O bairro de Pinheiros liderou a absorção líquida de escritórios de alto padrão em São Paulo no terceiro trimestre de 2026, com 49 mil metros quadrados. O número equivale a 41% do total do período, de 118 mil metros quadrados, o maior resultado trimestral do ano, segundo levantamento da Newmark enviado à Forbes.
Depois de Pinheiros, aparecem Berrini, Chácara Santo Antônio, Barra Funda e Marginal Pinheiros. Juntas, as cinco regiões somam 86% do saldo do trimestre.
- Pinheiros: 49 mil m²
- Berrini: 16 mil m²
- Chácara Santo Antônio: 14 mil m²
- Barra Funda: 12 mil m²
- Marginal Pinheiros: 10 mil m²
Vila Olímpia (7 mil m²), Paulista (5 mil m²), Faria Lima e JK (3 mil m² cada) também tiveram saldos positivos — nesses casos, os volumes ficaram abaixo porque essas regiões têm pouco espaço vago.
Na cidade de São Paulo como um todo, de janeiro a setembro, o saldo acumulado da absorção líquida chega a 284 mil metros quadrados, o dobro da média anual de 139 mil metros quadrados.
Os edifícios de alto padrão responderam por 63% da absorção do trimestre, cerca de 75 mil metros quadrados.
Vacância sobe a 14,8% e aluguel pedido avança 15% em 12 meses
Os dados da Newmark apontam que a taxa média de vacância subiu 0,5 ponto percentual (p.p.) no trimestre, para 14,8%. Em 12 meses, a queda acumulada é de 2,5 p.p.
A alta vem da entrega de 176 mil metros quadrados, mais de três vezes o volume do segundo trimestre.
Com as entregas, o estoque de alto padrão cresceu 3% e chegou a 6,1 milhões de metros quadrados.
A absorção líquida, portanto, correspondeu a cerca de dois terços dessa oferta. Segundo a Newmark, isso se deu porque o volume já estava pré-locado.
Olhando para os valores, o preço médio pedido de locação chegou a R$ 131,3 por metro quadrado ao mês, representando alta de 2,5% ante o trimestre imediatamente anterior e de 15% em uma janela de 12 meses.
No recorte de edifícios de alto padrão do CBD (sigla em inglês para distrito central de negócios), o preço médio foi de R$ 183,8 por metro quadrado ao mês.
“As empresas que planejam expansão ou mudança nos próximos dois anos devem antecipar a decisão. Em regiões como Pinheiros, JK, Itaim e Paulista, a área vaga hoje está cada vez mais escassa e não há volume relevante de nova oferta previsto. A tendência é de cada vez menos opções e preços cada vez mais altos”, diz Mariana Hanania, head de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Newmark.
A consultoria imobiliária avalia que esse panorama forçou incorporadoras a retomar projetos corporativos.
O pipeline atual prevê poucas entregas entre 2027 e 2029, e com isso os desenvolvedores voltaram a procurar terrenos e a estudar edifícios de maior porte, principalmente em Pinheiros, no Itaim e na região da Rebouças, onde quase não há espaço disponível.