Os economistas americanos Robert E. Hall, de 83 anos, e Michael Woodford, de 71, ganharam o Nobel de Economia de 2026 por pesquisas que mudaram a forma como bancos centrais e governos tomam decisões para combater a inflação e enfrentar crises. O prêmio foi anunciado nesta segunda-feira (12) pela Real Academia Sueca de Ciências.
Hall, professor da Universidade Stanford, e Woodford, da Universidade Columbia, desenvolveram modelos que permitem avaliar como famílias e empresas reagem às mudanças nos juros, nos impostos e nos gastos públicos. As pesquisas ajudam a explicar por que determinadas medidas conseguem estimular a economia, enquanto outras podem provocar inflação ou aprofundar uma recessão.
Os dois vão dividir o prêmio de 12 milhões de coroas suecas. Segundo a academia, os trabalhos contribuíram para melhorar a capacidade de governos e bancos centrais de reduzir as oscilações da atividade econômica.
Quem é Robert E. Hall
Nascido em 1943, em Palo Alto, na Califórnia, Robert E. Hall construiu sua carreira estudando como as decisões das famílias afetam a economia. Formado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde concluiu o doutorado em 1967, tornou-se professor da Universidade Stanford.
Uma de suas principais contribuições surgiu em 1978, quando publicou um estudo sobre a relação entre renda e consumo. Até então, os modelos econômicos consideravam que um aumento na renda levaria as famílias a gastar mais. Hall mostrou que essa relação não era tão simples.
O economista demonstrou que as pessoas também levam em conta o que esperam ganhar no futuro. Uma família que recebe um aumento temporário de renda, por exemplo, pode decidir guardar o dinheiro em vez de ampliar imediatamente seus gastos.
A descoberta ajudou a explicar por que medidas de estímulo econômico nem sempre produzem os efeitos esperados pelos governos.
Em 1982, Hall publicou um estudo com o economista Fredric Mishkin que reforçou a importância dessa relação. A pesquisa mostrou que cerca de 80% das famílias analisadas apresentavam um comportamento de consumo compatível com a teoria. O restante dependia mais diretamente da renda disponível no momento.
Seus estudos ganharam importância em um período em que os economistas buscavam respostas para as crises da década de 1970, marcadas pela combinação de inflação elevada, desemprego e baixo crescimento. Os modelos utilizados até então não conseguiam explicar adequadamente esse cenário.
Hall ajudou a desenvolver uma nova maneira de analisar a economia, partindo das decisões individuais de consumidores e empresas para compreender o comportamento do país como um todo.
Quem é Michael Woodford
Michael Woodford nasceu em 1955, em Chicopee, no estado americano de Massachusetts. Assim como Hall, estudou no MIT, onde concluiu o doutorado em 1983. Atualmente, é professor da Universidade Columbia, em Nova York.
Woodford dedicou parte importante de sua carreira a estudar como as decisões dos bancos centrais influenciam a inflação, o consumo e os investimentos.
Seu trabalho mostrou que a expectativa sobre o comportamento dos juros pode ser tão importante quanto a própria decisão de aumentar ou reduzir as taxas.
Quando um banco central sinaliza que pretende manter os juros elevados, por exemplo, empresas podem adiar investimentos e famílias podem reduzir o consumo, mesmo antes de uma nova decisão sobre a taxa.
Em 2003, Woodford publicou uma obra que se tornou referência no estudo da política monetária. O livro reuniu pesquisas sobre o comportamento dos consumidores, a formação de preços pelas empresas e os efeitos das decisões dos bancos centrais.
O economista ajudou a consolidar os chamados modelos novo-keynesianos, que passaram a ser utilizados por autoridades monetárias para avaliar como mudanças nos juros afetam a economia.
Uma de suas contribuições foi mostrar a importância da comunicação dos bancos centrais. Quando a autoridade monetária consegue transmitir com clareza suas intenções, pode influenciar as expectativas de consumidores e empresas e, com isso, os rumos da inflação.
Como os trabalhos mudaram a política econômica
As pesquisas de Hall e Woodford contribuíram para uma mudança na forma como governos e bancos centrais enfrentam períodos de crise.
Durante décadas, os economistas utilizaram modelos baseados principalmente em relações históricas entre inflação, desemprego, produção e consumo. O problema ficou evidente na década de 1970, quando países desenvolvidos passaram a enfrentar inflação elevada mesmo com desemprego e crescimento fraco.
Os estudos dos dois economistas ajudaram a reconstruir esses modelos, incorporando o comportamento das famílias e empresas e suas expectativas sobre o futuro.
Hall mostrou como essas expectativas influenciam o consumo. Woodford avançou na compreensão de como as decisões dos bancos centrais afetam a formação de preços e o comportamento da economia.
As contribuições deram origem a ferramentas utilizadas por bancos centrais e ministérios da Fazenda em diferentes países. Esses modelos ajudam a avaliar quando é necessário elevar os juros para conter a inflação ou reduzi-los para estimular a atividade econômica.
Segundo a Real Academia Sueca de Ciências, as pesquisas também foram importantes para as respostas econômicas à pandemia e às crises recentes de energia.
Os modelos não eliminaram as recessões nem os períodos de inflação elevada, mas permitiram aperfeiçoar as medidas adotadas para reduzir seus efeitos.
O prêmio reconhece justamente essa contribuição. Os dois economistas ajudaram a transformar pesquisas sobre decisões individuais em ferramentas usadas na condução da política econômica mundial.