1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Forbes Real Estate
  6. /
  7. Cury (CURY3) Prioriza Dividendos em Detrimento de Crescimento e Não Vê Ruptura do MCMV com Eventual Troca de Governo
Forbes Real Estate

Cury (CURY3) Prioriza Dividendos em Detrimento de Crescimento e Não Vê Ruptura do MCMV com Eventual Troca de Governo

Com dividendos na casa dos 13%, construtora adota postura cautelosa para o crescimento e adapta processos após rigor da Caixa no crédito

4 min

A administração da incorporadora Cury (CURY3) deve priorizar fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) em detrimento de crescer a qualquer custo e, às vésperas da eleição, não acredita em mudanças drásticas do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) — que representa cerca de 95% do portfólio da companhia.

As conclusões são dos analistas do BTG Pactual, que se reuniram recentemente com o CEO da Cury, Leonardo Mesquita, e o diretor de Relações com Investidores (RI), Ronaldo Cury.

“Diante de perspectivas mais difíceis para o segmento de baixa renda, a Cury está adotando uma postura mais cautelosa em sua estratégia de crescimento. A administração considera que existe espaço para aumentar os lançamentos em 2027, mas isso só ocorrerá se duas condições forem atendidas: a velocidade de vendas continuar saudável, sem formação de estoques, e a expansão não comprometer a geração de fluxo de caixa livre”, diz o BTG Pactual.

“Daqui para a frente, a principal prioridade da companhia será manter uma geração saudável de fluxo de caixa livre e, consequentemente, preservar níveis elevados de distribuição de dividendos”, completa.

Sobre o Minha Casa, Minha Vida, a administração crê que o programa está “protegido” de eventuais mudanças no governo.

“Segundo os executivos, os principais interlocutores da oposição compreendem a importância da agenda habitacional voltada à população de baixa renda. Além disso, os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) destinados ao programa estão assegurados para os próximos anos.”

Por outro lado, a redução da jornada de trabalho, após a aprovação do fim da escala 6×1, deve representar um desafio.

A visão da gestão da Cury é de que ainda existem muitas incertezas sobre como a nova legislação será implementada, mas de qualquer modo isso deve impor novos desafios ao setor.

“Por enquanto, a companhia considera suficientes as provisões para inflação já incorporadas em suas estimativas para absorver pressões inflacionárias adicionais, como as decorrentes dos preços dos combustíveis.”

O BTG Pactual tem recomendação de compra para as ações da Cury, com preço-alvo de R$ 42.

Atualmente, os papéis CURY3 são negociados na faixa dos R$ 32 em bolsa. Há alta acumulada de 12,8% nos últimos 30 dias.

Dados do Status Invest indicam que os dividendos da Cury representam um yield anualizado de aproximadamente 13%, com R$ 4,1450 pagos por ação ordinária no acumulado dos últimos 12 meses.

Os papéis também negociam a cerca de 9 vezes em termos de preço sobre lucro (P/L).

Projeções do BTG Pactual

  • Receita líquida: R$ 6,807 bilhões
  • EBITDA: R$ 1,616 bilhão
  • Lucro líquido: R$ 1,221 bilhão
  • Dividendos líquidos por ação: R$ 2,23
  • Dividend yield: 6,8%
  • Margem EBITDA: 23,7%
  • Margem líquida: 17,9%
  • Retorno sobre o patrimônio líquido (ROE): 74,0%
  • Retorno sobre o capital investido (ROIC): 101,2%
  • EV/EBITDA: 6,2 vezes
  • Preço/lucro (P/L): 8,3 vezes
  • Caixa líquido projetado: R$ 438 milhões

Caixa aperta crédito, Cury corrige rota

A gestão da construtora também avalia que a Caixa Econômica Federal tem sido mais rigorosa na aprovação de crédito desde o mês de junho.

Mesquita, CEO da Cury, relata que o banco intensificou a análise em determinadas regiões e grupos de clientes. Isso afetou estados como o Rio de Janeiro. Em termos de perfil de comprador, os de renda informal foram os mais afetados.

Em simultâneo, empréstimos sem garantia concedidos pelas empresas também estão passando por um crivo mais apertado, especialmente após a formalização da chave e na modalidade de financiamento direto ao cliente (pós-chaves pró-soluto).

“Nesse contexto, a Cury já adaptou seus processos comerciais para melhorar a classificação de risco de sua carteira de clientes e ampliar o volume de informações disponíveis sobre os compradores ao longo do processo de venda. A expectativa é que essas mudanças aumentem as taxas de conversão de vendas e reduzam os cancelamentos”, diz o BTG Pactual.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.