O mercado de galpões logísticos de São Paulo fechou o primeiro semestre de 2026 com a menor taxa de vacância dos últimos 18 anos.
Dados do Research Lab da CBRE mostram que índice de vacância do setor terminou o segundo trimestre em 4,5%, puxado por uma absorção bruta que ultrapassou 2,1 milhões de metros quadrados entre janeiro e junho.
Com isso, foi registrada o maior volume de absorção líquida para um semestre desde o início da série histórica da consultoria, em meados de 2008.
Além disso, em 2026 a absorção líquida dos galpões logísticos já esta perto de alcançar o total registrado em todo o ano de 2025, o que indica um ritmo de ocupação mais rápido do que o do ano anterior.
O novo estoque entregue no semestre somou 596 mil m², 46% do total de 2025, com 71% concentrado no raio de até 30 km da capital.
O e-commerce e o varejo respondem por 63% das ocupações do semestre, tendo entre os maiores locadores nomes como Mercado Livre e Shopee.
Segundo a CBRE, o movimento é resultado da necessidade das empresas de ampliar capacidade operacional, reduzir prazos de entrega e aproximar centros de distribuição dos principais mercados consumidores.
A consultoria considera que esse conjunto de fatores mantém a demanda concentrada em galpões logísticos modernos e bem localizados.
“O mercado logístico de São Paulo entrou em uma nova fase. A discussão deixou de ser apenas sobre crescimento da demanda e passou a ser sobre disponibilidade. Mesmo com a entrada de um volume expressivo de novos empreendimentos, a absorção atingiu nível recorde e a vacância caiu para 4,5%, o menor patamar em 18 anos. Esse cenário mostra um mercado cada vez mais disputado e exige uma leitura muito mais antecipada dos movimentos de oferta e demanda”, afirma Fernando Terra, vice-presidente da CBRE Brasil.
O que vem pela frente
O estoque de condomínios logísticos no raio de 120 km de São Paulo cresceu 7,6 milhões de m² nos últimos sete anos (2020-2026), equivalente a 52% do estoque atual da região.
Nesse panorama, para 2026, a CBRE projeta entrega de 1,8 milhão de m² de novo estoque em São Paulo, 8% do total, com 962 mil m² concentrados no raio de até 30 km e 757 mil m² no raio de até 15 km da capital.
Em nível nacional, a projeção para 2026 é de 3,7 milhões de m² de novo estoque em galpões logísticos, subindo para 4,1 milhões de m² em 2027, o maior volume anual da série histórica da consultoria.
“Para os ocupantes, a decisão imobiliária passa a ser cada vez mais estratégica. Localização, prazo e capacidade de antecipar necessidades de expansão ganham peso em um cenário de baixa disponibilidade. Do outro lado, investidores e desenvolvedores também precisam ser mais criteriosos na alocação de capital, identificando onde existe demanda consistente para sustentar novos projetos. Não se trata apenas de construir mais, mas de entender onde, para quem e em que momento essa nova oferta fará sentido”, pontua Fernando Terra, da CBRE Brasil.