A Americanas (AMER3) avançou na venda de três imóveis localizados no Rio de Janeiro, em uma operação de alienação que ocorre no âmbito da sua recuperação judicial.
Os imóveis que serão vendidos pela Americanas estão localizados nos bairros de Laranjeiras, Tijuca e Freguesia do Engenho Velho, conforme o comunicado ao mercado divulgado pela empresa no fim desta quarta-feira (16).
A venda vai ocorrer por meio de processos competitivos, com apresentação de propostas fechadas em audiência marcada para 22 de outubro de 2026, às 14h.
Dois grupos já apresentaram propostas vinculantes e foram qualificados para participar dos processos, na condição de stalking horse — termo para descrever quando um comprador que faz a primeira oferta em um leilão, servindo de preço mínimo para os demais interessados.
A Supermundi propôs R$ 95 milhões pelo imóvel de Laranjeiras, ao passo que o fundo imobiliário Antilhas, que é um fundo fechado, propôs R$ 34,92 milhões pelos imóveis da Tijuca e da Freguesia do Engenho Velho.
Desta forma, a soma das duas propostas chega a R$ 129,9 milhões, valor que a Americanas passa a tratar como piso. O total pode subir dependendo do resultado dos processos competitivos. Segundo o comunicado, os recursos vão reforçar o caixa da companhia e ajudar a financiar o plano de transformação e crescimento em curso.
Por serem stalking horse, a Supermundi e o Fundo Antilhas têm o direito de cobrir, a critério próprio, qualquer oferta que supere o preço base apresentado por eles no respectivo processo — mecanismo conhecido como right to top.
Para isso, a nova proposta da Supermundi ou do Fundo Antilhas precisa ser pelo menos 1% maior que a melhor oferta apresentada por um concorrente.
A audiência de apresentação das propostas fechadas está marcada para 22 de outubro de 2026, às 14h.
Os anexos dos editais foram juntados ao processo de recuperação judicial e também estão disponíveis no site de Relações com Investidores da Americanas e no Sistema Empresas.NET da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Os editais de alienação judicial saíram no dia 9 de setembro de 2026, no Diário de Justiça Eletrônico Nacional, e fazem parte do plano de recuperação judicial da companhia.
Os passos da recuperação judicial da Americanas
O movimento comunicado nesta semana vai na mesma toada das decisões anteriores no âmbito da recuperação judicial da empresa que tinham o mesmo fim, de monetizar seu patrimônio imobiliário.
Foi em fevereiro deste ano que os credores da companhia deram sinal verde para que a varejista vendesse parte dos seus imóveis.
A estimativa é de que, no total, esse portfólio de ativos gere de R$ 346 milhões a R$ 468 milhões para a empresa.
A ata de reunião com debenturistas revela que a empresa se comprometeu a destinar 65% do montante líquido que exceder R$ 200 milhões relativos a essas vendas para amortizar ou realizar o resgate antecipado das debêntures.
Conforme o último balanço trimestral divulgado pela empresa, referente ao segundo trimestre de 2026,
A companhia soma 1.448 lojas espalhadas pelo país:
- Sudeste: 630 lojas
- Nordeste: 380 lojas
- Centro-Oeste: 150 lojas
- Sul: 140 lojas
- Norte: 140 lojas
Em março deste ano, a empresa pediu, formalmente, para sair da recuperação judicial. Faz cerca de dois anos e meio que a empresa teve seu plano homologado.
O pedido foi feito à 4ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro. No entanto, a Americanas ainda aguarda a decisão final da Justiça.