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Pacto Global da ONU Tem Nova Meta Para Ampliar Liderança Feminina e Diversa no Brasil

Movimento Elas Lideram 2030 convida empresas a assumir o compromisso de impulsionar mulheres de grupos sub-representados a cargos de gestão

4 min

O Pacto Global da ONU – Rede Brasil anunciou a terceira meta do Movimento Elas Lideram 2030, iniciativa cocriada e coliderada com a ONU Mulheres para ampliar a presença feminina em cargos de liderança em empresas no Brasil até o fim da década.

A nova meta estabelece que, até 2030, 50% dos cargos de liderança — a partir do nível de coordenação — sejam ocupados por mulheres de grupos historicamente sub-representados, incluindo mulheres negras, indígenas, quilombolas, com deficiência, LBTQIAP+ e mulheres em situação de refúgio.

O objetivo é enfrentar uma desigualdade persistente dentro das próprias estruturas corporativas. Dados de 2024 mostram que, entre as mulheres que já ocupam esses cargos nas empresas participantes da meta, a diversidade ainda é limitada: apenas 13% são mulheres negras; 0,08% indígenas; 0,06% quilombolas; 0,65% mulheres com deficiência e 0,07% mulheres trans ou travestis.

“Não se trata apenas de alcançar números, mas de promover uma transformação real nas organizações, criando ambientes diversos, inclusivos e seguros para todas as pessoas”, afirma Verônica Vassalo, gerente de diversidade, equidade e inclusão do Pacto Global da ONU – Rede Brasil. “Quando todas as mulheres têm acesso igual a oportunidades de trabalho, liderança, renda e participação econômica, a sociedade inteira se beneficia.”

Diversidade como estratégia de negócio

Além do impacto social, a equidade de gênero na liderança também tem se mostrado uma estratégia de negócios.

Entre as empresas que pretendem ampliar suas iniciativas nessa agenda, 73% registraram crescimento de receita acima de 5%; 56,2% aumentaram o número de colaboradores e 48,8% ampliaram as exportações em 2025.

Os dados são de um novo estudo da empresa global de consultoria e auditoria Grant Thornton, que analisou 15 mil empresas de médio porte em mais de 35 países.

“Organizações com lideranças mais diversas tendem a tomar decisões mais qualificadas, compreender melhor seus mercados e responder de forma mais eficaz aos desafios atuais”, afirma Vassalo.

Motor de mudança

A primeira meta do movimento previa que 30% dos cargos de alta liderança fossem ocupados por mulheres até 2025. O ciclo foi encerrado em dezembro e os resultados finais ainda estão em fase de consolidação. Em 2024, 84% das empresas comprometidas com esse objetivo já haviam atingido ou ultrapassado a marca.

Além da nova meta voltada a grupos sub-representados, o Pacto Global da ONU mantém o compromisso de alcançar 50% de mulheres na alta liderança até 2030. “Quando o compromisso é formalizado, as empresas tendem a mobilizar mais lideranças internas, direcionar investimentos e estruturar estratégias mais consistentes para promover diversidade e igualdade de oportunidades”, explica Vassalo. “É um compromisso público, mensurável, com prazos, indicadores e acompanhamento de resultados.”

A adesão às metas é voluntária e ocorre por meio de uma Carta Compromisso. Ao aderirem, as empresas passam a integrar o grupo de organizações comprometidas com o movimento e assumem a responsabilidade de monitorar e divulgar seus avanços.

A atuação do Pacto não envolve mecanismos de punição ou auditoria para as companhias que não cumprirem as metas, mas exige a divulgação pública e transparente de indicadores.

O setor empresarial tem papel central no avanço da equidade de gênero e na redução das desigualdades estruturais. “Quando empresas promovem ambientes mais diversos, equitativos e inclusivos, contribuem diretamente para ampliar oportunidades e reduzir desigualdades na sociedade.”

Retrocesso na diversidade?

Apesar dos movimentos internacionais recentes — impulsionados por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos — que buscam retroceder nas políticas de diversidade, no Brasil o impacto ainda é indireto. “Não vemos um desmonte generalizado dessas políticas nas empresas, mas um ambiente mais tenso, em que essas agendas passam a ser mais questionadas em alguns espaços.”

Ao mesmo tempo, Vassalo ressalta o aumento de empresas brasileiras estabelecendo metas, monitorando indicadores e incorporando essa agenda às suas políticas de gestão e governança.

“A igualdade de gênero nunca avançou em linha reta. Avanços importantes foram conquistados nas últimas décadas, mas eles convivem com desafios.”

Verônica Vassalo

Pela frente, a organização segue otimista com o engajamento do setor privado, mas ressalta que a igualdade de gênero continua sendo uma agenda em construção, que exige vigilância constante, articulação e compromisso coletivo. “Os próximos anos serão decisivos. O que precisamos agora é intensificar esforços, fortalecer parcerias e transformar compromissos em ações concretas.”

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