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O Motivo Que Faz Executivos da Construção Civil Evitarem Riscos Segundo a KPMG

Líderes globais de engenharia projetam crescimento, mas alertam para os impactos da cautela excessiva frente a incertezas econômicas e gargalos

4 min

Ao mesmo tempo que a maioria dos executivos e empresários do ramo da construção civil mostram otimismo, paradoxalmente, também estão mais avessos ao risco — postura que deve motivar mais cautela e decisões mais conservadoras dentro da indústria, globalmente falando.

A informação consta na 15ª edição do Global Construction Survey, relatório da KPMG. A companhia reuniu dados de 375 líderes do setor de engenharia, construção e imóveis, coletados por meio de pesquisas online entre janeiro e março, e entrevistou mais de uma dúzia de especialistas da KPMG e executivos do mercado para complementar a base de informações.

Esta edição do relatório é justamente chamada de “paradoxo do progresso” por conta dessa ambivalência.

Dos números ouvidos e dos dados coletados, 71% declaram otimismo com os rumos da construção civil em nível global, representando crescimento em relação aos 66% vistos na edição anterior. Em simultâneo, 75% dizem estar mais avessos aos riscos do que há 12 meses atrás.

A KPMG chama o fenômeno de “risk delta“, descrevendo esse crescente descompasso entre o aumento dos riscos enfrentados pelas empresas de construção e a redução da disposição do setor em assumi-los.

O otimismo está atrelado ao crescimento da indústria, impulsionado pela demanda por infraestrutura, ao passo que a aversão ao risco é fortemente motivada pelas incertezas econômicas, gargalos na cadeia de suprimentos e novas exigências regulatórias.

Segundo a consultoria, essa postura mais cautelosa ajuda a proteger margens no curto prazo, mas pode frear investimentos.

“Embora isso possa proteger margens e reduzir a exposição no curto prazo, também corre o risco de desacelerar a inovação, atrasar a adoção de tecnologia e restringir a expansão para novos mercados, enfraquecendo a competitividade no longo prazo”, diz a KPMG.

O levantamento mostra os setores com maior expectativa de crescimento da demanda nos próximos 12 a 24 meses:

  • Água e utilidades: 91%
  • Geração de energia verde: 89%
  • Projetos de infraestrutura: 89%
  • Transporte: 88%
  • Armazenagem e logística: 84%
  • Residencial: 84%
  • Lazer e hospitalidade: 80%
  • Habitação social: 79%
  • Ciências da vida: 78%
  • Varejo: 75%
  • Escritórios: 73%
  • Geração de energia por combustíveis fósseis: 73%

As três conclusões da KPMG para o setor de construção civil

O relatório encerra com três conclusões que a KPMG posiciona como centrais para a próxima fase do setor.

A primeira é que a transformação passa a ser um imperativo de negócio. Agora, a necessidade de transformação setorial não é mais abstrata. A complexidade crescente e as demandas regulatórias estão forçando mudanças cada vez mais urgentes.

O risco não é mais gerenciado apenas por buffers — ele agora depende de disciplina operacional, vantagem digital, entrega ágil e integração de sustentabilidade.

O segundo ponto trazido pelo relatório é que tecnologia e pessoas são o motor do crescimento do ramo. A capacidade da força de trabalho e a capacidade tecnológica emergem como os propulsores de desempenho mais relevantes.

Deste modo, eficiência operacional, presença de mercado e resiliência só avançam se a transformação de força de trabalho e a tecnologia avançarem juntas.

Por fim, a última conclusão é que a entrega adaptativa é a nova licença para operar — e sustentabilidade e transformação nos modelos de entrega são centrais para captar capital, atrair talentos e acessar mercados futuros.

Assim, organizações que não evoluírem seus modelos de entrega e não os integrarem com pessoas e tecnologia correm o risco de ficarem para trás.

América do Norte concentra otimismo

Geograficamente, a percepção de crescimento é bem distribuída. Há otimismo global, mas com variações regionais.

O otimismo é mais forte na América do Norte (77%), seguida por Europa, Oriente Médio e África (76%), Ásia-Pacífico (74%) e América do Sul (71%).

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