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Selic Preocupa, Mas Parcelamento e Mounjaro Animam a Espaçolaser (ESPA3)

Empresa aposta em melhorias operacionais e melhora do NPS para manter performance no longo prazo, amortecendo efeitos dos juros elevados e da saída de acionista relevante

7 min

Por 13 trimestres consecutivos, a Espaçolaser (ESPA3) melhorou a última linha do seu balanço, em um movimento de turnaround capitaneado pela atual CEO, Magali Leite, que anteriormente ocupava a cadeira de CFO da companhia. Neste ano, a companhia teve o primeiro solavanco após os 39 meses de melhora no seu bottom line, mas a gestão ainda enxerga um cenário operacionalmente positivo após alguns meses de período tempestuoso.

Entre abril e junho, a Espaçolaser anotou prejuízo líquido ‌ajustado de R$ 134 mil, ante ‌um lucro de R$8,8 milhões no mesmo período de 2025. As vendas brutas da rede foram de R$ 384,9 milhões, crescimento de 0,1% ‌no comparativo de base anual, e a receita líquida ajustada somou R$ 257,5 milhões, queda de 3,5%.

Em entrevista à Forbes, a CEO da Espaçolaser conta que a gestão tem feito ajustes e ponderações para lidar com um 2026 que se mostrou ainda mais difícil do que o ano anterior em se tratando de cenário macroeconômico. Segundo a executiva, embora as vendas tenham “andado de lado”, as correções de rota devem garantir “que esse cliente volte no futuro”.

Ao usar as “alavancas certas”, o corpo executivo mira seguir ganhando escala e melhorando o “micro”, a despeito de um “macro” que tem sido um detrator da empresa — assim como de outras companhias de outros setores que sofrem com juros mais elevados e perda do poder de compra da população.

Segundo Magali Leite, as melhoras fizeram a empresa elevar substancialmente seu Net Promoter Score (NPS), indicador que mensura fidelidade e satisfação dos clientes.

“O ambiente macro está mais desafiador do que no ano passado, com o patamar de endividamento das famílias. A taxa de inadimplência está mais alta, de maneira geral, no varejo. A gente trabalha principalmente para neutralizar esse tipo de coisa e para ter um negócio mais resiliente”, diz a executiva.

“Para além dessas questões, de cuidar bem da estrutura de capital e conseguir traduzir isso no resultado do negócio com as alavancas corretas, para ter a melhor repercussão possível dentro do que a gente consegue controlar, a gente fez um trabalho em que nosso NPS foi a 89 agora. Eu não conheço ninguém que esteja com um NPS desse tamanho. A gente ainda tem muita melhoria na jornada do cliente para fazer, mas melhoramos três pontos percentuais no último trimestre de NPS”, completa.

A companhia encerrou o mês de junho deste ano com R$ 526 milhões de dívida líquida, uma redução de R$ 21,1 milhões, seguindo a estratégia de desalavancagem. Com isso, a dívida representa 1,88 vez o Ebitda da empresa.

Com a Selic a 13,75%, a empresa segue tendo que manter uma postura espartana na alocação de capital — fator que faz com que receba mais pressão do mercado do que empresas que possuem um balanço ainda mais desalavancado.

“Nosso objetivo é, na medida do possível, sem impactar no investimento que precisa ser feito no negócio, continuar olhando oportunidades de redução de custos, redução de despesas, equilibrando com o investimento que pode, que precisa ser feito, mas de modo que a gente não tire o olho dessa redução da dívida e consiga fazer tudo o que a gente precisa para continuar crescendo.”

Para além dos juros altos, as ações da Espaçolaser foram pressionadas, nos últimos meses, pela saída de um dos principais acionistas.

O fundo Magnólia FIP informou, ao fim de junho, que zerou sua participação na empresa ao alienar 6.106.557 ações, que por sua vez eram equivalentes a cerca de 17% do capital social da empresa.

A operação movimentou R$ 38,7 milhões, considerando que os papéis ESPA3 foram alienados a um preço de R$ 6,30 por unidade no âmbito da oferta pública de distribuição ⁠secundária.

Conforme os dados públicos, Ygor Moura e Paulo Morais, os sócios-fundadores, seguem como bloco controlador, com fatias de 16,4% e 10% no capital social da empresa, respectivamente.

Outros acionistas incluem Una Capital (13%) e SMZXP Participações (2,5%) — veículo de investimentos que inclui José Carlos Semenzato e Xuxa Meneghel. O bloco “Outros”, que inclui o free float, é de 56%.

Em agosto, o então Diretor Financeiro (CFO) e de RI da empresa, Fabio Itikawa, decidiu renunciar ao cargo. Magali Leite acumula o cargo de forma interina até que um novo executivo assuma o posto.

Empresa calibra descontos e frequência de pagamentos

Na esteira das melhorias operacionais, a Espaçolaser tem concedido vantagens para o bom pagador como forma de aumentar fidelidade dos clientes e, em simultâneo, melhorar o fluxo de caixa e a saúde financeira.

A empresa tem adotado o que chama de CDP (“o cliente decide o pagamento”), que incentiva o cliente a pagar em menos parcelas e por meios como cartão de crédito tradicional ou Pix, em vez do parcelamento longo tradicional.

Até o 3º trimestre, 480 das 811 lojas no Brasil já haviam migrado, e a empresa também fechou uma parceria com o Nupay para ampliar o crédito oferecido a clientes que já têm cartão Nubank — cerca de 60% da base.

Segundo a CEO, isso tem sido bom porque melhora a qualidade do recebível e acelera o fluxo de caixa da empresa (as primeiras lojas convertidas já reduziram o recorrente para 50%), reduz a inadimplência num cenário de juros altos, e ainda diminui o churn, já que o cliente sai satisfeito com mais desconto por pagar mais rápido.

“Ele [cliente] tem mais desconto se ele pagar em menos parcelas, mas nunca mais além do que eu já daria normalmente. Só que antigamente eu dava para todo mundo o mesmo desconto, e agora eu dou mais desconto para quem paga mais rápido, numa equação, obviamente, que para mim vale muito mais a pena, o meu retorno é muito melhor”, conta Leite.

A empresa também tem reajustado seus preços para acompanhar a inflação. O ticket médio cresceu, no trimestre, cerca de 4,5%.

Boom do Ozempic e Mounjaro aumentam gastos com estética

O boom das canetas análogas de GLP-1 geraram um efeito colateral positivo para a empresa, segundo a gestão.

É algo mais anedótico e difícil de mensurar nos números da empresa, mas a gestão enxerga que um aumento no número de pessoas que priorizam o emagrecimento aumenta seu mercado endereçável — afinal, são pessoas que estão se preocupando com estética, e podem consumir outros produtos e serviços.

“As pessoas vão mais para a academia, as pessoas arrumam mais o seu cabelo, fazem mais procedimentos estéticos, e a depilação a laser é um elemento importante dentro dessas opções”, diz a CEO.

Para a executiva, a indústria de beleza inteira está “surfando a onda do GLP1.”

Um levantamento da Close-Up International Brasil mostra que Mounjaro, Wegovy e Ozempic movimentaram juntos R$ 13,3 bilhões entre maio de 2025 e maio de 2026.

Dados da Panorama Setorial Fitness Brasil apontam que o país deve ultrapassar 70 mil academias no ano que vem.

Raio-X da Espaçolaser no momento atual

Atualmente o valor de mercado da Espaçolaser é de R$ 253 milhões, segundo dados do Status Invest. As ações são negociadas a cerca de R$ 7 na bolsa de valores atualmente, em queda de 30% neste ano.

A Espaçolaser encerrou o segundo trimestre de 2026 com 861 lojas, sendo 811 no Brasil — 562 próprias e 249 franquias — e 50 unidades no exterior.

As vendas brutas da rede somaram R$ 384,9 milhões no trimestre e R$ 844,3 milhões no primeiro semestre, enquanto o ticket médio atingiu R$ 1.461.

A companhia também registrou NPS de 89 pontos e vem ampliando a participação de homens na base de clientes, que chegou a 13,6%.

No primeiro semestre, a Espaçolaser gerou R$ 128,5 milhões em caixa operacional ajustado, alta de 17,2% em um ano.

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