O Ibovespa, principal índice da B3, opera em forte queda nesta terça-feira (3), no primeiro pregão após o feriado. Por volta das 14h, o indicador recuava 1,65%, aos 165.153,88 pontos.
Nos últimos 5 pregões, desde o resultado do segundo turno das eleições, o índice acumulou desvalorização de 18,12%. A queda se aproxima da registrada em março de 2020, no início da pandemia de Covid-19, quando o Ibovespa recuou 18,88% em uma única semana.
Segundo Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, a pressão sobre a Bolsa está diretamente relacionada à expectativa para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que deve manter a Selic em 13,75% ao ano.
Na avaliação de Teles, a ausência de anúncios do governo Lula sobre a composição da equipe econômica e os rumos da política fiscal reforça a percepção de que os juros permanecerão elevados. “Enquanto não houver nenhuma sinalização mais clara sobre a política fiscal ou um nome para o Ministério da Fazenda, o mercado fica receoso e isso consequentemente afasta o capital estrangeiro”, afirma.
Em relação à condução da política econômica, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que ainda não teve a oportunidade de conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o Banco Central. Segundo ele, as nomeações seguem critérios técnicos e contemplam diferentes perfis.
As expectativas para a trajetória dos juros também foram revistas pelo mercado. No Boletim Focus divulgado nesta terça-feira, os analistas elevaram a projeção para a Selic ao final de 2026 de 13,25% para 13,50%. Para o fim de 2027, a estimativa passou de 11,75% para 12,50%.
André Matos, CEO da MA7 Capital, observa que as projeções anteriores do Focus apontavam juros menores, mesmo com uma inflação mais elevada, porque incorporavam a expectativa de um resultado eleitoral diferente, que abriria espaço para um ajuste nas contas públicas. “O primeiro Focus depois da eleição mostra que o mercado abandonou o cenário de ajuste fiscal que vinha precificando”, afirma. “Sem um sinal fiscal claro, não seria surpresa a Selic terminar 2027 entre 13,75% e 14,5%”, acrescenta.
Na avaliação de Matos, para que a Selic recue a 10% em 2028, o governo precisaria reverter o déficit primário e apresentar uma trajetória crível de superávits crescentes. Isso exigiria a revisão de despesas obrigatórias e benefícios tributários, com a meta de alcançar um superávit próximo de 2% do PIB, patamar necessário para estabilizar a dívida pública.
De acordo com Rodrigo Moliterno, sócio e head de renda variável da Veedha Investimentos, o mercado já desmonta posições preocupado com a política fiscal futura. “A teoria da redução forçada de juros para diminuir o impacto da dívida pública no montante, trás bastante desconforto pro mercado. Principalmente para o investidor estrangeiro, que vê isso como uma situação ruim.”
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