A Fundação Rockefeller e seus parceiros propuseram, nesta quarta-feira, uma iniciativa para ajudar países em desenvolvimento altamente endividados a obter novos recursos para impulsionar o crescimento de suas economias, realizar os investimentos necessários e atrair fluxos de capital privado.
Três importantes especialistas em desenvolvimento afirmaram que a nova iniciativa “Growth and Investment Reset” (Restabelecimento do Crescimento e do Investimento) tem como objetivo evitar uma grave crise de endividamento em mais países de renda baixa e média-baixa, por meio da coordenação dos esforços do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial, de credores oficiais bilaterais e de credores privados.
O objetivo é injetar financiamento acessível em países sobrecarregados por altos níveis de endividamento e impedir que eles utilizem empréstimos multilaterais a juros baixos para saldar dívidas com credores bilaterais, como a China, afirmaram os autores em um artigo publicado nesta quarta-feira.
O objetivo deles é garantir os acordos políticos necessários e avançar no âmbito do G20, que será liderado pelo Reino Unido no próximo ano, após a presidência dos EUA neste ano.
“Os países em desenvolvimento estão enfrentando encargos com juros sem precedentes, que impedem investimentos essenciais. Sem medidas urgentes, a situação vai piorar”, afirmaram os autores. “Uma onda de empréstimos externos de baixo custo da era da Covid está chegando ao vencimento justamente quando os custos dos empréstimos dispararam.”
A proposta surge poucos dias antes das reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, na próxima semana, em Bangcoc, onde serão discutidos os inúmeros desafios enfrentados pelos países em desenvolvimento — incluindo um super El Niño, altos custos de energia, uma queda acentuada na ajuda oficial ao desenvolvimento e custos crescentes de endividamento.
Christina Segal-Knowles, alta funcionária do governo do ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden e uma das autoras do artigo, disse que os pagamentos de juros agora ultrapassam, em média, 10% da receita nos países em desenvolvimento. Eles superaram os gastos com investimento público em 10 países.
Cerca de 40 países com níveis sustentáveis de endividamento seriam elegíveis para a iniciativa, disse Segal-Knowles, embora a reestruturação da dívida ainda seja necessária para alguns países.
Os outros autores são Mary Svenstrup, também alta funcionária do governo Biden, e Masood Ahmed, ex-alto funcionário do FMI e do Banco Mundial e ex-diretor do Center for Global Development, um think tank com sede em Washington.
A proposta deles prevê que o FMI crie um programa específico para injetar quantias significativas de financiamento de longo prazo em países pré-selecionados, em coordenação com os empréstimos e garantias do Banco Mundial. Isso se somaria aos empréstimos regulares.
O plano também prevê que credores oficiais bilaterais, como a China, concordariam em rolar a dívida dos países participantes da iniciativa.
Isso alavancaria garantias ampliadas do Banco Mundial e de outros bancos multilaterais de desenvolvimento, ajudando os países a refinanciar empréstimos de credores privados nos casos em que a dívida for insustentável.
O Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Africano de Desenvolvimento têm fornecido garantias para trocar dívidas existentes de alto custo ou reduzir o custo de novas dívidas.