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“Fui Taxado de Maluco”, Diz Marciano Testa sobre Criar um Hub de Inovação e Educação no Rio Grande do Sul

As startups participantes dos programas de tração do hub do Instituto Caldeira negociaram R$ 83 milhões em rodadas abertas de captação em 2025

4 min

O Instituto Caldeira, localizado no estado do Rio Grande do Sul e idealizado pelo bilionário brasileiro Marciano Testa, fundador do Agibank, nasceu da dor de empreender no Brasil. Ele, que começou a jornada empreendedora aos 16 anos de idade, sentiu na pele como a falta de apoio e de um ambiente propício para negócios tornou tudo mais difícil.

“A minha minha curva de aprendizado foi um pouco mais longa. Eu acredito que se eu tivesse tido a mentoria correta no início, o acompanhamento e um ecossistema que proporcionasse o empreendedorismo, talvez, a minha curva teria sido muito mais acelerada”, disse em entrevista exclusiva para a Forbes Brasil.

Fundado em 2021 por uma associação de 42 empresas brasileiras como Renner, Gerdau e Tramontina, o Instituto Caldeira se apresenta como um hub privado e sem fins lucrativos de inovação, negócios e educação. Sua receita operacional atingiu R$ 45,8 milhões em 2025, um crescimento de 32% em relação ao exercício anterior (R$ 34,7 milhões).

Semana Caldeira 2026. Crédito: Instituto Caldeira

Testa se lembra do momento em que apresentou a ideia para outros empresários em uma reunião, onde hoje é a sede do Instituto Caldeira. Naquele endereço, havia uma fábrica desativada das Lojas Renner. “Eu fiz a primeira reunião lá e convidei 40 empresários. Era uma noite de inverno sem energia elétrica, um frio absurdo. Falei: “Gente, aqui nós vamos encontrar um ecossistema de rotação pujante. Eu fui taxado de maluco, no início.”

Devido a sua posição geográfica, o RS é historicamente afetado por eventos climáticos e tem o agronegócio como um dos pilares da sua economia. O desenvolvimento e a retenção de talentos empreendedores são desafios históricos do estado. “O Caldeira tem a missão de acelerar o aprendizado e reter talentos. Eu vi que a gente tinha uma evasão muito grande de talentos. Ou as pessoas saíam, largavam seus empregos porque não viam ali oportunidades, ou o próprio empreendedor escolhia outro estado para empreender.”

Hoje, o Instituto e sua rede representam 15% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do ano passado. Já são mais de 550 empresas associadas, sendo 37% de PMEs, 20% grandes corporações, 20% startups e o restante formado por entidades e setor público.

Para além do impulso econômico na região, o Caldeira possui um braço educacional. Por meio de cursos, palestras e trilhas de aprendizado, 40 mil jovens de escolas públicas foram capacitados no instituto. O programa Geração Caldeira é um exemplo e prepara jovens para o mercado de trabalho e para a “Nova Economia”, centrada na tecnologia e na disrupção digital. 

“A gente impacta mais de 25 mil jovens a cada aplicação [anual] com o suporte das grandes big techs americanas que dão todo o processo de trilha de conhecimento, conteúdo, professores, patrocínio para que a gente possa educar esses jovens, tanto para ir para o mercado de trabalho, trabalhar nas empresas que usam essas ferramentas, como dar a possibilidade desse jovem empreender, utilizando esses conhecimentos para empreendedorismo”, disse Testa.

Para ele, o sucesso do instituto é formar e reter talentos. Hoje, o ecossistema já recebe jovens de outras cidades e estados. O programa gratuito, tem foco em jovens de 16 a 24 anos, já formou 650 alunos e empregou 450 em empresas parceiras.

Da esquerda para direita: Pedro Valério, CEO do Instituto Caldeira e Marciano Testa, idealizador do projeto. Crédito: Instituto Caldeira

Ecossistema de startups

O Instituto Caldeira reúne atualmente uma rede de cerca de 700 startups, das quais 148 passaram por programas de aceleração em 2025, distribuídos em sete turmas.

As startups acompanhadas pelo Invest Match, programa que aproxima empresas de investidores, somaram R$ 48 milhões em faturamento anual, segundo o instituto.

Na frente de captação de recursos, as startups participantes dos programas de crescimento negociaram R$ 83 milhões em rodadas de investimento em 2025. O volume de oportunidades de captação em negociação, conhecido como pipeline, cresceu 20% em relação ao ano anterior.

O instituto também aproxima startups de grandes empresas por meio do Conecta Caldeira. Em 2025, o programa atraiu 437 startups, incluindo 13 participantes internacionais de seis países, para desenvolver soluções para 15 demandas apresentadas por companhias como Gerdau, John Deere e CMPC.

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