O estoque de empréstimos e financiamentos no Brasil chegou a R$ 7,4 trilhões em setembro, alta de 0,4% em relação a agosto, segundo dados do Banco Central (BC). Em 12 meses, o volume de crédito acumulou expansão de 8,6%, abaixo dos 9,4% registrados até agosto, sinalizando uma desaceleração no ritmo de crescimento do mercado.
O avanço foi impulsionado principalmente pelas operações destinadas às famílias, cujo saldo de crédito somou R$ 4,7 trilhões no mês. Entre as empresas, o estoque chegou a R$ 2,8 trilhões. Na comparação anual, o crédito às pessoas físicas cresceu 9,9%, enquanto o financiamento às companhias avançou 6,5%.
A diferença indica que as famílias seguem como o principal motor da expansão do crédito no país. O movimento ocorre em um ambiente de juros elevados, que encarecem os empréstimos, mas não impediram o aumento do saldo de financiamentos e outras operações bancárias.
Crédito às famílias avança com consignado e veículos
Entre as pessoas físicas, parte do crescimento mensal veio dos empréstimos consignados e dos financiamentos de veículos. No consignado, as parcelas são descontadas diretamente do salário ou do benefício previdenciário, o que reduz o risco de inadimplência para os bancos e permite condições de financiamento diferentes das oferecidas em linhas sem garantia de pagamento.
Já o financiamento de veículos permite ao consumidor parcelar a compra de um automóvel, enquanto amplia o volume de recursos movimentados no sistema financeiro. O desempenho dessas modalidades contribuiu para sustentar a expansão do crédito destinado às famílias.
Apesar do crescimento do estoque, o volume de novas concessões não avançou de maneira uniforme. Em setembro, o total de crédito concedido a pessoas físicas e empresas, com ajuste sazonal, caiu 1,3% em relação a agosto. Entre as companhias, a retração foi de 3,4%. Para as famílias, houve alta de 0,6%.
A diferença entre o estoque e as concessões é importante para entender o mercado. O estoque representa o saldo das operações de crédito em aberto, enquanto as concessões medem o dinheiro efetivamente emprestado em determinado período. Assim, o saldo total pode continuar crescendo mesmo quando o volume de novos empréstimos diminui, porque também depende dos pagamentos e da amortização das dívidas anteriores.
Empresas recorrem à antecipação de recebíveis
No segmento empresarial, o crédito livre foi impulsionado mensalmente pela antecipação de recebíveis. Nesse tipo de operação, uma companhia recebe antecipadamente valores que teria a receber no futuro, como pagamentos de vendas realizadas a prazo.
O mecanismo permite reforçar o caixa sem esperar o vencimento das faturas e pode ajudar empresas a financiar estoques, pagar fornecedores e cobrir despesas operacionais. Em contrapartida, a antecipação tem um custo financeiro, que varia conforme as condições da operação.
O saldo de crédito destinado às empresas somou R$ 2,8 trilhões em setembro. Em 12 meses, o crescimento de 6,5% ficou abaixo do observado entre as famílias, de 9,9%, evidenciando a diferença de ritmo entre os dois segmentos.
Juros elevados encarecem as operações
A expansão do crédito ocorre em um cenário de custo elevado do dinheiro. Em setembro, a taxa média de juros das novas operações chegou a 32,4% ao ano. Nas modalidades de crédito livre, em que os bancos têm autonomia para definir as taxas, a média foi de 49% ao ano. Para as pessoas físicas, alcançou 62,4%.
Entre as modalidades mais caras está o cartão de crédito rotativo, utilizado quando o consumidor não paga integralmente a fatura e financia o saldo restante. Em setembro, a taxa média dessa linha subiu 6,8 pontos percentuais em relação a agosto.
Para as empresas, a taxa média de juros do crédito livre ficou em 24,4% ao ano. O custo dos financiamentos influencia as decisões de investimento e de capital de giro, já que empréstimos mais caros elevam as despesas financeiras e podem limitar a capacidade de expansão dos negócios.
Mesmo com essas condições, o saldo total de crédito continuou aumentando em setembro. A desaceleração do crescimento anual, contudo, indica que a expansão perdeu intensidade em relação ao mês anterior, em um ambiente no qual o custo dos financiamentos permanece elevado.
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