Na esteira de grandes absorções no bairro de Pinheiros e na região da Chucri Zaidan, o mercado de escritórios de São Paulo registra o nono trimestre seguido com transações de lajes corporativas de mais de 10 mil metros quadrados.
A JLL, que levantou os dados do terceiro trimestre de 2026, considera o dado de grande expressão.
“Essa é uma marca histórica do mercado, e que está pautando as novas entregas, uma vez que o perfil dos edifícios que devem ser incorporados ao estoque da cidade é voltado para atender essa demanda”, diz David Aguiar, especialista em Pesquisa e Estratégia na JLL.
Os dados da consultoria indicam que, no panorama atual, a oferta de grandes lajes corporativas — acima de 10 mil metros quadrados — é de somente cinco ativos. Eles estão localizados em regiões como Berrini, Chucri Zaidan e Vila Olímpia.
Há pouco mais de dois anos, o estoque era de 17 imóveis que contemplavam lajes corporativas de mais de 10 mil metros quadrados.

Os segmentos Financeiro e Farmacêutico representam 54% da absorção no terceiro trimestre, com destaque para o Nubank, que locou cerca de 35 mil metros quadrados na região de Pinheiros, com o Cyrela Corporate, edifício que fica pronto ainda neste ano.
A Bayer locou 15,6 mil metros quadrados no edifício Alto das Nações, localizado na Chácara Santo Antônio.
As maiores transações do trimestre
- Nubank: 34,9 mil m² no Cyrela Oscar Freire Corporate (Pinheiros / Vila Madalena)
- Bayer: 15,6 mil m² no Alto das Nações (Chácara Santo Antônio)
- Cyrela: 12,3 mil m² no Cyrela Oscar Freire Corporate
- EQI Investimentos: 5,9 mil m² no Faria Lima 4440 – Acqua (Nova Faria Lima)
- Grupo Primo: 5,2 mil m² no Arquipeo (Marginal Norte)
- Fortinet: 4,8 mil m² no Jacks Rabinovich Corporate Boutique (Vila Olímpia)
- StoneX: 4,4 mil m² no Tower Bridge Corporate (Berrini)
- Itaú: 3,6 mil m² na Paulista
- TD Synnex: 3,4 mil m² no CENU – Torre Norte (Berrini)
- Wise Capital: 3,3 mil m² no River South (Marginal Central)
Estoque e vacância sobem no mercado de escritórios

O levantamento da JLL aponta que foram entregues 195 mil metros quadrados de novo estoque em edifícios comerciais entre julho e setembro deste ano. Desse total, 38 mil metros quadrados vieram de retrofits.
Com essa injeção de estoque, a vacância dos escritórios subiu um ponto percentual, para atuais 14,1% — ante igual etapa do ano anterior, há queda de 2,1 pontos percentuais.
“Seis regiões receberam novos empreendimentos e o aumento de vacância concentrou-se, majoritariamente, nelas”, analisa Yara Matsuyama, diretora de Locações da JLL.
Onde a vacância subiu e onde caiu
- Chácara Santo Antônio: o Alto das Nações – Torre Corporativa (98,9 mil m², classe AA) somou 31,7% ao estoque local. A vacância foi a 43,7%.
- Pinheiros / Vila Madalena: o Cyrela Oscar Freire Corporate (47,3 mil m², classe AA) somou 43,1% ao estoque e foi todo absorvido no trimestre. A vacância ficou em 6,8%.
- Moema: o Indianópolis Tower (5,4 mil m²) somou 20,5% ao estoque. A vacância foi a 21,6%.
- Jardins: o Franca 303 (6,1 mil m²) somou 7,1% ao estoque. A vacância ficou em 16,5%.
- Centro e Paulista: retrofits (Hassib Mofarrej, com 25 mil m², e Citadel, com 12,8 mil m²) somaram 16,5% e 4,6% ao estoque, respectivamente.
- Marginal Sul: vacância de 67,6%, a maior da cidade.
- Regiões primárias: vacância de 10,0% (-2,3 p.p. em um ano) e preço médio de R$ 177/m² (+R$ 21).
- Regiões secundárias e alternativas: vacância de 19,9% (-2,3 p.p.) e preço médio de R$ 90/m² (+R$ 10).
Até 2029, são previstos 309 mil metros quadrados, sendo 45% neste ano e 41% em 2027. Cerca de 48% da área prevista já está locada antes da entrega, com contratos de pré-locação.
Em termos de preço, a alta acumulada no valor médio do aluguel de escritórios é de 33% desde o primeiro trimestre de 2024.
Os maiores preços pedidos por região são os da Nova Faria Lima, que superam R$ 311 por metro quadrado. Em seguida aparecem JK (R$ 296), Faria Lima (R$ 291) e Itaim Bibi (R$ 278).
JLL espera vacância de 11,5% e 429 mil m² de absorção líquida
A JLL projeta que, até o fim deste ano, serão 301 mil metros quadrados de novo estoque, além de 429 mil metros quadrados de absorção líquida.
Até o fim de setembro, o mercado cumpriu 88% da projeção para estoque e 60% da previsão de absorção. A consultoria ainda tem um prognóstico para vacância de 11,5% em escritórios.
Acompanhe a Forbes no Google
Adicione a Forbes como fonte preferida no Google e encontre nossas notícias com mais facilidade.