A captação de recursos para fundos de crédito privado em mercados emergentes mais que dobrou no primeiro semestre de 2026, embora as incertezas econômicas e geopolíticas tenham desacelerado a realização de negócios.
Dados da Global Private Capital Association (GPCA) mostram que esses fundos captaram US$ 8,7 bilhões no período. No primeiro semestre do ano passado, o volume havia sido de US$ 3,6 bilhões. Em todo o ano de 2025, a captação ficou próxima de US$ 11 bilhões.
Jeff Schlapinski, diretor-gerente de pesquisa da GPCA, afirmou que o forte ingresso de capital pode continuar devido ao “interesse sustentado dos LPs em estratégias de crédito privado voltadas para mercados em crescimento, particularmente na Ásia”.
Os chamados LPs são fundos de pensão, seguradoras e outros investidores institucionais que fornecem capital aos fundos.
Apesar do avanço da captação, os dados da GPCA mostram uma desaceleração nas transações. Segundo Schlapinski, o movimento reflete um cenário global mais incerto.
“As condições de crédito são incertas globalmente devido aos riscos contínuos de inflação, tensões comerciais e conflitos geopolíticos”, disse.
Transações de crédito privado desaceleram
A GPCA, que representa cerca de 300 investidores privados responsáveis pela gestão de US$ 2 trilhões em ativos, registrou 215 transações, no valor total de US$ 6,7 bilhões, no primeiro semestre.
Em todo o ano de 2025, foram realizadas 373 operações, que movimentaram o recorde de US$ 22,5 bilhões. Apenas no primeiro semestre do ano passado, as transações alcançaram US$ 11,8 bilhões.
No crédito privado, fundos de investimento concedem empréstimos diretamente a empresas e projetos. A modalidade cresceu rapidamente nas últimas décadas, à medida que os bancos reduziram a presença em algumas áreas do mercado de crédito.
Essa classe de ativos movimenta cerca de US$ 3,5 trilhões globalmente, segundo a Alternative Investment Management Association. Menos de 10% desse volume, contudo, está investido em mercados emergentes.
Investidores reavaliam riscos dos mercados emergentes
A gestora Ninety One informou que o valor das operações facilitadas pela empresa chegou a US$ 2,1 bilhões nos 18 meses encerrados em junho. O resultado representa um crescimento de 40% em relação ao período anterior.
“De 18 meses a dois anos atrás, isso era um verdadeiro trabalho missionário… era uma captação de recursos muito criativa”, afirmou à Reuters Nazmeera Moola, diretora comercial de mercados privados da Ninety One.
Segundo Moola, a base de investidores agora inclui instituições de financiamento ao desenvolvimento, fundos de pensão, seguradoras, fundos soberanos e empresas de investimento privado.
Os investidores estão reavaliando os riscos dos mercados emergentes, enquanto as mudanças geopolíticas estimulam a diversificação para além dos Estados Unidos, afirmou a executiva.
Mais de um terço das mais de 90 transações realizadas pela Ninety One envolveu infraestrutura e ativos reais. Entre os segmentos estão energia renovável, infraestrutura digital e telecomunicações.
As operações concentraram-se principalmente em países da Ásia e da América Latina, como Índia, Brasil e México.
Fundo de infraestrutura pode captar até US$ 1 bilhão
A Ninety One pretende lançar até o final do ano um fundo de dívida de infraestrutura voltado aos mercados emergentes. A meta de captação varia de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão.
A Corporação Financeira Internacional, o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura e o Swedfund já anunciaram compromissos com o fundo.
Para Schlapinski, a turbulência global provavelmente continuará pressionando as fontes tradicionais de financiamento ao longo do ano, “o que deve sustentar a demanda por soluções de crédito privado flexíveis e personalizadas”.