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Como Kananda Eller, a Deusa Cientista, Transformou o TikTok em Sala de Aula

Criadora de conteúdo, Under 30 e mestre pela USP fala sobre sua trajetória em podcast da Forbes com a SingularityU

5 min

A criadora de conteúdo Kananda Eller, também conhecida como Deusa Cientista, ganhou fama no Instagram e no TikTok por aproximar a ciência de quem historicamente ficou distante dela. Formada em química e mestre em ensino de ciências ambientais pela USP (Universidade de São Paulo), hoje ela soma quase 600 mil seguidores nas plataformas.

A cientista conversou sobre sua trajetória com Glaucia Guarcello, CEO da HSM e Singularity Brazil, no “Forbes Under 30 – Innovation”, série de podcasts apresentada por SingularityU com destaques da lista Under 30.

Ciência de portas abertas

A trajetória de Kananda começou muito antes das redes sociais. “Minha avó dormiu em uma fila por dois dias para que eu acessasse uma escola técnica. Então eu tive aula de robótica com física desde criança e acesso ao universo da ciência”, lembra.

Nascida em Salvador, ela nunca foi aluna nota 10, mas gostava de tudo um pouco. Participava de projetos extracurriculares, criou uma empresa júnior ainda na escola e, mais tarde, repetiu a experiência na universidade.

“Por mais que eu venha de uma realidade totalmente diferente da que tenho hoje, tive a oportunidade de escolher esse caminho.”

Kananda Eller

Na época da graduação, ela descobriu que poderia — e gostaria de — construir uma carreira acadêmica. “Entendi o que era mestrado e doutorado e pensei: ‘Se eu posso passar a vida toda estudando e trabalhando, quero seguir nessa área’.”

A virada aconteceu durante a pandemia. Com as aulas suspensas e a internet como o principal espaço de interação, Kananda decidiu levar para o TikTok uma habilidade que já exercia em projetos comunitários e na universidade: traduzir temas científicos para uma linguagem acessível. “Sempre tive essa habilidade de divulgar a ciência. A pandemia foi o gatilho de virar uma comunicadora pelas redes sociais.”

Por dentro da persona Deusa Cientista

A personagem Deusa Cientista surgiu pouco depois, inspirada pela escritora Bell Hooks. Professora de química durante seis anos, Kananda conta que encontrou no conceito apresentado pela autora uma forma de vencer a timidez. “Ela falava que, se o professor quiser, ele pode criar um personagem que vai se aproximar do estudante. Não é a Kananda que está nas redes sociais, é a Deusa Cientista.”

O nome também sintetiza uma visão de mundo que desafia a ideia de que ciência e espiritualidade precisam ocupar campos opostos. “Entendo que tenho o meu papel enquanto cientista, mas que a espiritualidade também traz para mim muitas coisas que eu preciso para viver enquanto ser humano.”

Hoje, seu trabalho vai além da produção de conteúdo e se apoia em três frentes: publicidade com marcas como L’Oréal, palestras para empresas e universidades e um podcast que conta histórias de mulheres cientistas. “Comecei a Deusa Cientista sem pensar no dinheiro. Só queria compartilhar esse conhecimento.”

O crescimento aconteceu de forma orgânica. Vieram as primeiras campanhas publicitárias, a indicação ao TikTok Awards de 2021, os investimentos em equipamentos e, depois, uma agência para representar seu trabalho. “Comecei muito do zero. Depois as marcas começaram a vir até mim e isso virou um negócio.”

Próximos passos de Kananda Eller

Apesar do sucesso como criadora de conteúdo, Kananda não pretende abandonar a carreira acadêmica. Atualmente, está em processo de candidatura ao doutorado. “Algumas pessoas perguntam: ‘Por que você quer fazer um doutorado? Você já chegou tão longe’”, diz. “Quero fazer o doutorado porque sei que tem portas que eu só vou entrar com ele.”

Seu objetivo também passa por expandir as formas de comunicar ciência. Além das redes sociais, ela estuda teatro para experimentar novas linguagens e sonha em criar uma instituição educacional voltada à comunidade onde cresceu, para retomar um trabalho que começou ainda em Salvador com um pré-vestibular social.

Para Kananda, ampliar quem participa da produção científica muda não apenas quem ocupa esses espaços, mas também quais perguntas são feitas e quais soluções são desenvolvidas. “Quando a gente tem outros grupos de pessoas, elas vão se preocupar também com outras questões. Isso vai determinar o tipo de tecnologia que a gente vai produzir, a qualidade de vida que a gente vai dar para as pessoas e a efetividade da ciência.”

Ao transformar conceitos complexos em conversas que cabem na tela do celular, Kananda quer mostrar que a ciência também pertence a mulheres, pessoas negras, indígenas e a todos aqueles que, durante muito tempo, acreditaram que esse não era um lugar para eles. “Não acredito em uma ciência que não sirva à sociedade.”

Assista à entrevista completa com Kananda Eller:

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