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“All Her Fault”: Série Que Rendeu Prêmio a Sarah Snook Discute Maternidade, Carreira e Culpa

Produção do Prime Video gira em torno do sequestro de uma criança e é inspirada em uma experiência pessoal da autora do livro homônimo

5 min

Sarah Snook, estrela de “Succession”, recebeu o Critics Choice Awards de Melhor Atriz em Minissérie no último domingo (4) por seu papel no suspense psicológico “All Her Fault”, do Prime Video. A série começa quando sua personagem, a empresária Marissa Irvine, chega para buscar seu filho na casa de um amigo da escola e não encontra a criança.

Enquanto a trama acompanha o sequestro e a busca pelo pequeno Milo, de apenas cinco anos, a história é atravessada por temas como maternidade, trabalho e culpa, que dão profundidade e tom à narrativa.

Baseada no romance homônimo da irlandesa Andrea Mara, publicado em 2021, e com roteiro de Megan Gallagher, a série é inspirada em uma experiência pessoal da autora. Segundo relato de Mara, em 2015, quando foi buscar a filha em uma casa onde a criança passaria a tarde brincando, encontrou o imóvel completamente vazio. Diferentemente da situação vivida por Marissa na série, o pânico durou apenas alguns segundos, até descobrir que estava com um endereço antigo.

Maternidade, culpa e trabalho

O título da minissérie – “tudo culpa dela”, em tradução livre do inglês – remete à maneira como não apenas as pessoas ao redor, mas a própria protagonista, passam a interpretar as causas do desaparecimento de Milo.

Na série, Marissa é fundadora e sócia de uma empresa de wealth management e é casada com Peter (Jake Lacy), um trader de commodities bem-sucedido. Ambos mantêm longas jornadas de trabalho e contam com o apoio de uma babá, a imigrante latina Ana Garcia, que busca o filho na escola e cuida da criança quando os pais estão ausentes.

Consumida pela angústia de não saber o paradeiro do filho, Marissa passa a se perguntar se não deveria ter priorizado Milo em detrimento do trabalho. A popular frase “Nasce uma mãe, nasce uma culpa”, hoje questionada e até rejeitada por muitas lideranças femininas, sintetiza o sentimento de responsabilidade e autocrítica que frequentemente acompanha a maternidade, alimentado por expectativas sociais, comparações constantes e pela pressão para ser uma “supermulher”.

Outra personagem central da trama, Jenny Kaminski (interpretada por Dakota Fanning), também enfrenta esses dilemas. Ambiciosa, ela é uma executiva em ascensão em uma editora e casada com um professor. O marido raramente assume as tarefas da casa ou os cuidados com o filho, Jacob – e, quando o faz, age como se estivesse cobrando esse esforço da esposa.

Divulgação/Prime VideoJenny Kaminski (Dakota Fanning) e Marissa Irvine (Sarah Snook) na série All Her Fault

Na tentativa de dar conta de tudo e se fazer presente tanto no trabalho quanto em casa, Jenny faz malabarismos com a agenda e acaba interrompendo uma reunião com um potencial cliente para atender a um telefonema do marido, que está em casa com o filho.

Penalidade da maternidade

“Penalidade da maternidade” é o termo cunhado pela vencedora do Nobel de Economia Claudia Goldin, que estudou a relação entre participação feminina no trabalho, economia do casal e a desigualdade de gênero, para descrever os impactos do nascimento dos filhos sobre a trajetória profissional das mulheres.

Uma de suas pesquisas mais recentes mostra que a disparidade de gênero no mercado de trabalho se intensifica após o nascimento do primeiro filho, um evento que frequentemente redefine a maneira como as mulheres conduzem suas carreiras.

Além de demissões, as mães enfrentam obstáculos sutis ao retornar ao trabalho, como estagnação salarial, menor acesso a promoções e expectativas desiguais. Segundo a economista, políticas como horários e regimes de trabalho flexíveis, além da ampliação da licença-paternidade, são fundamentais para manter as mulheres no mercado e melhorar seus resultados profissionais no longo prazo. Além, claro, da divisão equalitária das tarefas domésticas. Na prática, no entanto, as mulheres são responsáveis por mais de 75% do trabalho não remunerado, segundo a organização global contra as desigualdades Oxfam (Comitê de Oxford para o Alívio da Fome).

Na vida real, a maternidade também influenciou a construção da personagem de Sarah Snook em “All Her Fault”. A atriz, que teve sua primeira filha em 2023, contou em entrevistas que a experiência adicionou camadas à sua atuação. “Virar mãe fez com que isso se tornasse algo muito real e cru para incorporar ao trabalho”, afirmou à Reuters. “É o pior pesadelo de qualquer pai ou mãe.”

Snook também destacou a importância de estabelecer limites entre vida pessoal e profissional durante as gravações. “Fui bastante rígida em garantir que o trabalho ficasse no trabalho. Quando chegava em casa, era outro mundo: eu, minha filha e meu marido.”

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