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Canetas Emagrecedoras Já Representam 11% da Receita de Grandes Redes de Farmácias no Brasil

Aprovação de genéricos, entrada de novos fabricantes e expansão do uso para controle de peso devem fazer a receita da categoria crescer 70% neste ano

3 min

Se fosse só para o tratamento de diabetes já seria um grande negócio. Some a isso a evolução para o controle de peso em geral, a entrada de novos players e a quebra da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, em março, que está levando à aprovação das primeiras versões genéricas. Resultado: o conjunto de medicamentos GLP-1, as canetas emagrecedoras, já representa 11% de toda a receita de grandes redes de farmácias no Brasil. E tudo indica que estamos só no começo da história.

A batalha das moléculas

Em valores, as vendas somaram R$ 4 bilhões entre maio e julho de 2026. A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, respondeu por 68,3%; a semaglutida, princípio ativo do Ozempic, por 31%; e a liraglutida, princípio ativo do Saxenda*, por 0,8%.

Em unidades, foram 3,1 milhões entre maio e julho de 2026. A tirzepatida representou 50,1% das vendas; a semaglutida, 47,3%; e a liraglutida, 2,5%.

*Da Novo Nordisk e de opções mais recentes da EMS.

Fonte: Close-Up International.

A disputa dos fabricantes

O mercado cresce, mas a disputa por espaço é acirrada. Segundo a Close-Up International, empresa de análise de dados e auditoria voltada para a indústria farmacêutica, as vendas de medicamentos GLP-1 no último ano foram impulsionadas pela tirzepatida, princípio do Mounjaro, lançado no Brasil em maio de 2025. A Lilly informou à Forbes Brasil que sua expectativa é mais que dobrar a receita da afiliada brasileira em 2026 na comparação com 2025. Segundo a companhia, os produtos lançados recentemente, principalmente o Mounjaro, já respondem por mais de 90% da receita e chegam a quase 3 milhões de pacientes.

Outro destaque é a EMS, que colocou no mercado em junho a primeira caneta de semaglutida sintética produzida no Brasil, o Ozivy. “O posicionamento de preço agressivo, somado a uma estratégia de distribuição bem definida e a uma promoção médica bem-feita, permitiu não só a chegada do produto nas farmácias corretas, mas também o incremento de acesso pela prescrição de médicos que antes não atuavam com a molécula”, diz Christian Carvalho Becker, general manager da Close-Up International Brasil.

Ele destaca o potencial da ampliação de acesso à categoria. “Ainda há uma concentração desses produtos em poucas farmácias (12 mil das 95 mil no Brasil) devido a desafios de armazenamento, logística e custo.”

Fabricante do Ozempic e do Wegovy, a dinamarquesa Novo Nordisk perdeu a patente da semaglutida em março e agora coloca fichas no crescimento de mercado pela adoção de medicamentos no sistema público. Ela propõe a incorporação de seu Wegovy, com 59% de redução no preço, para um grupo de alto risco: adultos com 45 anos ou mais, sem diabetes, com obesidade e histórico de infarto do miocárdio.

Participação dos fabricantes

Em agosto de 2025, a Lilly detinha 51,1% do mercado, enquanto a Novo Nordisk tinha 47,7%. O total movimentado era de R$ 896 milhões.

Em agosto de 2026, a Lilly passou a responder por 69,1% do mercado. A Novo Nordisk tinha 9,5%, a Eurofarma, 12%, e a EMS, 9,4%. O total chegou a R$ 1,265 bilhão.

Fonte: Close-Up International.

*Reportagem publicada na edição 145 da Forbes Brasil

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