O Ibovespa fechou com uma queda modesta nesta segunda-feira, após uma sessão sem um sinal único, em meio a um ambiente externo ainda negativo e novas pesquisas eleitorais, mas contrapeso positivo de Petrobras, com novo avanço do petróleo no exterior. O índice cedeu 0,26%, a 182.991,13 pontos, após alcançar 181.931,36 na mínima e 184.094,65 na máxima. O volume financeiro no pregão somou R$25,46 bilhões.
Na visão do estrategista-chefe da Eleven Financial, Fernando Siqueira, o mercado aqui está sendo muito pautado pelas eleições.”As últimas notícias são meio neutras, não dá para ter uma definição, uma visão clara de quem é o vencedor”, afirmou. “A semana vai ser bem volátil.”
Pesquisas sobre intenção de votos para a eleição brasileira, que terá o primeiro turno no próximo domingo, seguiram mostrando um cenário acirrado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Palácio do Planalto.
NaBTG/Nexus, Lula aparece com 42% e o Flávio com 37% no primeiro turno da eleição, enquanto, em um potencial segundo turno entre ambos, o petista tem 46% e o candidato do PL registra 44%, dentro da margem de empate técnico.
A Quaest, divulgada pela GloboNews, mostrou Lula e Flávio empatados com 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Lula lidera o primeiro turno com 39% e Flávio soma 34%.
Investidores também repercutiram nesta segunda-feira anúncios realizados pelo governo Lula na última sexta-feira, incluindo a proibição das operações de apostas online no país e o Desenrola Brasil 3.0, um novo programa para ajudar pessoas endividadas.
O analista João Daronco, da Suno Research, afirmou que a semana será bastante ditada pelas pesquisas eleitorais e o cenário externo pode ajudar ou atrapalhar. Nesta sessão, observou, pesou do lado negativo, com a alta do petróleo, que apoia perspectivas piores para inflação, com efeito na curva de juros e na bolsa.
“Se não fosse a Petrobras e as petrolíferas, hoje a bolsa estaria caindo ainda mais”, afirmou. O índice Small Caps, que não tem as ações da Petrobras em sua composição, fechou em queda de 1,2%.
No exterior, o barril do petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de 0,92%, a US$105,28, afastando-se das máximas do dia, quando saltou a US$108,83o barril, em meio ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
Em um contexto de preocupações com a inflação e os próximos passos do Federal Reserve, os rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro norte-americano avançavam a 5,2319% no final do dia , de 5,181% na sexta-feira. Em Nova York, o índice acionário S&P 500 fechou em baixa de 0,77%.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN subiu 1,52% e PETROBRAS ON avançou 1,83%, em pregão positivo para petrolíferas na bolsa, acompanhando o movimento do petróleo no exterior. A exportação de petróleo do Brasil somou até a quarta semana de setembro 10,1 milhões de toneladas, caminhando para bater um recorde histórico mensal que durava mais de três anos, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados nesta segunda-feira.
• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1%, seguindo o viés mais negativo na bolsa como um todo, com investidores também avaliando o impacto do Desenrola Brasil 3.0 no setor. BRADESCO PN recuou 1,23%, BANCO DO BRASIL ON cedeu 0,46% e SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 0,2%. NU, que é listada em Nova York, caiu 10%, tendo ainda no radar notícia de que a instituição está em conversas preliminares para adquirir um banco digital britânico.
• VALE ON subiu 0,55%, resistindo ao declínio dos futuros do minério de ferro na China.
• AZZAS 2154 ON perdeu 5,25%, devolvendo parte da alta de quase 13% na sexta-feira. Investidores seguem especulando sobre potenciais reflexos dareorganização societária anunciada no começo do mês, bem como de eventual transação que envolva a unidade FARM Rio.
• ULTRAPAR ON avançou 2,13%, em pregão de recuperação, após duas quedas seguidas, quando acumulou declínio de 6,4%.
Dólar em alta
O dólar fechou a segunda-feira em alta ante o real e atingiu o maior valor em seis meses, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes e com investidores também reagindo a duas novas pesquisas eleitorais no Brasil.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,83%, a R$5,2264, o maior valor de fechamento desde 30 de março, quando fechou em R$5,2461. No ano, no entanto, a divisa norte-americana ainda apresenta queda de 4,78%.
Às 17h03, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,67% na B3, aos R$5,2285.
A segunda-feira foi marcada pela alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em meio ao impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã, após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter rejeitado no fim de semana um acordo.
Nos mercados de moedas, isso se traduziu no avanço do dólar ante divisas de emergentes como o peso colombiano, o peso mexicano, o peso chileno, o rand sul-africano e o real.
No Brasil, o movimento encontrou suporte ainda em duas novas pesquisas sobre a eleição presidencial de domingo. Levantamento BTG/Nexus mostrou aumento da vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na simulação de segundo turno.
Lula tem 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% de Flávio, de acordo com a pesquisa. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois ainda estão em empate técnico. No levantamento anterior, porém, Lula tinha os mesmos 46% e Flávio somava 45%.
Já a pesquisa Quaest mostrou Lula e Flávio empatados no segundo turno com 42% das intenções de voto. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Uma semana antes, Flávio tinha 42% e Lula somava 41%.
No mercado, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte dos agentes, que enxergam sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias desfavoráveis a Flávio — como a ampliação da vantagem numérica de Lula no segundo turno da pesquisa BTG/Nexus — tendem a trazer um viés de alta para o dólar.
Após marcar a cotação mínima de R$5,1917 (+0,16%) às 9h21, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,2266 (+0,83%) às 12h33, quando as duas pesquisas já haviam sido divulgadas.
Para Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, o avanço do dólar ante o real nesta segunda-feira ocorreu principalmente em função do exterior.
“A semana começou com viés de alta para o dólar globalmente, pressionando o real aqui”, comentou. “Na sequência, veio o cenário eleitoral para contribuir com essa compra de dólares.”
Mais cedo, o Banco Central informou que o Brasil teve déficit em transações correntes de US$5,055 bilhões em agosto, um pouco acima do saldo negativo de US$4,9 bilhões projetados por economistas em pesquisa da Reuters. Na outra ponta, o investimento direto no país (IDP) atingiu US$7,396 bilhões, contra US$6,9 bilhões projetados.
No boletim Focus divulgado pela manhã, a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,20. Já a projeção para a inflação em 2026 passou de 4,92% para 4,99% e em 2027 foi de 4,30% para 4,31%. As expectativas para a taxa básica Selic estão em 13,50% e 12,00% para este e o próximo ano, respectivamente. A taxa básica está atualmente em 13,75%. O dólar à vista encerrou a sessão de sexta-feira com baixa de 0,19%, aos R$5,1834.
Às 17h04, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,05%, a 101,190.