O Paraguai está organizando a expansão de sua indústria a partir de uma rede de 20 polos industriais identificados pelo Ministério da Indústria e Comércio (MIC) em diferentes regiões do país.
Segundo o ministro Marco Riquelme, que comanda a pasta, a estratégia pretende conectar novos investimentos à infraestrutura disponível, às atividades produtivas já existentes, ao potencial de cada região e à disponibilidade de mão de obra.
Os polos fazem parte do Mapa Nacional de Inteligência Competitiva, ferramenta que reúne informações para que investidores possam avaliar as condições de diferentes regiões antes de definir onde instalar um projeto. O instrumento foi desenvolvido com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), considerando as indústrias já existentes, a infraestrutura disponível e as atividades com potencial de desenvolvimento.
A rede de polos industriais identificada inclui o Curso Médio do Rio Paraguai, além das áreas de desenvolvimento industrial de Concepción e San Pedro, o Norte Agroindustrial e da Indústria Florestal, a Terceira Coroa de Assunção e o Polo Sul Agroindustrial e da Indústria Florestal.
Também fazem parte da lista o Corredor Central do Paraná, a Região Metropolitana de Encarnación, Coronel Bogado, o Polo de Misiones, a Região Metropolitana da Tríplice Fronteira, a Região Metropolitana de Assunção e a Segunda Coroa.
A essas regiões somam-se áreas como o Curso Baixo do Rio Paraguai, o Corredor Oeste do Paraná, o Hinterland de Pilar, Pedro Juan Caballero-Bella Vista Norte, Salto del Guairá, o Curso Alto do Rio Paraguai, o Chaco Central e a Grande Assunção-Zona de Reconversão Industrial.
O mapa também reúne dados sobre a população economicamente ativa, o emprego formal registrado e o número de desempregados por distrito. O MIC pretende fazer da disponibilidade de trabalhadores um dos critérios para definir a localização dos projetos e, assim, reduzir o deslocamento de pessoas para outras regiões em busca de emprego.
As projeções
“Ao disponibilizar essas informações, buscamos evitar o deslocamento das pessoas de suas regiões de origem e levar as indústrias e os empregos para onde está a mão de obra. O Mapa Nacional de Inteligência Competitiva oferece informações sobre a população economicamente ativa, a população registrada com emprego formal e a população desempregada por distrito”, explicou o ministro Riquelme.
O ministério não estabelece uma estimativa específica para a criação de empregos diretos nos próximos 24 meses, uma vez que a geração de vagas dependerá do ritmo dos investimentos e do desenvolvimento de cada polo. As informações territoriais têm como objetivo facilitar a tomada de decisões tanto pelas empresas quanto pelas autoridades.
Outra frente é o zoneamento industrial. Atualmente, 48 municípios já contam com zonas industriais aprovadas por seus respectivos conselhos municipais, enquanto os planos de ordenamento urbano e territorial estão em andamento em 33 distritos, com a meta de avançar pelos 263 distritos do país.
A aprovação do uso do solo é responsabilidade de cada governo municipal, enquanto o MIC oferece orientação e assistência técnica. Nos municípios considerados prioritários, a pasta trabalha na identificação das áreas e no levantamento das capacidades produtivas.
“Em relação ao desenvolvimento dos polos mencionados, os mapas serão lançados oficialmente neste mês da indústria, com o objetivo de orientar a instalação ou a reorganização das indústrias de forma ordenada e, assim, aproveitar ao máximo as capacidades e a infraestrutura existentes”, afirmou Riquelme sobre o objetivo da nova ferramenta de planejamento territorial.
Paralelamente, o país conta atualmente com oito parques industriais autorizados. Nesse contexto, o MIC pretende incorporar gradualmente ao registro outros 34 parques, enquanto prepara uma nova Lei de Parques Industriais, que ainda está em fase de elaboração e consulta.
Em relação aos recursos, o MIC não destina uma parcela específica de seu orçamento exclusivamente a esses polos. O desenvolvimento dessas áreas está previsto por meio de programas gerais de assistência a indústrias e investidores, leis de incentivos e articulação com municípios, a ANDE, o MOPC, incorporadoras privadas e outras fontes de financiamento.
A estratégia do governo busca substituir um modelo em que a localização das indústrias é definida caso a caso por um planejamento territorial baseado em dados.
O desafio será transformar os 20 polos identificados e as zonas municipais já aprovadas em áreas dotadas de infraestrutura e condições capazes de atrair investimentos e ampliar a atividade industrial em diferentes regiões do país.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com