1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Forbes Real Estate
  6. /
  7. Bridgepoint Dispara 16% após Compra da Kayne Anderson Real Estate por R$ 7,2 Bilhões
Forbes Real Estate

Bridgepoint Dispara 16% após Compra da Kayne Anderson Real Estate por R$ 7,2 Bilhões

Aquisição mira o aquecimento de setores imobiliários especializados nos EUA, como moradias para idosos, estudantes e centros médicos

5 min

A Bridgepoint, gestora de private equity do Reino Unido, anunciou a compra da Kayne Anderson Real Estate pela cifra de US$ 1,39 bilhão (R$ 7,2 bilhões) nesta segunda-feira (29).

Em comunicado, a Bridgepoint sinaliza que a compra eleva o total de ativos sob gestão (AuM, na sigla em inglês) do grupo para US$ 117 bilhões, distribuídos em cinco verticais, private equity (US$ 40 bilhões), infraestrutura (US$ 30 bilhões), imóveis (US$ 22 bilhões), crédito (US$ 21 bilhões) e secundários (US$ 4 bilhões).

O mercado reagiu positivamente à notícia da compra da Kayne Anderson Real Estate. As ações da Bridgepoint saltam 16% na bolsa de Londres por volta das 16h (horário de Brasília).

A conclusão da operação está prevista para o fim deste ano, ainda sujeita à aprovação dos acionistas da Bridgepoint, a liberações regulatórias e ao consentimento dos fundos envolvidos.

Segundo informações da gestora, os acionistas que detêm 36% do capital já se comprometeram a votar a favor.

A Kayne Anderson é uma gestora americana de investimentos alternativos fundada na década de 1980, com forte atuação nos mercados de energia, infraestrutura, crédito e imobiliário.

Sua divisão de real estate, fundada há 19 anos, opera com foco em setores imobiliários considerados especializados, como escritórios médicos, moradias para idosos (seniors housing), moradias estudantis, habitação multifamiliar e galpões industriais leves (light industrial).

A empresa adota uma estratégia de investir em setores com tendências demográficas favoráveis e gestão operacional mais complexa, buscando gerar retornos ajustados ao risco para investidores institucionais e de alta renda.

A plataforma tem US$ 22 bilhões em AuM, cerca de US$ 40 bilhões em valor bruto de ativos e equipe de aproximadamente 100 profissionais de investimento e operações. A sede está localizada em Boca Raton, na Flórida.

A estrutura da Kayne Anderson Real Estate inclui estratégias de equity e dívida. No lado do equity, são cerca de US$ 17 bilhões em AUM, com estratégias value-add e core.

No lado da dívida, são cerca de US$ 5 bilhões, com fundos fechados e abertos de crédito imobiliário, incluindo origination direta e produtos estruturados como SASB e CMBS.

O fundo principal da gestora, o KAREP VII, teve fechamento em 15 de maio de 2026 com US$ 5,12 bilhões em compromisos — praticamente o dobro do fundo anterior, o KAREP VI, que tinha US$ 2,75 bilhões.

Desde janeiro de 2024, a Kayne Anderson Real Estate captou cerca de US$ 10 bilhões. O AuM da empresa cresceu a um CAGR de aproximadamente 20% entre 2019 e 2026, contra 10% do mercado imobiliário privado como um todo no mesmo período.

Desde 2020, a plataforma implantou cerca de US$ 40 bilhões em capital e distribuiu aproximadamente US$ 12 bilhões aos investidores.

Os detalhes sobre a compra da Kayne Anderson Real Estate

Do total, serão 55% pagos em dinheiro (US$ 759 milhões) e 45% em ações (189 milhões de papéis, equivalentes a US$ 634 milhões).

A transação ainda prevê até 102,5 milhões de ações adicionais a serem emitidas em 2030, condicionadas ao cumprimento de metas de captação.

Demanda aquecida

A KARE argumenta que os quatro setores em que atua têm demanda crescente e oferta em queda, o que cria condições favoráveis para retornos.

No segmento de escritórios médicos, a plataforma é a maior proprietária de imóveis médicos ambulatoriais dos Estados Unidos.

São aproximadamente 1,1 mil propriedades, 50 milhões de pés quadrados e US$ 18 bilhões em custo bruto de transações.

A parceria exclusiva com a Remedy Medical Properties viabiliza a operação. A demanda é impulsionada pelo crescimento da população com 65 anos ou mais, que deve passar de 63 milhões em 2025 para 78 milhões em 2040, alta de 123%. Do lado da oferta, os starts de escritórios médicos caíram 33% em relação ao pico de 2017.

Em seniors housing, a KARE opera 113 propriedades com 15,5 mil unidades e US$ 5,4 bilhões em custo de transações, focando em ativos Classe A+ com pagamento privado (sem Medicare ou Medicaid).

A população com 80 anos ou mais — grupo mais diretamente correlacionado à demanda por essa modalidade — deve crescer 200% entre 2000 e 2040, chegando a 27 milhões de pessoas. Os starts de seniors housing caíram 77% desde o pico de 2017.

Em moradia estudantil, são 126 propriedades, 81,3 mil leitos e US$ 9,4 bilhões em custo de transações, com foco em ativos Classe A/A+ próximos a universidades das conferências Power-4 (Big 10, SEC, ACC e Big 12). As entregas de novas unidades estudantis caíram 47% desde o pico.

O timing da compra da Bridgepoint

A Bridgepoint justifica o timing da aquisição pelo que chama de “ponto de inflexão do ciclo”.

Os valores de imóveis comerciais nos EUA caíram entre 20% e 25% do início de 2022 ao fim de 2023, e desde então se recuperaram cerca de 8%, enquanto S&P 500 e bonds corporativos estão perto de máximas históricas.

A combinação de starts em queda, menor competição por ativos e capital institucional acumulado sinaliza, segundo a Bridgepoint, uma janela de entrada favorável.

O mercado global de imóveis privados deve crescer de US$ 1,6 trilhão em 2023 para US$ 2,7 trilhões em 2027. A alocação-alvo de LPs para imóveis cresceu 20% desde 2013. Os setores especializados saíram de 4% para 15% do índice NFI-ODCE entre 2018 e 2025.

A Bridgepoint projeta um acréscimo de lucro por ação (EPS, na sigla em inglês) em um dígito percentual médio no ano que vem, e superior a 20% no ano de 2028.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.