Para o SEB, o interesse está justamente na combinação entre marca consolidada, público de alta renda e educação internacional. A PlayPen passa a dividir o portfólio com escolas como Concept, Pueri Domus, Carolina Patrício e Sphere, além da Maple Bear, uma das principais plataformas de expansão internacional do grupo.
O SEB Education informa atualmente ter 505 escolas e 78 mil estudantes no mundo. No Brasil, são 235 unidades e 52 mil alunos, segundo dados do próprio grupo. A escala ajuda a explicar a estratégia por trás de aquisições como a da PlayPen: incorporar escolas conhecidas sem necessariamente substituí-las por uma bandeira única.
A companhia afirma que manterá a marca PlayPen e sua autonomia acadêmica e administrativa. Para Thamila Zaher, CEO do Seb Education, a operação se encaixa em uma estratégia de buscar instituições já estabelecidas no mercado.
“Esse movimento está em profunda sintonia com o que buscamos em nossa estratégia de expansão, ter ativos potentes para seguir nosso histórico de resgatar, fortalecer e expandir instituições que são referência na educação”, afirma.
Uma escola que abriu o mercado aos estrangeiros
A mudança de controlador tem um componente simbólico para o setor. Quando a Cognita adquiriu a PlayPen, em novembro de 2012, a companhia tinha 58 escolas no mundo e anunciava a intenção de usar a operação como ponto de partida para crescer no Brasil e na América Latina.
A estratégia funcionou. Uma década depois da compra, a própria Cognita informava ter mais de 40 mil estudantes e 32 escolas em quatro países da América Latina. A PlayPen, portanto, foi o ativo que abriu a porta da região para uma das maiores redes internacionais de educação básica.
A venda ao SEB acontece em um momento no qual redes globais continuam buscando escolas privadas consolidadas na América Latina. Em março deste ano, por exemplo, a Cognita anunciou a aquisição de sua 18ª escola no Chile. No Brasil, o avanço de grupos de educação sobre colégios tradicionais tornou as marcas com boa reputação, localização privilegiada e capacidade de cobrar mensalidades mais altas ativos estratégicos. É nesse mercado que o SEB vem aumentando sua exposição.
Onde o SEB pode crescer dentro da PlayPen
Além de ganhar uma nova marca, o grupo já identificou espaço para aumentar a oferta de produtos educacionais dentro da própria escola.
Um dos caminhos citados por Thamila é levar o International Baccalaureate, o IB, mais longe na jornada do aluno. A PlayPen já possui autorização para o Primary Years Programme e vem avançando na adoção dos programas internacionais. A escola também oferece Ensino Médio desde 2020.
O próximo passo considerado pelo SEB é a oferta do IB Diploma Programme, voltado aos últimos anos da educação básica e usado como credencial acadêmica internacional.
“Vemos muitas oportunidades de ampliar a atuação da escola, inclusive estendendo para o Ensino Médio com o IB Diploma”, diz Thamila.