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Quem É Miguel Krigsner, Fundador do Boticário e 8º Brasileiro Mais Rico

Nascido na Bolívia e filho de judeus que fugiram do nazismo, o empresário construiu o Grupo Boticário a partir de uma pequena farmácia e acumulou R$ 35,7 bilhões

7 min

Em 1977, Miguel Gellert Krigsner abriu uma pequena farmácia de manipulação em uma rua do centro de Curitiba. Quase cinco décadas depois, aquela botica deu origem a um grupo que movimentou R$ 38,1 bilhões em vendas ao consumidor em 2025, reúne algumas das marcas mais conhecidas da indústria brasileira de beleza e ajudou a transformar seu fundador em um dos homens mais ricos do país.

Aos 76 anos, Krigsner aparece na 8ª posição da lista de brasileiros bilionários da Forbes Brasil, com uma fortuna estimada em R$ 35,7 bilhões. O patrimônio cresceu R$ 1,5 bilhão em relação aos R$ 34,2 bilhões estimados no ano anterior, embora o empresário tenha mantido a mesma colocação no ranking.

Sua história, porém, começou muito longe dos shopping centers, das lojas franqueadas e das campanhas publicitárias que transformaram O Boticário em um dos maiores nomes da beleza brasileira.

Krigsner nasceu em La Paz, na Bolívia, em uma família marcada pelas consequências da Segunda Guerra Mundial. Seus pais eram judeus que haviam fugido do nazismo. Quando Miguel tinha 11 anos, a família deixou a Bolívia e se mudou para o Brasil, estabelecendo-se em Curitiba. Foi na capital paranaense que ele construiu praticamente toda a sua trajetória empresarial.

Formado em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1975, Krigsner carregava uma combinação que se tornaria decisiva para o futuro do negócio: formação científica e interesse pela atividade empresarial. Dois anos após se graduar, decidiu abrir sua própria farmácia de manipulação, na Rua Saldanha Marinho, no centro de Curitiba.

O nome escolhido era uma referência aos antigos boticários, farmacêuticos que preparavam medicamentos artesanalmente. Nascia ali O Boticário.

Mas a empresa começou a se transformar quando Krigsner percebeu um padrão entre seus clientes. A maior parte era formada por mulheres, e a demanda abriu uma oportunidade que extrapolava a manipulação de medicamentos. Nos fundos da pequena farmácia, ele passou a desenvolver produtos de cuidados pessoais, preparando cremes faciais à base de algas marinhas e colágeno em uma batedeira de bolos.

O lado farmacêutico encontrou o instinto comercial

As fórmulas ganharam popularidade em Curitiba e, pouco a pouco, a pequena botica deixou de ser apenas uma farmácia de manipulação. Krigsner começava a construir uma empresa de cosméticos em um mercado que, décadas mais tarde, se tornaria um dos mais competitivos e sofisticados do país.

A grande virada viria com outra aposta: a expansão por meio de franquias. Krigsner foi um dos pioneiros do modelo no Brasil e encontrou no franchising uma forma de multiplicar a presença da marca sem precisar reproduzir, sozinho, cada nova operação. A estratégia ajudou O Boticário a avançar para outras cidades e transformou o negócio em uma referência nacional.

Ao longo das décadas, a empresa criou produtos que se tornaram ícones da perfumaria brasileira, como Acqua Fresca e, mais tarde, Malbec. O que havia começado com cremes produzidos artesanalmente evoluiu para uma máquina de desenvolvimento, fabricação, distribuição e varejo de produtos de beleza.

A escala atual dá uma dimensão dessa transformação. O Boticário se tornou a maior rede de franquias do Brasil e construiu uma presença de aproximadamente 3.700 lojas. A marca é líder no mercado brasileiro de perfumaria e está presente em outros 15 países.

Mas a construção da fortuna de Krigsner não veio apenas da expansão de uma única marca. Em 2010, ao lado do cunhado e sócio Artur Grynbaum, ele deu início a uma nova fase ao estruturar o Grupo Boticário, transformando uma companhia centrada em sua marca original em uma plataforma multimarcas de beleza.

Hoje, o grupo reúne nomes como O Boticário, Eudora, Quem Disse, Berenice?, Beautybox, Vult, O.U.i e Beleza na Web, entre outras operações. A estratégia permitiu que a companhia ocupasse diferentes segmentos, faixas de preço e perfis de consumidores, ampliando sua presença muito além da perfumaria que ajudou a construir sua reputação.

A transformação também marcou uma mudança no papel de Krigsner. O empresário deixou gradualmente a gestão executiva do negócio para concentrar-se na estratégia de longo prazo. Atualmente, é presidente do Conselho do Grupo Boticário, posição a partir da qual acompanha uma empresa muito maior, e mais complexa, do que aquela criada em 1977.

O negócio, no entanto, não é sua única aposta empresarial. Ao lado de Grynbaum, Krigsner também investiu na Cia. Tradicional de Comércio, grupo responsável por algumas das redes de bares e restaurantes mais conhecidas de São Paulo, entre elas Pirajá, Lanchonete da Cidade e Bráz Pizzaria. O investimento revela uma característica recorrente em sua trajetória: depois de transformar uma pequena operação em uma grande plataforma empresarial, Krigsner passou a diversificar sua atuação para outros negócios ligados ao consumo e a marcas de forte identidade.

Seu legado também inclui iniciativas fora do universo estritamente empresarial. Em 1990, criou a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, voltada à conservação ambiental e uma das principais iniciativas brasileiras de investimento privado nessa área. Anos depois, em 2004, criou o Instituto Grupo Boticário, com foco em iniciativas de desenvolvimento social, projetos incentivados e espaços culturais. Krigsner preside o Conselho Curador da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

A preocupação com o impacto da empresa sobre o ambiente e a sociedade passou, assim, a integrar a própria construção do grupo – um aspecto que acompanha a trajetória do empresário desde muito antes de sustentabilidade se tornar uma palavra obrigatória nos relatórios corporativos.

Em 2025, Krigsner também acrescentou um prêmio literário à sua trajetória. Seu livro, “A Essência de Empreender”, venceu o Prêmio Jabuti na categoria Negócios. A obra revisita a experiência de quem começou com uma pequena farmácia de manipulação e terminou à frente de um dos maiores ecossistemas de beleza do mundo.

É uma trajetória que ajuda a explicar sua posição entre os maiores patrimônios do Brasil. A fortuna de Krigsner é resultado de uma empresa que soube se reinventar diversas vezes: primeiro, ao perceber que uma farmácia poderia vender mais do que medicamentos; depois, ao apostar em franquias quando o modelo ainda era incipiente no país; e, mais tarde, ao deixar de ser uma marca para se transformar em um grupo com diferentes negócios, canais e públicos.

Metodologia

A lista Forbes Bilionários Brasileiros considera várias fontes para apontar que alguém atingiu a fortuna de R$ 1 bilhão ou mais. A informação mais importante são as ações listadas em bolsa, com base na cotação de fechamento de 30 de junho de 2026. Além de públicos, esses dados são oficiais e auditados. Uma vez que a lista considera apenas as informações públicas, os patrimônios podem estar subestimados. Na maioria dos casos não são considerados itens como imóveis, obras de arte, aviões ou embarcações, exceto se o participante da lista concordar em fornecer dados confiáveis sobre eles. Dependendo do caso, o patrimônio de irmãos ou familiares pode ser consolidado ou separado. Sugestões e observações, escreva para [email protected]

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