1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. “Wellness É uma Avenida de Crescimento”, Diz Diretora da Ambev sobre Estratégia de Negócios
Forbes Money

“Wellness É uma Avenida de Crescimento”, Diz Diretora da Ambev sobre Estratégia de Negócios

Com a produção de cerveja em queda no Brasil, Ambev aposta em produtos premium e novos formatos de venda para crescer; Stella Pure Gold avançou 180% no segundo trimestre

5 min

A produção brasileira de cerveja caiu 8,85% em 2025, mas a fabricação de cervejas sem glúten cresceu 417,7% no mesmo período. É nesse mercado em transformação que a Ambev (ABEV3) busca novas oportunidades de crescimento, com foco em produtos premium, opções com menos calorias e ampliação dos canais de venda. Depois de lançar uma cerveja com proteína, aposta mais recente é levar Stella Pure Gold ao formato de chope em barril, para aumentar a presença da marca em bares e restaurantes.

No segundo trimestre de 2026, Stella Pure Gold registrou crescimento de 180%, segundo dados informados pela Ambev. Já o segmento que reúne produtos associados a escolhas de consumo mais equilibradas avançou mais de 60%.

“O segmento Wellness é uma avenida relevante de crescimento que a Ambev vem ajudando a construir ao longo dos últimos anos, com marcas e inovações que ampliam as possibilidades da categoria”, afirma Anna Paula Alves, diretora de categoria da Ambev, em entrevista à Forbes.

A estratégia acompanha o avanço das marcas de maior valor agregado dentro da companhia. No segundo trimestre, a receita líquida consolidada da Ambev chegou a R$ 20,15 bilhões, crescimento orgânico de 6,1%. O lucro líquido avançou 24,5%, para R$ 3,47 bilhões.

Na operação brasileira de cervejas, o volume vendido aumentou 5%, impulsionado pelo portfólio de maior valor agregado e pela demanda adicional associada à Copa do Mundo, segundo a companhia.

Premiumização ganha peso nos negócios

Enquanto o volume das cervejas tradicionais permaneceu praticamente estável no segundo trimestre, as marcas premium da Ambev registraram crescimento na faixa de 25% no Brasil, de acordo com o balanço da companhia.

A categoria Balanced Choices, que inclui cervejas sem álcool e outras opções associadas à moderação, dobrou de volume no país. Os números indicam um desempenho desigual entre os segmentos do portfólio, com expansão mais acelerada das categorias que a fabricante considera prioritárias.

Para Anna Paula, a diferença também aparece nos canais de venda. As cervejas premium representam cerca de 25% do mercado brasileiro, mas respondem por aproximadamente 35% do volume comercializado pelo Zé Delivery, plataforma de entregas da Ambev.

“A ‘premiumização’ também ilustra essa oportunidade: as cervejas premium representam cerca de 25% do mercado e, no Zé Delivery, aproximadamente 35% do volume. Essa proximidade com o consumidor nos ajuda a entender diferentes preferências e antecipar oportunidades”, afirma.

O aplicativo funciona como canal de vendas e fonte de informações sobre os hábitos de compra. No segundo trimestre, o valor bruto de mercadorias transacionadas pela plataforma cresceu 16%, enquanto o número médio de usuários mensais avançou 6%.

A companhia também utilizou o Zé Delivery para apresentar Michelob Ultra a mais de 250 mil consumidores, segundo o balanço trimestral.

Apesar do crescimento das categorias premium, a Ambev não detalha separadamente quanto cada marca contribui para a receita ou para o lucro da operação brasileira.

Novo barril mira bares e restaurantes

A chegada de Stella Pure Gold ao formato Draft amplia a oferta da cerveja para o consumo fora de casa. A marca já havia lançado uma versão em garrafa de 600 ml, voltada ao consumo compartilhado. Agora, com o barril, a Ambev pretende aumentar sua participação em bares e restaurantes.

A versão em chope mantém a receita da cerveja sem glúten e com menos calorias. Segundo a empresa, a principal diferença está na forma de servir, com uma espuma mais cremosa e persistente.

“A versão em barril preserva a receita, o sabor e os atributos de Pure Gold, uma cerveja sem glúten e com menos calorias”, afirma Camila Fischmann, diretora de marketing de Stella Artois.

Do ponto de vista comercial, a ampliação dos formatos permite à companhia disputar diferentes ocasiões de consumo com a mesma marca. A garrafa de 600 ml é direcionada ao compartilhamento, enquanto o barril abre uma frente de distribuição nos estabelecimentos que trabalham com chope.

A expansão também depende da rede de distribuição da Ambev. A companhia opera o BEES, plataforma de relacionamento e vendas para estabelecimentos comerciais, cujo marketplace registrou crescimento de 87% no valor bruto de mercadorias transacionadas na operação brasileira de cervejas no segundo trimestre.

Mercado encolhe, mas amplia variedade de produtos

A aposta da Ambev ocorre em um momento de retração da produção nacional de cerveja. Segundo o Anuário da Cerveja 2026, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil produziu 15,69 bilhões de litros em 2025, ante 17,21 bilhões no ano anterior.

O movimento, porém, não foi uniforme entre os diferentes tipos de cerveja. A produção das versões sem glúten passou de 71,1 milhões para 367,9 milhões de litros no período. Embora a expansão seja expressiva, os números mostram a evolução da fabricação e não permitem concluir que o consumo tenha aumentado na mesma proporção.

A mudança no perfil da oferta ajuda a contextualizar o interesse das fabricantes por produtos diferenciados. Na Ambev, o portfólio inclui, além de Stella Pure Gold, marcas como Corona Cero, Budweiser Zero e Michelob Ultra.

A diversificação, contudo, não significa necessariamente que esses produtos estejam conquistando consumidores que antes não bebiam cerveja. Parte da expansão pode decorrer da migração entre marcas e categorias dentro do próprio mercado, algo que os indicadores divulgados pela companhia não permitem distinguir.

“Nossa estratégia é ampliar as possibilidades da cerveja, despertando o interesse de novos públicos e oferecendo novas experiências a quem já faz dela parte dos seus encontros”, diz Anna Paula.

O desempenho operacional indica que a fabricante conseguiu crescer em volume no Brasil apesar da retração registrada pela indústria no ano anterior. No segundo trimestre, o Ebitda ajustado da operação brasileira de cervejas avançou 12,8%, com expansão de 1,1 ponto percentual da margem.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.